Exportações baianas tem saldo comercial positivo

15/01/2010

Diante do crescimento nas vendas, sobretudo no último trimestre, em 51,6% frente ao último trimestre de 2008, já está em curso uma recuperação nas exportações, demonstrada pelos indicadores de aumento da produção industrial do estado e do próprio volume de vendas do mês de dezembro, que cresceu 14,5% frente a novembro.


A crise financeira internacional fez com que as exportações baianas caíssem 19,4%% em 2009, valor, entretanto, inferior ao registrada pelo país, que chegou a 22,7%. No ano, as exportações alcançaram US$ 7,0 bilhões, contra US$ 8,7 bi em 2008. As importações também registraram queda em 2009, passando de US$ 6,3 bi em 2008 para US$ 4,6 bilhões. Os dados foram divulgados hoje (15) pelo PromoBahia-Centro Internacional de Negócios, vinculado à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração.


De acordo com informações do PromoBahia, a menor demanda de tradicionais parceiros comerciais do estado atingiu em cheio as vendas de produtos manufaturados baianos, 27% inferiores às de 2008, enquanto os embarques de produtos primários, beneficiados pela retomada do consumo chinês, cresceram 10,1% no ano.


O presidente do PromoBahia, Jacques Santiago explica que, mesmo com a redução em 2009, as exportações baianas ampliaram a sua participação em relação ao Nordeste, passando de 56,3% em 2008 para 60,4% do total vendido para o exterior pela região em 2009, mantendo-se na liderança absoluta. Já em relação ao Brasil, o estado manteve a oitava posição, aumentando, contudo, a sua participação de 4,4% para 4,6% do total exportado pelo país.


"Mesmo com quedas similares nos dois sentidos do intercâmbio de mercadorias, a balança comercial da Bahia encerrou 2009 com um superávit 0,5% superior ao do ano anterior, de US$ 2,4 bilhões, resultado da queda maior das importações que o das exportações", informa Santiago.


"Estamos otimistas", continua. Segundo ele, diante do crescimento nas vendas, sobretudo no último trimestre, em 51,6% frente ao último trimestre de 2008, já está em curso uma recuperação, demonstrada pelos indicadores de aumento da produção industrial do estado e do próprio volume de vendas do mês de dezembro, que cresceu 14,5% frente a novembro.


Os setores mais afetados pela crise foram as indústrias metalúrgica (-46%), de material elétrico (-49,4%), de petróleo, (-42,8%), móveis (-70,8%) e automotivo (-36,3%). Como resultado do crescimento da demanda chinesa, houve aumento nas vendas de produtos agrícolas em 9,8%, com destaque para a soja (+29%) e o algodão (+27,1%). Também houve incremento nas vendas de ouro em barras em 25,7%.


Dados do PromoBahia revelam que os países mais afetados pela turbulência reduziram sensivelmente as compras de produtos baianos. As vendas para os Estados Unidos caíram 38% e para a União Européia, 41%. Diminuíram também as vendas para o Mercosul em 31%.


"Só houve crescimento nos negócios com os demais países da América Latina, (11,5%) e com a Ásia em 40%, puxado pelo aumento de 82% nas exportações para a China, cujo PIB deve ter crescido 8% em 2009 e perto de 9% neste ano", informa Arthur Souza Cruz, gerente de inteligência comercial do PromoBahia. Com esse ritmo, a China impediu uma queda ainda maior nas vendas externas do estado comprando em grande volume principalmente cobre, celulose, soja, petroquímicos e algodão. A China tornou-se o maior mercado comprador da Bahia em 2009, ultrapassando os Estados Unidos.


IMPORTAÇÕES


A retração do comércio mundial e da economia brasileira também derrubou em 26,9% as importações, que fecharam o ano em US$ 4,6 bilhões. Apesar desta redução superior ao das exportações, o ritmo de queda das importações tem diminuído, e a tendência é que o real valorizado e o próprio crescimento da economia estimulem o aumento das compras neste ano.


OTIMISMO


Para Arthur Souza Cruz, a recuperação das vendas externas em 2010, estimada em 10%, vai depender da retomada do crescimento econômico global e do nível de competitividade do Brasil, seriamente prejudicado pelo câmbio. "A expectativa, porém, é positiva, já com a alta verificada nos preços das commodities, o que em parte compensa a valorização do real, complementada pela recuperação parcial das economias centrais e leve elevação nas exportações de manufaturados, já em curso durante o último trimestre de 2009", finaliza o gerente do PromoBahia.

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