Por Marli Lima | De Curitiba
A alemã Linde, uma das líderes mundiais em produção de gases industriais e medicinais, vai investir € 50 milhões na construção de uma fábrica em Curitiba (PR). A unidade será erguida no terreno onde está instalada a Peróxidos do Brasil, uma de suas clientes, e deve ficar pronta no primeiro semestre de 2014. A intenção é atender melhor o mercado do Sul do país.
O investimento da Linde faz parte da estratégia de expandir a atuação no Brasil, um dos mercados prioritários para o grupo, assim como a China. O gerente-geral da subsidiária brasileira, Magnus Karlson, disse que a empresa tem investido cerca de R$ 200 milhões por ano no país nos últimos três exercícios. "Temos ambição de crescer aqui", diz. A companhia atua no mercado nacional desde 1915, conta com cerca de 10 mil clientes e já tem fábricas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. A última foi inaugurada em 2010 em Camaçari (BA).
O executivo não revela a capacidade da fábrica paranaense para não alertar concorrentes como Praxair, Air Liquide e Air Products, mas diz que ela terá um porte médio. Parte da produção será usada pela Peróxidos e outra fatia será destinada a clientes do Estado e também de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde a multinacional possui unidades comerciais. Montadoras e outras empresas do segmento de veículos e também hospitais estão na lista da Linde. Uma das apostas é o crescimento do segmento de internamento domiciliar (home care).
A empresa vai usar cerca de 10 mil m2 do terreno de 300 mil m2 que a Peróxidos possui em bairro industrial da capital paranaense e também vai compartilhar a subestação de energia elétrica. Na fábrica serão produzidos os chamados gases do ar (nitrogênio, oxigênio e argônio). O contrato é de 15 anos e pode ser prorrogado. Segundo Karlson, serão criados 250 empregos durante a construção e, após a inauguração, a unidade contará com 100 trabalhadores, entre diretos e indiretos.
Bruno Jestin, diretor da Peróxidos, diz que a instalação da parceira ao lado de sua linha de produção vai melhorar a capacidade de entrega. "E evita o transporte de matéria-prima perigosa", afirma. A partir de 2014, ela passa a comprar gases apenas da Linde e o recebimento será feito por tubulação. A proposta de erguer uma estrutura no local, segundo ele, é de 2011, mas surgiram outros projetos no caminho e, agora, foram acertados os termos.
Controlada pelo grupo belga Solvay, a Peróxidos do Brasil tem capacidade de produção de 180 mil toneladas anuais de peróxido de hidrogênio (água oxigenada). No ano passado, ela foi multada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusada de formação de cartel. Jestin não comenta o assunto, que "está nas mãos de advogados da empresa". Fabricantes de gases industriais, entre elas a Linde, também foram multadas em 2010 pelo Cade pelo mesmo motivo.
No momento, a unidade da Peróxidos está envolvida no desenvolvimento de minifábricas para serem instaladas ao lado de clientes ou em regiões de maior consumo. Duas unidades-piloto estão em funcionamento em Curitiba desde o ano passado e agora vai ser construída a primeira com escala industrial. O peróxido de hidrogênio é usado no branqueamento de fibras celulósicas e o segmento consome 45% da produção feita na capital paranaense.