JOÃO PEDRO PITOMBO
O semiárido baiano dará espaço a um novo conjunto de parques eólicos, que geram energia elétrica a partir da força dos ventos. Dando prosseguimento ao seu plano de expansão em território baiano, a Renova Energia iniciou oficialmente ontem as obras de 15 novos parques eólicos que vão compor o complexo Alto Sertão II, na região da Serra Geral, sudoeste do Estado.
Num investimento de R$ 1,4 bilhão, o complexo terá uma capacidade instalada de 386,1 megawatts - energia suficiente para abastecer uma cidade com cerca de dois milhões de habitantes.
Os parques estão sendo erguidos nos municípios de Caetité, Guanambi, Igaporã e Pindaí, com previsão de geração de 1,3 mil empregos diretos durante a construção.
Ao todo, o complexo Alto Sertão II prevê 230 aerogeradores para geração de energia dos ventos. Os equipamentos foram encomendados junto à multinacional norte-americana General Eletric (GE), num investimento de R$ 820 milhões.
"Estamos com o contrato já fechado para o fornecimento dos equipamentos", afirma o diretor de Meio Ambiente da Renova Energia, Nei Maron.
O complexo eólico é resultado do Leilão de Energia de Reserva, de 2010, e Leilão de Energia Nova, de 2011, onde a Renova arrematou, respectivamente, seis parques com capacidade de 167,7 megawatts, e nove parques que vão gerar 218,4 megawatts.
Com os leilões, a energia que será gerada pelos parques já está comercializada para atender ao mercado regulado.
Os primeiros seis parques serão entregues em setembro do próximo ano e os outros nove em março de 2014. "Vamos atender fielmente os prazos estabelecidos", garante Maron.
O Alto Sertão II vem se somar ao conjunto de parques eólicos Alto Sertão I, inaugurado pela Renova Energia em julho deste ano.
Transmissão
Mesmo prontos há cinco meses, os parques ainda não estão distribuindo a energia gerada pelos ventos por conta de atrasos na construção da linha de transmissão entre Igaporá e Bom Jesus da Lapa, a cargo da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).
Desta forma, o governo federal, por força de contrato, está pagando por uma energia que não está sendo consumida, num prejuízo semestral de cerca de R$ 100 milhões.
Para o diretor da Renova, Nei Maron, os atrasos da Chesf não devem se repetir nas linhas de transmissão que vão atender a Alto Sertão II. "As informações que temos é que a estrutura de transmissão e subestações estarão prontas no período correto. Estamos confiantes no cumprimento do contrato".
Sobre as linhas que vão atender o complexo Alto Sertão I, Maron é mais cauteloso: "Sabemos que a parte da arqueologia e das licenças está superada. Mas não sabemos mais que isso porque o empreendimento não é nosso", disse.
Em novembro, o governo baiano e a Chesf assinaram um termo de cooperação para agilizar a implantação das linhas de transmissão. A parceria tem como objetivo destravar os licenciamentos das linhas já licitadas e fazer o licenciamento prévio de áreas que poderão vir a abrigar linhas de transmissão no futuro.