BAHIA ECONÔMICA - O Porto está fazendo 100 anos no momento de grandes mudanças no setor. Quais as perspectivas da Codeba para os próximos anos?
JOSÉ REBOUÇAS - As expectativas são muito positivas. Estamos aguardando a definição do processo, mas acreditamos que a MP vai de fato possibilitar um avanço na questão portuária do país. A MP vem num momento crucial e as expectativas são as melhores.
BE - A Codeba está inaugurando o novo Terminal de Passageiros. Qual a previsão da inauguração da obra?
JR - A obra vai estar concluída em agosto. Salvador vai ganhar um terminal moderno e que atende a todos os parâmetros do turismo marítimo internacional, além de poder também servir à cidade, com atividades culturais e de entretenimento. É um investimento de mais de R$ 30 milhões, com recursos do Governo Federal, incluídos nos projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo.
BE - Qual a sua opinião sobre a MP dos Portos e qual o impacto dela para a Bahia?
JR - O objetivo da MP é reduzir o que chamamos “Custo Brasil” - que tanto prejudica a capacidade competitiva dos nossos produtos no mercado internacional - criando entre outros benefícios, o aumento da nossa capacidade de movimentação de cargas. Para isso, é indispensável o investimento privado e a MP se propõe a exatamente criar os estímulos e condições para que esse investimento aconteça. A discussão no Congresso Nacional possibilita aperfeiçoar ainda mais o texto da futura lei. O resultado vai ser positivo para todo o sistema portuário brasileiro, incluindo a Bahia.
BE - Essa MP prevê a centralização do Governo Federal das ações Portuárias. Isso não enfraquece a Codeba, que perderia autonomia com a centralização das licitações?
JR - A Codeba é uma concessionária federal, portanto, todos os nossos processos licitatórios já seguem as orientações do Governo Federal. O que nos interessa é a eficiência e as soluções para o setor portuário.
BE - Os empresários dizem que o Porto de Aratu está se tornando obsoleto e que seriam necessários investimentos da ordem de R$ 1,7 bilhão. Como a Codeba se posiciona em relação à necessidade desses investimentos?
JR - De fato, há uma demanda a ser atendida no Porto de Aratu, que no espírito da MP dos Portos se coloca como oportunidades para a iniciativa privada. Nós estamos aqui para apoiar bons projetos que atendam a essa demanda, já que a MP dá condições para que o empresariado faça esses investimentos. É importante ressaltar que o Poder Público tem feito sim, a sua parte: investimos R$ 110 milhões em dragagem em Aratu e Salvador. Outros R$ 30 milhões foram investidos na manutenção operacional de Aratu e mais R$ 150 milhões estão sendo investidos na ampliação do berço de líquidos, mas a exemplo do que ocorre com todo o sistema portuário do país e por isso a MP foi instituída, o investimento privado é essencial, além obviamente de se apresentar como um negócio rentável para o investidor.
BE - A MP permite a abertura de mais terminais privados. O senhor acha que isso pode beneficiar os portos de Ilhéus e Aratu e abrir perspectivas de novos terminais privados na Bahia?
JR - Eu diria que a Bahia saiu na frente e que de certa forma já temos o modelo que se busca com a MP. Nosso complexo na Bahia de Todos os Santos opera com seis terminais privados, além dos portos de Aratu e Salvador, movimentando mais de 30 milhões de toneladas de carga. Essa soma de esforços entre o público e privado se complementando é o modelo que a MP busca. O que se deve levar em conta é a eficiência e a competitividade em escala internacional. Outro exemplo dessa soma de esforços na Bahia são as conversações que estamos mantendo com a Bahia Mineração (Bamin) para que o Porto de Ilhéus seja base operacional na construção do Porto Sul. Então, vê-se que por aqui estamos buscando essa integração.
BE - Como o senhor avalia até o momento a atuação do Governo Federal no que diz respeito à infraestrutura e logística no país?
JR - É claro que num país de dimensões continentais e tantos contrastes como é o Brasil, logística e infraestrutura não são um nó simples de se desatar. Mas vejo o governo trabalhando numa boa direção. Tem problemas graves a se resolver? É evidente que sim. O Nordeste precisa de uma maior capacidade logística, como o corredor de exportação oeste-leste, uma reivindicação antiga da Bahia que vai nos permitir atender a demanda de cargas do centro-oeste através dos nossos portos. É uma necessidade que se reflete não apenas na economia regional, mas vai impactar a economia nacional. Como disse antes, estamos no momento crucial, mas eu estou otimista.