Governo busca alternativas ao fechamento de polo calçadista

24/01/2013

A elaboração de um plano de reestruturação da economia do Território de Identidade do Médio Sudoeste da Bahia. Esta é a solução que vem sendo estruturada pelo Governo do Estado junto às prefeituras atingidas pela crise do polo calçadista da região. Mais um passo para a preparação do documento foi dado ontem, quando os prefeitos se reuniram na Secretaria do Planejamento (Seplan) com o secretário José Sergio Gabrielli.


Também estavam presentes representantes das secretarias estaduais da Agricultura (Seagri) e da Indústria, Comércio e Mineração (SICM). A economia no Território de Identidade do Médio Sudoeste foi fortemente atingida, no ano passado, quando a Vulcabrás/Azaléia, com matriz na cidade de Itapetinga, a 571 quilômetros de Salvador, fechou 12 plantas industriais de 10 filiais, localizadas nos municípios de Caatiba, Firmino Alves, Itambé, Itapetinga (exceto a matriz), Itororó e Macarani. Com isso, cerca de quatro mil empregados foram demitidos.


Alguns prefeitos destacaram a necessidade de aproveitar a mão de obra já capacitada e a estrutura existente voltadas para o polo calçadista. Técnicos da SICM destacaram que representantes do órgão estão participando, esta semana, de uma feira de calçados e têm entre seus objetivos atrair empresas, ainda que de pequeno porte, para os municípios afetados pelo fechamento da Vulcabrás/Azaléia.


Entre os pontos de consenso, no entanto, está a necessidade de identificar outras vocações do território, com o intuito de fomentá-las. Os 13 municípios que integram o Território Médio Sudoeste são responsáveis por 10% do gado baiano. Daí, a vocação para a produção de leite e carne.


"Os produtores atuando de forma isolada não conseguirão bons resultados, sendo fundamental uma ação conjunta de todos os municípios, seja formando cooperativas leiteiras ou estruturando a cadeia produtiva de carne, com a construção de matadouros, entrepostos e frigoríficos para atender a um pool de municípios", destacou Gabrielli.


Calendário de visitas – O prefeito de Firmino Alves, Aurelino Moreno da Cunha Neto, foi um dos que mais lamentaram a situação do município após o fechamento da Vulcabrás/Azaléia. Segundo ele, foram perdidos 560 postos de trabalho, numa cidade com menos de seis mil habitantes, o que impactou fortemente na economia. "No mesmo período foi fechado o matadouro", acrescentou, pedindo auxílio.


Ao longo desta semana, técnicos do governo estão visitando o Território do Médio Sudoeste, onde se reúnem com sindicatos, Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL), entre outros órgãos. Na reunião desta quarta foi deliberada a elaboração de um calendário de visitas a cada um dos prefeitos das 13 cidades do território, com início na próxima semana.


Além disso, a partir da definição do plano de reestruturação econômica, foi decidida a elaboração dos projetos, com os quais se torna mais fácil viabilizar a captação de recursos e empreendimentos.


SineBahia reforça atendimento aos demitidos da Vulcabrás/Azaléia


Uma equipe formada por 10 técnicos da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) foi deslocada de Salvador para dar suporte à realização, por intermédio da Rede SineBahia, do atendimento ao seguro-desemprego dos trabalhadores demitidos da empresa Vulcabrás/Azaléia, na região de Itapetinga.


Iniciada no dia 6 deste mês, a ação já realizou mais de 646 atendimentos de trabalhadores oriundos da Vulcabrás/Azaléia. As recepções estão sendo feitas nas unidades do SineBahia dos municípios de Itororó, Itambé e Itapetinga, e seguem até o dia 2 de março.


Além do atendimento ao seguro-desemprego, a equipe está aplicando um formulário de identificação de perfil empreendedor e elaborando um diagnóstico profissional dos trabalhadores habilitados ao seguro-desemprego, a partir da análise dos formulários preenchidos no momento da recepção.


Parcelas - O Ministério do Trabalho e Emprego e o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovaram a ampliação, em mais duas parcelas, do seguro-desemprego para trabalhadores demitidos da Vulcabras/Azaléia.


O pleito foi proposto pelo Governo da Bahia, por meio do secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, na reunião do Codefat do dia 13 de dezembro do ano passado.


De acordo com estimativa feita pelo Sindicato dos Trabalhadores do setor calçadista de Itapetinga e região, pelo menos 80% dos trabalhadores demitidos têm direito ao pagamento de cinco parcelas do seguro-desemprego (aqueles com mais de dois anos de empresa). Com o pagamento das duas parcelas adicionais, cerca de R$ 3,5 milhões de reais serão injetados na economia local.

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