Donaldson Gomes
A Companhia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa) iniciou a construção do 14º forno do complexo fabril localizado em Pojuca, a 80 quilômetros de Salvador, com um investimento de R$ 72 milhões.
Com o novo equipamento, que representa mais da metade dos R$ 120 milhões previstos para este ano, a companhia pretende ampliar em 20% a capacidade atual de produção das ligas de ferros silício de 100 mil toneladas por ano para 120 mil toneladas dentro de dois anos.
Um dos grandes desafios para o futuro da empresa, que completou 50 anos em 2011, é se preparar para a presença cada vez maior de concorrentes externos no Brasil.
Além de ampliar a capacidade industrial, a Ferbasa pretende utilizar os recursos para repor a depreciação de materiais, investir em ações ambientais, além de ampliar a área de floresta para a produção do carvão usado nos fornos da empresa.
Em sete anos, a Ferbasa pretende duplicar a área plantada. A empresa - que além do ferrossilício produz também o ferrocromo - é responsável por aproximadamente 3 mil empregos diretos, entre as atividades de mineração, metalurgia e florestas plantadas.
Com o investimento anunciado para este ano, a empresa fundada pelo engenheiro José Carvalho há 50 anos, mantém o ritmo de expansão na capacidade de produção, apesar dos desafios externos que a metalurgia brasileira tem enfrentado.
No ano passado, a Ferbasa investiu R$ 127 milhões e, de acordo com o presidente da empresa, Geraldo Lopes, a empresa mantém uma média de R$ 100 milhões investidos por ano nos últimos cinco anos. "É um volume bem significativo, com certeza. Nós já somos uma empresa consolidada no mercado", destaca Lopes.
Nos últimos anos, a Ferbasa vem trabalhando para se manter competitiva no mercado diante da concorrência de produtos chineses, que encontram no cenário cambial e nos incentivos à importação em alguns portos brasileiros um convite para a invadir o mercado brasileiro.
Os relatórios financeiros da Ferbasa apontam uma redução de 4,5% no faturamento da empresa no ano passado, em comparação com 2010. O lucro, por sua vez, apresentou uma queda de 32%no mesmo período, passando de R$ 133,7 milhões em 2010 para R$ 90,6 milhões em 2011.
"Com o dólar desvalorizado, os nossos produtos se tornam menos atrativos que os que vêm do exterior", explica Geraldo Lopes. Segundo ele, 75% do que a Ferbasa produz destinase ao mercado interno e 25% vão para fora.
Além de investimentos para ampliar a escala de produção, a empresa tem trabalhado na redução de seus custos operacionais, além de manter uma posição financeira conservadora.
"Nós não temos endividamento e trabalhamos com um caixa bastante confortável", destaca Lopes, lembrando que no lugar de despesas financeiras, a Ferbasa costuma ter receitas.
Importados - De acordo como secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado (SICM), James Correia, a concorrência dos importados são um desafio para diversos setores da economia baiana. "A partir do ano que vem, esperamos que esta situação melhore, com a entrada em vigor da nova alíquota para o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) interestadual", diz.