Bahia tem aumento de 87% nos empregos formais entre 2001 e 2011

17/12/2012

O mercado de trabalho brasileiro apresentou mudanças significativas nos últimos 10 anos. A partir de 2003, passa a se observar fenômenos como o crescimento substancial do emprego, o aumento da formalização no mercado de trabalho e a elevação dos ganhos reais do trabalhador. Na Bahia, este processo se acelera a partir de 2007, quando o Estado passa a gerar, em média, 88 mil empregos formais por ano, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), contra a média de 47 mil por ano, quando se observa o período de 1995 a 2006.


O estoque de empregos mensurado pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, Emprego e Renda, revela que a Bahia passa de 1,2 milhão de trabalhadores formais em 2001 para, aproximadamente, 2,3 milhões em 2011, o que significa 87% de crescimento no período considerado. A expansão do emprego ocorreu com mais intensidade na indústria, construção civil, comércio e serviços; foi maior entre pessoas com níveis de escolaridade mais elevados; e se deu nas grandes empresas de forma mais intensa do que nas pequenas e micros.


De 2001 a 2011, o setor com o maior crescimento em relação ao estoque inicial foi o da Construção Civil, com aumento de 160% no número de vagas, de 60 mil para 156 mil. Já a indústria, ampliou em 117% seu estoque de trabalhadores. O Comércio contou com um crescimento de 111% (mais 223 mil trabalhadores). Os maiores crescimentos absolutos deram-se nos setores de serviços e administração pública, que apresentaram acréscimo de 315 mil e 250 mil empregos, respectivamente. Os dois setores são exatamente aqueles que apresentam as maiores participações relativas, com 31% para os serviços e 28% para a administração pública, verificados pela RAIS 2011.


O rendimento médio do emprego formal no Estado, de 2001 a 2011, passou de R$1.164 para R$1.459, significando um crescimento de 25% na renda real do trabalhador. Para Armando Castro, diretor de Pesquisas da SEI, "o Estado se beneficiou das políticas de expansão da renda da população e das políticas fiscal e monetária expansionistas, adotadas pelos governos Lula e Dilma".


Para o diretor, "as transferências de renda e aumentos do salário mínimo permitiram um modelo de crescimento por aquecimento do mercado interno, visto que a propensão de consumo dos mais pobres é mais elevada do que a dos mais ricos, com efeito multiplicador sentido em um primeiro momento nos setores de serviços e comércio. Essa política, aliada ao modelo econômico de desenvolvimento, gerou resultados satisfatórios no mercado de trabalho baiano"


Segundo a RAIS, a maior parte dos empregos gerados ocorreu para trabalhadores com níveis médio e superior, cuja ampliação foi de 807 mil e 182 mil novos empregos, respectivamente. Em 2001, a participação desses níveis de escolaridade representavam 40% e 10%, tendo, em 2011, passado para 57% e 13%, respectivamente. Considerando os trabalhadores de nível fundamental completo, apesar do acréscimo de 96 mil no período, o grupo perde participação de 20% para 15%. O grupo de analfabetos e ensino fundamental incompleto tem a participação diminuída de 31% para 15%, com diminuição de 30 mil no estoque de trabalhadores. "Isto é um indício de que a expansão do emprego no Estado não se deu somente por absorção de capacidade ociosa, mas por investimentos que requerem mão de obra mais qualificada", argumenta Castro.


O maior crescimento se deu nas empresas que empregam 500 ou mais trabalhadores (477 mil novos postos), passando de 36% para 40% do total de empregos. Tanto as pequenas, micro e médias quanto as grandes empresas, apresentaram um considerável aumento da força de trabalho.

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