Aos 34 anos, Polo Industrial de Camaçari cresce e se reinventa

29/06/2012

Adriano Villela



Um funcionamento desde 29 de junho de 1978, o Polo Petroquímico de Camaçari chega hoje aos 34 anos vivendo um processo de crescimento voltado essencialmente para a ponta das cadeias produtivas.



Segundo o superintendente geral do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira, o complexo já produz artigos da última geração do ciclo produtivo, como carros, pneus, bebidas e caixas d’água e outros artigos praticamente finais, nas áreas de cobre, celulose e equipamentos para energia eólica.



Economista de formação, Pereira entende que indústria, governo estadual e município devem continuar centrando forças na atração de produtos finais da cadeia. “São os que mais agregam valor e mais geram empregos”, argumenta.



O secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correa, frisa que o complexo responde por 20% do PIB do Estado, podendo chegar a 50% se contada a Refinaria Landulpho Alves.



O Polo Petroquímico conta com 90 empresas – 34 dos ramos químico e petroquímico e 56 dos setores automotivo, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços. Com faturamento de US$ 16 bilhões anuais, gera 15 mil empregos diretos e outros 30 mil indiretos.



No intervalo 2011-2015, o Polo tem confirmados US$ 6 bilhões em investimentos, com destaque para os projetos do Polo Acrílico – liderados pela Basf, com parceria da Braskem e participação da Kimberly-Clark, a montadora da JAC Motors e a fábrica de cosméticos/central de distribuição de O Boticário.



Os novos empreendimentos, que se instalarão na região nos próximos cinco anos, vão gerar mais de 17 mil novos postos de trabalho, assim como uma demanda estimada de cinco mil profissionais para reposição de mão de obra.



Mauro Pereira acredita que a tendência do complexo industrial baiano é de continuar o crescimento. O dirigente atribui a atratibilidade do polo baiano a combinações de três elementos: mercados, assegurados pela política federal nos governos do ex-presidente Lula e da atual presidente, Dilma Rousseff, disponibilidade de matéria-prima e a questão ambiental, com a contribuição da Cetrel no tratamento dos efluentes.



“Outro ponto é político. O Brasil é uma democracia consolidada, o que não existe nos países em desenvolvimento, nos outros Brics. Os países desenvolvidos têm (política democrática assegurada), mas não possuem mercado”, comparou.



Apenas o Polo representa mais de 30% do total exportado pela Bahia e gera R$ 1 bilhão em recolhimento do ICMS ao estado.



Segundo o superintendente-geral, o polo saiu da condição de apenas centro petroquímico e químico para se constituir num complexo industrial integrado. “O Pólo de Camaçari começa no óleo bruto extraído pela refinaria, de onde vem a nafta para a Braskem, que produz uma série de matérias-primas até a produção final ou quase final”, explica Pereira.



De acordo com o Cofic, o Polo de Camaçari possui capacidade instalada acima de 12 milhões de toneladas/ano de produtos químicos e petroquímicos básicos - tanto intermediários e finais -, processa 240 mil toneladas/ano de cobre eletrolítico. Responde por mais de 90% da arrecadação tributária de Camaçari. O investimento total no Polo saltou de US$ 12 bilhões até 2008, para US$ 16 bilhões (no ano passado), devendo superar os US$ 22 bilhões até 2015.




Reestruturação




Resultado de um modelo tripartite (governo, indústria nacional e capital estrangeiro), o Polo baiano experimentou duas grandes reestruturações. No começo da década de 90, teve seu crescimento desacelerado pelo processo de privatizações. Já em 2001, com a venda da central de matérias-primas Copene para o consórcio Odebrecht-Mariani, o novo controlador reorganizou a fábrica-mãe, a aproximando das empresas de segunda-geração.



Batizada inicialmente de Copenão, a empresa nasceu com o nome de Braskem, líder em termoplásticos na América Latina. Com ativos avaliados em R$12 bilhões, é um dos cinco maiores empreendimentos privados do país.


Outro eventode grande importância na reestruturação do Polo, foi a chegada da montadora americana Ford. Inaugurada em 2001, a empresa fabrica 300 mil automóveis/ano.



Na mesma época, a Monsanto investiu US$550 milhões para instalar a primeira indústria de matérias-primas para herbicidas da América do Sul.


O complexo industrial recebeu ainda empreendimentos da área de celulose, deslanchando a fase de diversificação.


Hoje, Ford e Braskem representam 70% da receita da empresa. Entre 2007 e 2010, foram atraídos US$ 6 bilhões, segundo a secretaria de Comunicação do Estado.




Quase 40 projetos de indústria química em andamento




De acordo com a Secretaria da Indústria Comércio e Mineração (Sicm), estão em implantação 38 empreendimentos industriais do setor químico com investimentos de R$ 2,3 bilhões e geração de 3.642 novos empregos. O Polo Acrílico envolve investimentos de R$1,4 bilhão.



A unidade da Basf fabricará o SAP (superabsorventes), aproveitado no fabrico de resinas acrílicas para tintas, tecidos e adesivos, químicos para construção, fraldas descartáveis e absorventes íntimos.



Tem inauguração prevista para 2014 e produzirá, ainda, ácido acrílico e acrilato de butila. Este projeto deve gerar US$ 300 milhões em divisas, pois o SAP e o ácido acrílico serão escoados para países da América do Sul.



Aproveitará o propeno, fornecido pela Braskem, e já tem um cliente definido, a Kimberly-Clark, que deve entrar em operação em 2013 (com matéria-prima importada até a entrada em operação da planta mãe do Polo Acrílico) e produzirá papel higiênico, fralda infantil e absorventes.



A segunda planta foi confirmada em dezembro de 2011, fruto de um investimento de R$ 100 milhões. Vão ser gerados 430 empregos diretos. James Correa informa ainda que a Flopam para produzir poliacrilamida em Camaçari com investimentos de R$ 260 milhões e geração de 163 novos empregos.



James Correa comentou que a política industrial baiana visa promover a descentralização industrial, focada na modernização, na ampliação e no fortalecimento das cadeias produtivas existentes, além de contribuir para a atração e consolidação de novos setores estratégicos.



“Em 2008, como fruto desse trabalho, em conjunto com o Cofic, o Governo do Estado beneficiou a indústria petroquímica baiana com a redução escalonada da alíquota do ICMS, passando de 17% para 5,5%, na operação interna com a nafta que seja utilizada na produção de insumos petroquímicos básicos”.



No ano seguinte, foram liberados através de negociações individuais, os créditos fiscais do ICMS acumulados ao longo de 15 anos, envolvendo um total de mais de R$ 1,5 bilhão.



“O esforço da política estadual tem consolidado e ampliado o parque industrial da Bahia, garantindo a manutenção do crescimento econômico de forma ininterrupta, o que propicia o fortalecimento dos setores estratégicos, como químico e petroquímico, petróleo e gás, a consolidação de setores produtores de bens finais como indústrias calçadistas e do setor automotivo”.






Infraestrutura e qualificação são os principais desafios






Para o futuro, Mauro Pereira revela preocupação quanto à infraestrutura, sobretudo portos, ferrovia e rodovia, nesta ordem. “Não tenho o número exato, mas são milhares de dólares que perdemos com a estada dos navios porque os portos não têm condições. De noite pode parecer bonito, mas o atraso para receber mercadorias ou exportar provoca uma perda incalculável para a nossa imagem lá fora”, criticou.



Prefeitura e o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), em parceria com entidades empresariais e instituições de ensino, elaboraram um documento com propostas para o Polo, entegues ao governador Jaques Wagner no último dia 13. "Junto com a iniciativa privada, faremos todo o esforço necessário para trazer mais emprego e renda para a Bahia, dando condições às empresas de se instalarem na região”, destacou o governador, na ocasião.



O documento aponta as necessidades de investimento tanto do setor público quanto privado para o desenvolvimento econômico e social da região nos próximos anos, estabelecendo uma agenda com foco na preparação da infraestrutura e da qualificação de mão de obra on line para atender às novas demandas da indústria.



Novas propostas - Extensão do Parque Tecnológico da Bahia nas instalações do Ceped. Implantação da infraestrutura da área de expansão do polo industrial. Ampliação da infraestrutura portuária, além da duplicação da Via Atlântica e a transformação da Via Cascalheira em uma avenida de integração com a malha urbana.


O documento aponta, ainda, as ações que já vêm sendo realizadas: implantação de uma escola profissionalizante do Sesi/Senai em terreno doado pela prefeitura e de um centro de formação profissional do Senac na orla de Camaçari.


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