Braskem cria megapetroquímica no país

25/01/2010

Está finalmente consolidada aquela que será a maior companhia petroquímica da América Latina, a segunda maior das Américas e a oitava principal do mundo. Após mais de seis meses de negociações, foi confirmada às 12h18 de ontem, com a publicação de fato relevante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a aquisição da Quattor Participações S.A, do Grupo Unipar, pela petroquímica Braskem, subsidiária do Grupo Odebrecht. Com a operação, a Bahia passa a sediar a maior companhia industrial privada do País.


O negócio foi fechado em R$ 870 milhões e tem como contrapartida a aquisição da parcela do grupo Unipar na Quattor: 60% das ações. Dona dos outros 40% das ações da Quattor e de 25,3% das ações da Braskem, a Petrobras foi uma das principais indutoras da fusão. A estatal terá 34% dos ativos, 49,9% do capital votante, além da vice-presidência da nova companhia. O presidente será comandada pelo atual comandante da Braskem, Bernardo Gradin. A operação ainda terá que passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia ligada ao Ministério da Justiça.


Com 26 plantas localizadas em cinco Estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas – a empresa terá capacidade para processar 5,5 milhões de toneladas por ano de resinas. O faturamento anual da nova empresa será da ordem de R$ 25 bilhões.


“Esta fusão traz perspectivas positivas pois dará uma musculatura ainda maior para a empresa potencializar os seus investimentos”, explica o o vice-presidente de Insumos Básicos da Braskem, Manoel Carnaúba. A meta da empresa é conquistar a liderança nas Américas e se tornar uma das cinco principais companhias petroquímicas do mundo até 2020.


Polo de Camaçari Com a maior parte das unidades industriais concentradas na Bahia, a Braskem vai ampliar ainda mais a sua atuação na petroquímica do estado. Com a fusão, a empresa vai incorporar a planta da Quattor que atualmente funciona no Polo Industrial de Camaçari. De perfil exportador, a unidade possui cerca de 110 funcionários e é produtora de polipropileno.


A Braskem, no entanto, ainda não definiu o destino da unidade da Quattor na Bahia.


“Ainda é muito precoce para a gente traçar planos. Mas posso dizer que com esta planta, o portfólio da Braskem fica muito mais completo e poderemos atender ainda melhor os nossos clientes”, informa Manoel Carnaúba.


Para o diretor do Sindicatos dos Químicos e Petroleiros da Bahia, Maurício Jansen, a incorporação poderá incrementar a produção de polipropileno do Estado: “Temos aqui na Bahia uma planta da Quattor muito antiga e que, com certeza, passará por mudanças.


Esperamos que seja para melhor”, afirmou.


Especialização Na avaliação do economista e professor da Universidade Federal da Bahia, Oswaldo Guerra, a incorporação da Quattor vai acelerar o processo de internacionalização da Braskem, que já estuda novos investimentos no Peru e nos Estados Unidos. Com este fortalecimento, a empresa deve voltar os olhos para o mercado global. “A tendência é que os polos regionais, como o de Camaçari, caminhem para uma especialização da produção petroquímica”, diz. Segundo Guerra, Braskem e Petrobras darão as diretrizes desta mudança de perfil.


O secretário de Indústria e Comércio do Estado, James Correia, acredita numa maior sinergia entre a Refinaria Landulpho Alves e a indústria petroquímica do Estado.

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