De olho no mercado europeu, produção de romã desponta no semiárido

18/06/2012

JOÃO PEDRO PITOMBO


Na crença popular, ela é sinal de prosperidade. E também pode ser um bom remédio para garganta inflamada. Na medicina tradicional, é tida como um poderoso antioxidante. São propriedades que fazem da romã objeto de desejo em diversos mercados, sobretudo na Europa. De olho neste potencial, a Bahia terá no segundo semestre deste ano sua primeira colheita comercial de romã. A produção é oriunda de Várzea do Poço, município do semiárido baiano localizado na região do Distrito de Irrigação do Jacuípe.


A safra é resultado de um experimento do engenheiro agrônomo Diógenes Barbosa, que introduziu na Bahia a variedade wonderful - a mais disseminada no mercado internacional. "Esta variedade é típica de regiões como o Oriente Médio e teve boa adaptação no clima do semiárido", explica Diógenes, que resolveu apostar na produção de romã após uma temporada em Israel.


Nesta primeira safra, deverão ser colhidas 20 toneladas do fruto. Mas a expectativa é quintuplicar a produtividade dentro de quatro anos, quando as 3,5 mil árvores plantadas atingirão a fase adulta. A primeira colheita terá como destino o mercado interno, já que o produto atualmente consumido no Brasil vem do exterior. Inicialmente, o produto deverá ser distribuído em redes de supermercado baianas e de São Paulo. Apesar do foco inicial do mercado brasileiro, o objetivo é entrar com força no mercado internacional a partir das próximas safras, com a ampliação da produção comercial da romã.


"Estamos em negociações avançadas com uma trade francesa de importação", pontua Diógenes, ressaltando que o mercado europeu é o principal importador do fruto. Para competir neste mercado, a produção do semiárido baiano terá que ser melhorada ao longo dos próximos anos. Com o tempo, o fruto ganhará qualidade suficiente para disputar mercado com os principais produtores mundiais - Estados Unidos, Espanha, Turquia, Tunísia e Líbano. Caso haja boa receptividade nomercado internacional, a área plantada no semiárido baiano deverá ser ampliada já nas próximas safras.


Irrigação


A produção de romã no semiárido baiano foi possível graças à combinação de uma série de fatores, sendo a irrigação o principal deles, já que a região possui baixo índice pluviométrico e sistema de chuvas irregular. "A água salina da região, que poderia ser considerada um entrave, acabou revelando-se eficiente na produção das romãs", explicou Diógenes. Para isso, foi adotado um sistema de irrigação por gotejamento, que aumenta a eficiência no uso da água.


O clima da região, quente durante o dia e frio durante a noite, também foi considerado propício para a produção da romã. A alta amplitude térmica, típica de regiões mediterrâneas, é considerada essencial para proporcionar a cor avermelhada ao fruto. A safra dura em torno de seis meses, sempre no segundo semestre, com pico de produção no final da temporada. O pico coincide com a época de maior consumo do fruto, que vem a ser as festas de final de ano.

Goiaba fora de época é testada


Além da produção de romãs, o engenheiro agrônomo e produtor Diógenes Barbosa também tem buscado testar novas variedades de frutas que se adaptem às condições climáticas do semiárido baiano, como o cacau, a goiaba e o limão.


Típica da região de Várzea do Poço e um dos carros-chefes da agricultura local, a goiaba é um desafio em potencial. Por meio de testes de diferentes variedades da fruta, aliados a um ciclo programado de poda das árvores, o produtor tem buscado ampliar a produção da goiaba fora da época tradicional da colheita, que normalmente acontece no verão.


O limão também tem sido testado, com objetivo de conseguir uma safra mais forte no segundo semestre do ano - período em que o fruto se torna mais escasso no mercado. "Produzir no primeiro semestre, na época tradicional, é menos competitivo. Muitas vezes o preço não chega a cobrir o custo da produção", explica Barbosa.


Fruticultura


O cacau é outra fruta que tem sido testada na região. Apesar de típica de climas mais úmidos, tem obtido bons resultados em plantações irrigadas no semiárido.


Implantado há cerca de uma década, o Distrito de Irrigação de Jacuípe tem se fortalecido como polo regional de produção de frutas. A goiaba e a banana são os carros-chefes da região. Produzida essencialmente por pequenos agricultores, a fruticultura da região é desenvolvida em lotes de cerca de três hectares. A área total irrigada é de cerca de 200 hectares. A água utilizada na irrigação vem da Barragem do São José do Jacuípe, no entorno dos municípios de Várzea da Roça e São José do Jacuípe. A água alcança os lotes por meiode canais abertos, de onde é pressurizada para a irrigação das plantações.

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