03/01/2014
Gustavo Rozario
A microempreendedora individual (MEI) Edna Castro, 58 anos, não se arrepende de ter transformado seu lazer em trabalho. A artesã não titubeou ao deixar a sala de aula para se enveredar naquilo que fazia seus olhos brilharem. Apaixonada por praia, arrumou as malas e decidiu morar em Porto Seguro. Com uma ideia na cabeça, a proprietária da Maria Preta Confecção Moda Praia – Produtos Artesanais identificou um nicho ainda pouco explorado na região e começou a fazer chapéus, apostando num bordado rico em cores e detalhes.
“Sempre gostei do movimento da cor e o Verão na Bahia é um período de pura inspiração”, conta a artesã. Com um balaio na cabeça e muita disposição, ela pegava a balsa e seguia em direção à Arraial d'Ajuda.“Saía a partir das 9h de casa e chegava a caminhar cerca de 10 quilômetros na areia. A recompensa sempre foi o retorno dos meus clientes. Ganhei muito dinheiro, mas vi a necessidade de formalizar meu negócio, já que dependia de outras pessoas para escoar meus produtos”, revela.
Edna Castro passou nove anos na informalidade e perdeu a conta dos calotes que tomou. A artesã conta que a aquisição de material para a produção de seu trabalho era muito difícil, já que gastava dinheiro com transporte e, às vezes, tinha que ir até São Paulo para comprar a mercadoria a preços menores. Cansada e desestimulada, ela decidiu voltar para Salvador e procurar o Sebrae.
Hoje, com um CNPJ, Edna não tem que passar mais por isso. “Os fornecedores entregam na porta da minha casa e ainda posso negociar melhores preços. Creio que não conseguiria conquistar clientes no exterior se não estivesse legalizada”. A empreendedora lembra que essa foi uma das primeiras orientações que recebeu ao procurar o Sebrae em Salvador. “Posso ser MEI, mas não cheguei aqui sozinha”.
Para chegar ao mercado internacional, ela buscou orientações junto ao Sebrae e hoje já contabiliza participações em eventos de grande porte, como dois Encontros Internacional de Negócios do Nordeste (Einne), convite para comercializar seus chapéus, sacolas de praia, bonecas de pano e bijuterias no Sarau Du Brown, em Rodadas de Negócios, Brasil Original e Feira do Empreendedor.
“Aproveitei cada oportunidade dada e fiz cursos voltados para adquirir noções sobre formação de preço, autoestima, organização para o mercado internacional, técnicas de venda, qualidade do produto, como lidar com os clientes e gestão empresarial. Todo esse conhecimento foi importante para gerir meu negócio com responsabilidade”.
Ao longo do ano, a empreendedora comercializa os produtos do estoque. Já no Verão, ela contrata colaboradores temporários na área de produção e comercializa em consignação para vendedores espalhados estrategicamente nas praias mais movimentadas. “Nessa época do ano, conto com o apoio de seis pessoas. Tenho um incremento de 70% nas vendas”.
As Rodadas de Negócio promovidas pelo Sebrae foram ferramentas fundamentais para a artesã conquistar novos clientes. “A iniciativa foi extremamente importante para criar mais um canal de comercialização. Até hoje preservo meus clientes das rodadas e pretendo ampliar ainda mais minha atuação no mercado nacional e internacional”.
A artesã conta que durante o verão, está atenta ao que será tendência. “Vou lançar uma coleção que vai simbolizar a Bahia nas suas cores e clima. O meu produto já conquistou lojas bem conceituadas no país e tem tudo pra ganhar o mundo”, comemora.
Agora, a expectativa de Edna é ampliar ainda mais seu negócio. “Quando comecei a produzir artesanato, não tinha a ideia de como eu poderia me desenvolver. Consegui ampliar a minha visão, atuar como uma gestora e agora espero continuar crescendo cada vez mais”.