Governo quer 'vender' US$ 1,1 bilhão na Copa das Confederações

12/06/2013

Por Fernando Exman e Rodrigo Pedroso | De Brasília e São Paulo


Empresários de 71 países de todas as regiões do mundo desembarcarão no Brasil nos próximos dias com dois objetivos: assistir aos jogos da Copa das Confederações e realizar negócios. O uso do torneio de futebol como chamariz faz parte da estratégia da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para atrair cerca de 650 empresas durante o torneio. Batizada de Projeto Copa, a ação conta com a parceria de 60 associações setoriais e outros parceiros. A expectativa da Apex é que a iniciativa impulsione pelo menos US$ 1,1 bilhão em vendas.


Dois terços das empresas confirmadas são das Américas (do Sul, Central e Norte) e as áreas de interesse vão desde máquinas e equipamentos, têxtil e calçados, até pedras preciosas, games e biscoitos. "Ainda que seja conservador, esse número [US$ 1,1 bilhão] é extremamente satisfatório", avaliou o coordenador do Projeto Copa na Apex, Ricardo Santana.



O projeto, resultado de reflexões entre a Apex e o setor produtivo sobre como o país poderia aproveitar a realização de grandes eventos esportivos para a promoção comercial, é fruto também da experiência da entidade na realização de ações semelhantes no Carnaval e na Fórmula Indy. E se repetirá durante os jogos da Copa do Mundo de 2014. A Apex não divulga o investimento total da iniciativa com o argumento de está impedida de comentar o valor em função do contrato fechado com a Fifa.


Na temporada 2012 da Fórmula Indy, o projeto contou com 345 empresas estrangeiras, 163 empresas brasileiras e 26 entidades e gerou uma estimativa de negócios de US$ 1,1 bilhão para os próximos 12 meses, após receber um investimento de US$ 4,5 milhões. A edição do Projeto Carnaval teve a participação de 250 compradores estrangeiros de 25 países o envolvimento de 34 entidades brasileiras. Com investimentos de R$ 5,2 milhões, o Projeto Carnaval gerou uma expectativa de negócios para os 12 meses seguintes de US$ 941,6 milhões.


A ideia do Projeto Copa surgiu em 2010. No fim de 2012, a Apex assinou um contrato com a Fifa para se tornar um dos patrocinadores da Copa das Confederações e ter espaços de relacionamento e camarotes nos estádios da competição. Informações do mercado estimam em US$ 10 milhões o investimento das empresas e instituições que são patrocinadores nacionais do evento.


Na Copa das Confederações, entre 15 e 30 de junho, a Apex manterá estruturas nos estádios de Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza. Além da presença dos empresários nos jogos, já estão previstas 92 ações paralelas organizadas pelas empresas e associações que aderiram ao Projeto Copa. São visitas a feiras, fábricas, eventos de degustação de produtos e rodadas de negócios.


Enquanto o setor privado pagará as passagens aéreas e diárias durante os eventos paralelos, a Apex arcará com a hospedagem dos convidados no dia anterior e na data dos jogos do torneio de futebol. A entidade pretende incluir esses gastos no orçamento de R$ 5 milhões já reservado na licitação que contratou uma empresa de marketing para ações relacionadas ao desenvolvimento da marca.


Uma das empresas que patrocinam a iniciativa é a Vicunha Têxtil. A companhia receberá representantes de 12 parceiros da Argentina, Estados Unidos, Colômbia e Equador, por exemplo. São clientes que respondem por 10% da carteira internacional da Vicunha, a qual busca ampliar os negócios com esses interlocutores. Eles serão levados a São Paulo, ao Rio de Janeiro e às fábricas da Vicunha no Ceará. Cada executivo da empresa acompanhará um cliente.


"O futebol é uma das coisas do Brasil mais conhecidas mundialmente. Isso chama a atenção das pessoas", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Vicunha, José Maurício D'Isep. "A ideia é fazer com que o Brasil seja mais conhecido e tirar uma imagem negativa de quem não conhece o Brasil", diz ele. Segundo D'Isep, a empresa trouxe empresários de fora no Carnaval e a ação rendeu frutos, mas ele não informa valores dos negócios fechados.


A Câmara de Comércio Árabe Brasileira também é parceira da iniciativa e está trazendo 11 potenciais compradores e um representante da Câmara de Comércio de Omã, todos da área de alimentos e materiais de construção, setores onde as empresas brasileiras possuem mais mercado no mundo árabe. Essas áreas representaram a maioria dos US$ 14,8 bilhões exportados pelo Brasil ao países da Liga Árabe no ano passado. Neste ano, até abril, o montante chegou a US$ 4,5 bilhões.


No meio da semana após o início do torneio, os árabes passarão por dois dias de rodadas de negócios com os empresários brasileiros que eles conhecerão na área VIP do jogo. A câmara afirma que cerca de 45 empresários nacionais vão participar da ação.


Michel Alaby, diretor-geral da entidade, conta que para chegar aos nomes dos convidados - nacionais e estrangeiros - a câmara usou indicações de associados, a possibilidade de criação de novos negócios e o potencial de compra dos importadores. Antes da rodada de negócios, será ministrado um curso aos estrangeiros sobre a cultura empresarial dos brasileiros, segundo Alaby. "É importante saber as diferenças, para que elas não atrapalhem na hora de fazer negócios", afirma, sem informar o valor do investimento realizado pela câmara.


Para atender a 15 importadores de Iraque, México, Portugal, China, Peru, Equador e Argentina, a Abimo, associação de indústrias do setor médico, hospitalar e odontológico, contratou três pessoas para realizar a logística da ação. "Acreditamos em retorno alto, pois o investimento também é significativo", afirmou Paula Portugal, gerente de exportação da associação.


O cronograma da Abimo inclui as primeiras chegadas no dia anterior ao jogo de estreia da Copa das Confederações e ida a mais dois jogos. Entre as partidas, os importadores estrangeiros visitarão fábricas de dez empresários nacionais, que os acompanharão nas partidas como "ferramenta de relacionamento", segundo Paula. A ação vai custar cerca de R$ 150 mil à Abimo, que espera aproximadamente US$ 500 mil em negócios.


A associação tenta deixar para trás a estagnação das exportações verificadas no setor nos últimos três anos. Em 2012, as vendas somaram US$ 775 milhões, valor ligeiramente menor que o ano anterior, enquanto as importações cresceram 5% e chegaram a US$ 4,5 bilhões.

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