Bahia bate recorde na criação de novas empresas em 2009

27/01/2010

Crise na economia, pessimismo no mercado mundial e uma perspectiva de Produto Interno Bruto de apenas 1,5% na Bahia. O ano de 2009 tinha tudo para inibir a entrada de novas empresas no mercado.


Contudo, segundo dados da Junta Comercial da Bahia (Juceb), o mercado baiano surpreendeu e bateu recorde na abertura de novas empresas.


Ao todo, foram criadas 39.469 empresas no Estado no ano passado. O avanço foi de 12% em relação a 2008.


Os setores do comércio varejista e de prestação de serviços comandaram o crescimento com, respectivamente, 45,85% e 33,73% das empresas abertas no Estado. Na sequência aparecem setores como a indústria de transformação, construção civil e comércio atacadista. Na avaliação dos representantes dos empresários do comércio, o crescimento na criação de novas empresas foi impulsionado pela abertura de novos mercados com o avanço do consumo popular.


De acordo com o presidente da Federação do Comércio do Estado da Bahia, Edson Duarte Mascarenhas, o avanço da renda das classes C e D foi determinante para a aposta na abertura de novos empreendimentos comerciais.


“O aumento do poder de compra permitiu o avanço dos pequenos e microempresários.


Muitos deles puderam se registrar e deixar a ilegalidade”, avalia Mascarenhas.


Já o presidente da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Morais, lembra que em 2009 o comércio da capital baiana cresceu significativamente com a inauguração do Shopping Paralela e a duplicação do Salvador Shopping.


Os dados da Juceb apontam que na região metropolitana de Salvador foram abertas 33,43% das novas empresas no ano passado. As outras estão pulverizadas no interior do Estado, principalmente em grandes centros como Feira de Santana, Vitória da Conquista e Itabuna.


O secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correa, acredita que a economia baiana tem paulatinamente se diversificado e descentralizado. “É importante ressaltar que este aumento teve uma contribuição muito forte do interior do Estado. E isso reflete no bem desempenho que tivemos na geração de empregos”, explica.


O secretário ainda ressalta a atração de grupos de fora do Estado: “Conseguimos concretizar 51% dos protocolos de intensão assinados”.


Micro e pequenas Apesar dos festejos do governo com a atração de empresas de médio e grande portes, a avaliação de especialistas e empresários é que foram os pequenos e médios empreendimentos que impulsionaram o crescimento da abertura de empresas.


De acordo com o economista e professor da Universidade Federal da Bahia, Osmar Sepúlveda, é preciso avançar nas políticas de fomento às micro e pequenas empresas, para garantir a manutenção destes novos empreendimentos no mercado. “Uma parte significativa das novas empresas fecha por falta de crédito. Elas precisam de capital de giro, mas os juros ainda são elevados”. Em 2009, 8.261 empresas encerraram as atividades na Bahia.


A assessora da Superintendência do Sebrae na Bahia, Isabel Ribeiro defende uma maior qualificação e planejamento por parte dos novos empresários. “Um negócio não é uma aventura. É necessário um plano de negócios que avalie o investimento necessário, o tempo de retorno capital, além de uma dimensão do mercado”.


Os setores do comércio e de prestação de serviços comandaram o crescimento.

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