Porto Sul oferece oportunidades para industrialização

01/03/2010


CAMILA OLIVEIRA


O Complexo Porto Sul, localizado ao norte do município de Ilhéus, 465 km de Salvador, tem como finalidade oferecer uma alternativa eficiente e competitiva para o escoamento da produção agrícola e mineral do estado da Bahia e região central do Brasil.


Além disso, quando totalmente implantado, este complexo logístico, portuário e industrial irá se constituir no maior vetor de desconcentração econômica do estado, levando desenvolvimento para uma extensa região, que abarca o litoral sul e o semiárido baiano, bem como as regiões de cerrado.


De acordo com a Secretaria de Infraestrutura do Estado, Seinfra, o Complexo Porto Sul será constituído por um porto público, uma zona de apoio logístico (ZAL), uma de processamento de exportação (ZPE), além de uma área industrial.


As obras ainda não têm data precisa para começar, mas algumas ações já foram desenvolvidas e outras estão em andamento. “Dentre essas ações, destacam-se o Decreto de Desapropriação, Decreto 11.003 de 09 de abril de 2008, o Plano Diretor de Desenvolvimento, concluído em janeiro deste ano, e o EIA-RIMA já está em licitação. O Projeto Básico de Engenharia encontra-se em elaboração”, explica Ana Gabriela, assessora de Comunicação da Seinfra.


Para a turismóloga Verônica Reis, a construção do Porto Sul, aliada à construção do novo Aeroporto Internacional de Ilhéus, facilitará não só o turismo, como também a troca de mercadorias. “A atividade turística é uma das principais fontes de renda dos municípios que integram a Costa do Cacau, aqui no sul da Bahia. A facilidade de acesso a esse local, bem como a movimentação de empresas do exterior é um vetor de crescimento para o turismo, já que aumenta a capacidade de receptivo tanto aéreo, quanto marítimo”, explica a tur ismóloga.


“O processo de industrialização deve ser descentralizado dos grandes centros por meio da instalação de pequenas e médias indústrias nas cidades do interior do estado. Isso é uma forte estratégia para geração de emprego e renda para esses municípios”, afirma o economista Jhonatas Ramos.


AEROPORTO Há mais de 20 anos, estudos apontam os principais problemas do atual Aeroporto de Ilhéus e mostram a necessidade de implantação de um novo empreendimento para atender a demanda regional. Além de operar apenas por visibilidade, a atual pista só comporta operações comerciais de aeronaves 737, não suportando Boeings de maior porte. De acordo com Alfredo Landim, secretário do Desenvolvimento Econômico de Ilhéus, em 2009 foi registrado um decréscimo, em relação aos dois anos anteriores, no número total de passageiros embarcados no aeroporto de Ilhéus.


No ano passado, foram 374 mil passageiros, 25 mil a menos que em 2008. Um dos motivos que justificam essa diminuição é a pouca quantidade de voos diários, boas conexões e também pela restrição de Boeings que o aeroporto comporta.


A necessidade de um novo aeroporto vem sendo discutida também pela comunidade local. “A gente tem dificuldade para comprar passagens mais em conta e até mesmo de horários, pois não temos voos noturnos. Para fazer viagem internacional temos que ir à capital do estado ou para outra cidade que tenha um aeroporto internacional”, diz Paulo Machado, empresário e morador de Ilhéus.


“Foi firmado um convênio entre o governo do estado e a Infraero para a construção do Aeroporto Internacional de Ilhéus. A região se tornou área de interesse público, pois abrange toda a Costa do Cacau.


A Infraero se comprometeu com toda a parte que envolve infraestrutura, projetos ambientais e plano diretor”, explica João Bezerra, superintendente da Infraero em Ilhéus.


De acordo com dados da Seinfra, o novo aeroporto será construído no distrito de Serra Grande, Km-14 da BA-001, que liga Ilhéus a Itacaré. “O orçamento total da obra é de R$ 270 milhões e nós já temos a cotação de R$ 64 milhões para esse ano. O próximo passo é cuidar da desapropriação de toda área onde será construído o aeroporto”, diz João Felipe Souza Leão, titular da Seinfra.


Na próxima terça-feira, dia 09, acontece uma reunião entre a Secretaria de Infraestrutura e Infraero para discutir a desapropriação das propriedades que integram a área. Segundo o secretário, serão destinados R$ 10 milhões para o processo de desapropriação. O início da obra ainda não está definido, mas a previsão é de que as licitações ocorram entre os meses de setembro e outubro deste ano.


O prazo de execução da obra é de dois anos, conforme estimativa da Seinfra.


Segundo Landim, são várias as vantagens da construção do aeroporto. “Teremos uma oferta maior de voos, redução de preços da passagem, aumento no fluxo de turismo, melhor qualidade dos serviços aeroportuários, prestação de um serviço completo de carga alfandegária, além de linhas internacionais, o que vai fazer da região um polo turístico”, afirma Landim. Além de favorecer o desenvolvimento econômico, estima-se que a construção do aeroporto criará cerca de três mil empregos diretos, utilizando mão de obra local.


“Esse será o terceiro aeroporto internacional da Bahia e é essencial para o desenvolvimento do turismo e das cidades de todo o baixo sul e sul do estado”, conclui o secretário de infraestrutura.



“O orçamento total da obra é de R$ 270 milhões e nós já temos a cotação de R$ 64 milhões para este ano. O próximo passo é cuidar da desapropr iação de toda área onde será construído o aeropor to” João Felipe | Titular da Seinfra

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