IPCE aplica R$ 40 milhões em unidades na Bahia e Goiás

26/12/2012

Por Olivia Alonso


A fabricante de fios e cabos de cobre IPCE, uma das quatro maiores do país, vai inaugurar em 2013 uma fábrica em Feira de Santana (BA) e reabrir sua unidade de Anápolis (GO), que ficou parada nos últimos dois anos. O objetivo, com esses investimentos, segundo o fundador e presidente Adhemar Camardella, é conquistar espaço em mercados que ele diz considerar promissores. "O Nordeste está crescendo, e faz sentido estarmos lá", afirmou.


Os desembolsos totais para unidade da Bahia - prevista para começar a operar a partir de maio - estão previstos em R$ 35 milhões, incluindo recursos para capital de giro. Já a revitalização da fábrica goiana custou à IPCE R$ 5 milhões e o início das operações está marcado para o fim de março.


Hoje, a empresa produz cerca de 8,4 mil toneladas por ano de fios e cabos de cobre (e uma pequena quantidade de alumínio) em sua sede, em São Paulo. Suas principais concorrentes são a Prysmian (ex-Pirelli Cabos), a francesa Nexans e a americana Phelps Dodge. Para competir com as multinacionais, a IPCE desenvolve internamente produtos com diferenciais técnicos e maior valor agregado. Entre os líderes de vendas estão cabos de cobre não halogenados, fabricados com um material especial que, em caso de incêndio, mantêm o circuito elétrico energizado por mais tempo e não emitem fumaça tóxica e negra.


Nas duas novas unidades, os primeiros produtos fabricados serão fios e cabos para construção civil, que exigem mão de obra menos especializada. A IPCE vai contratar 50 funcionários para cada fábrica para começar as operações e aumentar os quadros aos poucos. No início do ano que vem, os novos colaboradores começarão a ser treinados em São Paulo. "Também vamos montar escolas profissionalizantes nas novas fábricas, para formar o pessoal", diz. A dificuldade de conseguir mão de obra já levou a companhia a fechar uma unidade que havia instalado em 2006, em Louveira (SP). "Isso nos fez rever nossa estratégia e pensar em outros mercados."


Em Goiás, a companhia encerrou em 2011 as operações que haviam sido iniciadas em 1996. O motivo, segundo Camardella, foi um problema com benefícios fiscais locais, que deixavam de fazer efeito em outros estados. Após a equalização das taxas, a empresa decidiu retomar a produção.


Com as três unidades em funcionamento a partir do ano que vem, a expectativa é de chegar a 12 mil toneladas anuais de produção nos primeiros anos. As fábricas da Bahia e de Goiás terão, cada uma, capacidade para 7,2 mil toneladas ao ano. Mas vão começar a operar com 1,2 mil toneladas cada. Com isso, a IPCE espera aumentar 20% seu faturamento no ano que vem, para cerca de R$ 210 milhões. "Acreditamos que novos setores em que não estamos tão presentes possam ajudar a conseguir esse desempenho", afirma Camardella. Ele destaca a construção para os setores automotivo, petrolífero e portuário. Obras para novas linhas de produção de metrô em São Paulo também devem garantir novos pedidos à empresa, ele diz.


Neste ano, a empresa calcula alcançar R$ 178 milhões em vendas, 12% acima dos R$ 158 milhões do ano passado. O crescimento só não foi maior, segundo Camardella, porque os bancos aumentaram suas restrições para crédito e descontos de duplicatas para os clientes da empresa.


O setor de fios e cabos condutores elétricos, em geral, teve um ano pior do que o esperado. A projeção inicial era de crescimento de 5% nas vendas, mas este número foi reduzido para perto de 2% no segundo semestre. Segundo Valdemir Romero, diretor executivo do Sindicato dos Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), as expectativas consideravam um aumento de demanda para as obras da Copa do Mundo e para a Olimpíada do Rio. No entanto, os negócios não foram bem como era esperado. Para 2013, a expectativa é que diversas obras comecem a ser tocadas, o que tende a puxar o setor.

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