Parque Tecnológico da Bahia abre espaço para novos projetos

11/01/2013


O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), inaugurou, em setembro de 2012, o Tecnocentro, primeira etapa do Parque Tecnológico da Bahia, que abriga 17 instituições, entre empresas âncoras, institutos de pesquisa e universidades, além de mais nove empresas na incubadora do Tecnocentro. Essas organizações vão desenvolver projetos de pesquisa em diversas áreas, como reabilitação de pessoas com deficiência, sistemas de informação e comunicação, jogos educativos, tratamento de distúrbios do sono, suporte em telessaúde, entre outras.


Concebido para ser um centro irradiador da inovação, o Parque Tecnológico se destacou no trabalho realizado pela secretaria, no ano passado. O empreendimento reúne, no mesmo ambiente, os principais agentes dinamizadores voltados à geração de ideias e soluções criativas. Somente no Tecnocentro, foram investidos R$ 53,3 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e R$ 7,1 milhões de contrapartida do Governo da Bahia. Durante a inauguração, o governo baiano anunciou o investimento de mais R$ 59 milhões na implantação da segunda etapa, que envolve a construção de infraestrutura laboratorial, escola de iniciação científica e museu, com entrega prevista para dezembro 2014.


O Parque Tecnológico da Bahia está estrategicamente localizado na Avenida Paralela, uma das mais importantes de Salvador, perto de centros de pesquisa e de universidades que já atuam na Bahia. O empreendimento tem área de 581 mil metros quadrados e está dividido em 83 lotes – são 22 públicos e 61 privados. Baseado nos princípios da construção sustentável, o empreendimento foi concebido para ser referência arquitetônica, urbanística e ambiental, a partir de um projeto com tratamento paisagístico cuidadoso, que preserva a cobertura da Mata Atlântica e o seu relevo.


Fortalecimento das redes de pesquisa


As principais instituições de pesquisa com atuação no território baiano já formalizaram a intenção e encaminharam projetos de pesquisa aplicada para desenvolvimento nos laboratórios do parque. Serão 14 plataformas, nas quais estão incluídas 30 linhas de pesquisa, que integram parceiros públicos e privados, compartilhando equipamentos e laboratórios. O objetivo comum é fortalecer, principalmente, a rede de pesquisa das áreas de biotecnologia e saúde.


Os laboratórios especializados serão dedicados à saúde, energias limpas e nanotecnologia. Já os laboratórios compartilhados vão permitir a cooperação científica entre instituições e pesquisadores, oferencendo suporte à pesquisa e ao desenvolvimento (P&D) em áreas como Bioprospecção de produtos naturais da biodiversidade; desenvolvimento e produção de biofármacos; desenvolvimento de kits para diagnósticos; desenvolvimento de vacinas, terapia gênica e terapia celular; e desenvolvimento de soro regionalizado para acidentes por animais peçonhentos, atendendo às diretrizes da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia (PDB) do país.


Edital inscreve projetos para a incubadora



Estudantes e pesquisadores de universidades públicas e privadas têm a chance de apresentar seus projetos de base tecnológica, com foco em inovação, para concorrer a uma cobiçada vaga na incubadora do Tecnocentro, até o dia 21 deste mês. A Secti está selecionando, por meio de edital público, empreendimentos de base tecnológica dispostos a se instalarem na incubadora. A seleção também busca ideias inovadoras de empreendedores (pessoas físicas) e comunidade acadêmica (estudantes e pesquisadores) para serem apoiadas pelos recursos, mecanismos e instrumentos oferecidos pelo Sistema Baiano de Incubação.


Para se inscrever, os interessados devem acessar o site oficial da Secti (www.secti.ba.gov.br) e baixar o edital 004/12. As propostas podem ser encaminhadas até as 18h (horário de Brasília) do dia 21 próximo. A comissão julgadora irá avaliar cada projeto e, após o resultado final, a Secti convocará os classificados para a assinatura do Termo de Permissão de Uso Remunerada, seguindo a ordem crescente de classificação. O resultado da seleção será divulgado no Diário Oficial do Estado e no site oficial da Secti.


Pesquisas apontam novas aplicações para o sisal





Estudos vão permitir melhor aproveitamento da fibra


Fibra natural dura e ambientalmente sustentável, o sisal (foto) tem tudo para virar a nova aposta do setor industrial para os mais variados fins. Pesquisas apoiadas pela Secti, em 2012, descobriram que, mais do que a fibra, largamente utilizada no artesanato baiano, os outros compostos da planta podem ser aproveitados na formulação de xampu anticaspa, e entre outros, creme contra micoses e fungos.


A descoberta foi feita a partir da pesquisa e inovação. Coube à Secti o papel fundamental de incentivar os estudos para obter o máximo aproveitamento do sisal com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de atividades baseadas na exploração sustentável do semiárido baiano. O sisal é largamente produzido na Bahia, que responde por 95% da produção da fibra no Brasil e é o maior produtor do mundo. O sisal ‘agave sisalana’ é cultivado em 68 municípios do semiárido baiano e representa a principal atividade econômica da região.


"Hoje só se aproveitam 4% da fibra. Já sabemos que é possível o aproveitamento dos demais 96%, incluindo o suco e à mucilagem", pontua o secretário Paulo Câmera. Todo o esforço faz parte do projeto Sisal de Base Tecnológica, que tem como parceiros 15 cientistas de instituições da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo.


Instalação de biofábricas e plantio em 67 municípios


O projeto prevê ainda a instalação da biofábrica para produção de mudas por micropropagação do sisal. Já foi realizada a primeira fase do estudo agroecológico, que vai apresentar o levantamento e a determinação das áreas de plantio do sisal em 67 municípios baianos, para posterior implantação de viveiros aclimadores e de distribuição na região.


Entre outras metas dos projetos estão a Implantação de Unidade Piloto Estacionária de Desfibramento Contínuo, com separação da mucilagem, suco e bucha de campo e desenvolvimento de projetos para a produção de compósitos destinados às industrias automobilística, construção civil, eletroeletrônica, moveleiro e fibrocimento.


Integração científica – O parque funcionará como espaço de convergência científica, no qual o poder público, a comunidade acadêmica e o setor empresarial terão oportunidade de trabalhar de forma integrada e cooperativa, com foco no desenvolvimento de produtos e processos. "Nossa estratégia para dinamizar o sistema de inovação é agregar as unidades avançadas das instituições que trabalham com pesquisa e desenvolvimento de excelência", explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Paulo Câmera.

Tags
destaque 2