Queda na tarifa de energia não será afetada pelo uso de térmicas

09/01/2013


O secretário-executivo Márcio Zimmermann (Minas e Energia) defendeu que o uso de usinas térmicas, feito para compensar a falta de água nos reservatórios brasileiros, não irá impactar o desconto médio nas contas de luz prometido pelo governo.


Com a decisão de prorrogar concessões que venceriam entre 2015 e 2017, o governo diz que as tarifas devem cair, em média, 20% para o consumidor a partir de fevereiro.


"Quando você opera as termoelétricas, isso tem um impacto [custo mais elevado para geração]. Mas ele [esse custo] ocorreria com a medida 579 [sobre a renovação das concessões] ou sem ela", afirmou.


"O que a medida traz é uma redução de 20%. Outra conta é essa que ocorre por causa do nosso sistema hidrotérmico", disse o secretário.


Reportagem de hoje da Folha mostra que os reservatórios das 204 usinas hidrelétricas do país estão no mais baixo nível histórico em uma década, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema). Para piorar a situação, o verão deste ano registra, até agora, temperaturas médias dois graus acima do de 2012, o que aumenta o consumo.


A queda do nível dos reservatórios tem ocorrido mesmo com o acionamento de todas as termelétricas do país.


Ligada desde outubro do ano passado, a geração térmica --cara e poluente-- não tem sido suficiente para reduzir a geração hidrelétrica para a recuperação do nível dos reservatórios.


Segundo Zimmermann, o sistema brasileiro prevê a baixa no volume dos reservatórios das hidrelétricas no fim da seca. Por esse motivo, as térmicas precisam ser despachadas. Como essa ordem de gerar energia por meio da queima de carvão ou do uso de óleo, por exemplo, ocorre todo ano, mesmo que em menor escala, Zimmermann defende que esse impacto já era esperado.


"Já era previsto que elas operassem ou você acha que contrataríamos [as térmicas] para ficar decorando?", disse.


Conforme antecipado pela Folha em dezembro, a conta dos consumidores será abalada pelo maior despacho dessas usinas térmicas.


Cálculos de instituições do setor apontam que a redução percebida pelo consumidor deve ser três pontos percentuais menor que o anunciado pelo governo, uma vez que essa energia é mais cara.


Racionamento - Márcio Zimmermann também descartou a possibilidade de racionamento de energia. "Estamos com equilíbrio estrutural na oferta de energia no Brasil. Temos geração e transmissão. Nenhuma hipótese de racionamento no horizonte", afirmou. Ainda segundo o secretário, não falta carvão ou gás no país.


A reportagem de hoje da Folha mostra que existe a possibilidade de escassez de gás natural para atender a todas as térmicas. Algumas usinas já estão gerando abaixo do previsto, segundo dados do ONS obtidos pela Folha. No dia 4, por exemplo, a Usina Térmica Atlântico (RJ) teve que reduzir a produção de energia por falta de gás.


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