CBPM: pesquisar mais e mais é o lema do atual presidente
SÉRGIO TONIELLO
O negócio da mineração na Bahia tem um reluzente cartão de visita: a CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, responsável pelo acentuado e sustentado crescimento do setor, especialmente nos últimos quatro anos. Graças à intensa atividade da CBPM, prestes a completar 37 anos de atividade (foi fundada em setembro de 1972), a Bahia já é o quinto maior produtor mineral do Brasil e o Estado com maior potencial em termos de novas minas no País.
Dirigida pelo advogado e administrador de empresas Hari Alexandre Brust, gaúcho de Santa Rosa, há 45 anos radicado na Bahia, a empresa pretende seguir trilhando o ciclo virtuoso de crescimento.
Para isso, é imperioso pesquisar mais e mais o rico subsolo baiano, descobrir novos minérios e novas jazidas e transformar tudo em negócios lucrativos para o Estado.
“Criamos até um slogan para motivar as equipes de trabalho da CBPM, ’Pesquisar é a nossa bandeira’ para deixar bem claro que nossa intenção é mapear todo o subsolo do Estado para conhecer nossas riquezas naturais que estão atraindo o interesse e investimentos de empresários de várias partes do mundo”, afirma Brust.
Não há tempo a perder, segundo o presidente da CBPM. Por isso, a determinação é para que sejam intensificados os levantamentos aerogeofísicos. “Nosso objetivo é fechar 2010 com praticamente todo o subsolo mapeado. Para tanto, deveremos realizar pelo menos dois chamados super voos. Como são ações que têm custo alto, firmamos parceria com a CPRM Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. O próximo objetivo é descobrir o que há debaixo da terra na região de Barra da Estiva e Tremedal e na extensa região que abrange os municípios de Cândido Sales até Mascote, áreas ainda não avaliadas mas que nossos geólogos sinalizam possuir jazidas minerais”.
Outra meta do presidente Brust: tornar a CBPM uma empresa rentável, desafio proposto pelo governador Jaques Wagner ainda no início de seu governo. Maior companhia pública do País, não só em pesquisa mineral, como também em orçamento e em investimentos, a CBPM ainda depende do caixa do governo para fazer frente ao custo operacional, investimentos e pagamento da folha de pessoal.
O crescimento do negócio da mineração na Bahia com o consequente aumento da atividade da CBPM sinalizava que a autossustentabilidade seria garantida já no começo deste ano. Mas a grave crise que atingiu a economia mundial, em 2009, jogou por terra os planos de Brust e equipe.
A previsão, agora, é de que a companhia se tornará autossustentável no final de 2011, início de 2012.
“Nossa estimativa é que os valores que receberíamos em royalties apenas com a exploração do níquel e da bentonita garantiriam o superávit de caixa já em 2010.
Mas a crise mundial nos afetou drasticamente. O preço por tonelada de níquel, antes da crise, estava em 54 dólares. No auge da crise caiu para 8 dólares a tonelada e está, atualmente, em torno de 23 dólares. Nós recebemos 2,52% do valor total arrecadado pela empresa que explora a jazida. Deixamos de ganhar com a fortíssima retração do mercado mundial, a queda vertiginosa dos preços e com o atraso no início das operações.
Felizmente as economias da maioria dos países afetados está voltando ao normal, os negócios são retomados e voltaremos a arrecadar o que prevíamos já para o ano passado. Posso afirmar, sem receio, que a CBPM será autossustentável com os royalties que receberá com a exploração apenas do níquel e da bentonita. E vamos crescer muito mais quando outros minérios forem explorados, como o vanádio, em Maracás, previsto para 2011”.
Com a crise mundial afetando todos os negócios e adiando projetos, tornou-se necessário aplicar um verdadeiro choque na empresa, recorrendo à velha e boa receita de reduzir custos.
O executivo comemora os resultados obtidos. “Agora é hora de aumentar as receitas e criar as condições de sustentabilidade para que a CBPM seja, enfim, uma empresa rentável”. O contrato recém firmado com a empresa INB Indústrias Nucleares do Brasil, é uma das formas de fazer receita.
Inclusão social, prioridade na CBPM
Mais do que impulsionar a economia e gerar receitas para a Bahia, o negócio da mineração promove o desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para as comunidades envolvidas, especialmente na região do semiárido. E a CBPM tem muito a ver com isso, seguindo a determinação política do governador Jaques Wagner, que preconiza um desenvolvimento que integre interesses econômicos e sociais. Para tanto, passou a executar o Programa de Inclusão Social da Mineração (Prisma), um dos principais projetos já implementados pelo governo para equacionar anseios e necessidades das populações das regiões onde há atividade de mineração.
O Prisma é um programa de inclusão social e de geração de renda, a partir do aproveitamento de bens minerais e rochas, provenientes de rejeitos das atividades mineiras, na produção de artefatos para decoração, urbanismo e construção civil. Trabalhadores que se dedicam ao artesanato mineral, produtores de paralelepípedos e comunidades que vivem da exploração mineral de pequeno porte foram capacitados e receberam toda orientação e auxílio para desenvolver suas atividades. Com isso, além de garantir renda para suas famílias, os trabalhadores fortalecem a economia, melhorando a qualidade dos produtos de uma atividade econômica de grande potencial na Bahia.
Criado em 2003, gerenciado pela Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), e executado pela CBPM em parceria com prefeituras municipais, cooperativas e associações de produtores e artesãos, o Prisma já beneficia seis mil artesãos, abrangendo aproximadamente 250 municípios.
Já foram celebrados mais de 200 convênios com prefeituras e associações de classe, proporcionando atividade para milhares de pessoas até então carentes de opções de trabalho.
Acelerar os contatos com as prefeituras e aumentar o número de convênios são tarefas que estão na lista de prioridades do presidente da CBPM, Hari Alexandre Brust: “entre setembro e dezembro de 2009, fechamos cinco novos convênios e, para este ano, quero números vigorosos com a implantação de novos núcleos e a inclusão de mais prefeituras no programa. Temos obrigação, assim como as empresas que exploram minério, de melhorar as condições socioeconômicas de gente que precisa e, mais do que isso, deseja trabalhar e ter uma vida melhor”.