13/11/2013
O governo da Bahia lança hoje (13.11), no Gran Hotel Stella Maris, às 14h, versão atualizada de seu Atlas Eólico do Estado da Bahia, elaborado com a utilização das tecnologias mais modernas existentes, com a indicação das melhores áreas de potencial eólico no território baiano e as principais características do vento. Entre os objetivos da publicação está o de atrair novos investimentos, que hoje estão na casa de R$ 12 bilhões, representados por 87 projetos de usinas eólicas em todo o território – principalmente no semi-árido – e 2,2 GW de capacidade instalada.
Em 2013, a Bahia se destacou mais uma vez na venda de projetos de energia eólica no quinto leilão de energia de reserva, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), do Governo Federal. Dos 66 projetos contratados, o Estado vendeu 28, contabilizando mais R$ 2 bilhões em investimentos.
A atualização do Atlas Eólico da Bahia contemplou o avanço tecnológico e o crescimento dos parâmetros de engenharia, com torres eólicas de até 150 metros de altura. No mapa anterior, feito há dez anos, as torres possuíam só 80 metros. No novo estudo foram identificadas sete áreas com grande potencial eólico: Serra do Sobradinho, Serra Azul, Morro do Chapéu, Serra da Jacobina, Serra do Estreito, Caetité e Novo Horizonte, este último o ponto mais alto da Bahia.
Não obstante o forte crescimento, a capacidade instalada brasileira representa ainda apenas 0,6% da mundial. O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirma que quer contratar, pelo menos, 2 mil MW por ano até 2020, acrescentando, desde 2012, mais 20 mil MW de energia eólica ao sistema. Em termos numéricos, significa um potencial de investimentos em torno de R$ 115 bilhões.
O secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, considera as jazidas de vento do semi-árido baiano como o “Pré-sal do Sertão”. “Ao contrário das reservas marítimas de petróleo, localizadas a mais de 5 mil metros de profundidade, o potencial energético o interior baiano região está no vento que sopra forte e constante, entre 10 e 12 metros por segundo”, diz Correia.
CADEIA PRODUTIVA E CAPACITAÇÃO
Além dos 87 projetos de usinas eólicas, a Bahia já conta com um importante parque fabril de peças e componentes para o setor, entre elas as fábricas das espanholas Gamesa, Acciona e Torrebras, da francesa Alstom, e da brasileira Tecsis. Esta última é a líder mundial na fabricação de pás e geradores, com investimentos previstos de R$ 200 milhões e a geração de 3,5 mil empregos diretos em sua planta industrial que está sendo construída em Camaçari. Outras quatro fábricas estão em negociação e, em breve, serão anunciadas.
“Para fomentar essa cadeia industrial, o programa estadual de incentivo, o Desenvolve, em combinação com um incentivo federal, o Confaz 101/97, foi usado para garantir isenção total do ICMS em equipamentos eólicos adquiridos de fabricantes instalados na Bahia e vantagens para quem compra outros insumos localmente”, explica Rafael Valverde, superintendente da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração.
A Bahia participa também de um programa de formação de mão-de-obra em energia eólica, cuja meta é formar 500 profissionais até 2014. Com investimentos de R$ 3,6 milhões, a capacitação será feita pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o SENAI, em parceria com a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento.