Bahia Mineração investe R$ 1,8 bi na Bahia

30/03/2010













BAMIN irá produzir 18 milhões de toneladas de minério de ferro por ano

MARIA PAULA FONSECA


Investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão em território baiano, previsão para produzir anualmente 18 milhões de toneladas de minério de ferro e geração de 1,8 mil empregos diretos, além dos indiretos. Esses e outros números expressivos fazem parte da realidade da Bahia Mineração (BAMIN), empresa de mineração localizada em Salvador, mas que tem o seu principal foco de atuação no interior da Bahia, mais especificamente no sudoeste baiano, na cidade de Caetité, onde desenvolve o Projeto Pedra de Ferro.


Esses objetivos e números têm a mesma proporção da preocupação da BAMIN com a capacitação de pessoal, com o desenvolvimento de ações de responsabilidade social e também ambiental, já que, antes mesmo de iniciar propriamente os trabalhos de extração do minério de ferro, iniciou projetos dessa natureza em algumas regiões baianas.


A história da Bahia Mineração começou em 2005, quando um grupo de geólogos baianos descobriu, na região de Caetité, área que apresentava uma grande jazida de minério de ferro e formaram a BAMIN. “Já se imaginava que o potencial para extrair minério de ferro, por isso, foi solicitada a autorização da União, através do Departamento Nacional de Produção Mineral, para realização de pesquisas no local. Foi quando, em 2005, a jazida foi encontrada”, diz o vice-presidente da empresa, Clóvis Torres.


No ano de 2007, a BAMIN e o governo da Bahia assinaram um protocolo de intenções, na cidade de Caetité, que afirmava a intenção da empresa em desenvolver o projeto Pedra de Ferro e o apoio do Executivo do Estado.


Tendo como foco ser um fornecedor competitivo de minério de ferro e obter resultados significativos, mas sem perder de vista um trabalho ambientalmente responsável que melhore a condição de vida dos funcionários e das comunidades nas quais a empresa está inserida, a BAMIN desenvolveu o Pedra de Ferro. O projeto, que tem um investimento previsto de US$ 1,8 bilhão e será desenvolvido totalmente em território baiano, compreende um sistema de suprimento de água industrial, uma mina, uma usina de beneficiamento de minério de ferro e um terminal marítimo privativo para a exportação do produto. A mina e a usina de concentração serão instaladas a uma distância de aproximadamente 30 km da cidade de Caetité.


TECNOLOGIA “No Pedra de Ferro, estamos utilizando as mais modernas tecnologias existentes no mercado, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e promover uma excelente operação do projeto, garantindo assim retorno aos seus acionistas e consequentemente promovendo o desenvolvimento sócioeconômico das regiões onde a empresa terá atuação”, afirma Clóvis Torres.


No momento, a empresa está em fase de licenciamento ambiental, prevista para terminar no mês de julho de 2010. Após esse período, começam as obras previstas no projeto, como a da construção do terminal em Ilhéus, que devem durar cerca de 30 meses. Serão oito mil empregos diretos gerados na etapa de construção de todo o projeto. Depois, quando o projeto entrar em operação, a Bahia Mineração deverá atuar com 1,8 mil funcionários efetivos. Grande parte desses colaboradores deve ser selecionada dentro da própria comunidade.


O projeto deve ter início no segundo semestre de 2012, com a extração, e prevê a exportação do minério de ferro para o mercado internacional. A previsão é de que a produção anual seja de 18 milhões de toneladas e, com esse montante, de acordo com dados da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o Estado se torne o terceiro maior produtor de minério de ferro do Brasil. “Atualmente a Bahia não possui produção de minério de ferro e o início da exploração do projeto Pedra de Ferro vai criar um ciclo do produto no Estado”, detalha Torres.


Responsabilidade social e ambiental



Antes mesmo de iniciar suas operações e ainda em fase de licenciamento, a Bahia Mineração já desenvolve projetos sociais e ambientais, como o Pedrinha de Ferro, que tem como objetivo estimular a consciência ambiental em crianças residentes no entorno do projeto Pedra de Ferro.


A ação é desenvolvida em parceria com a Fundação Anísio Teixeira e, em 2009, cerca de 400 alunos participaram. A primeira fase do Pedrinha de Ferro envolveu a capacitação de 17 instrutores da Fundação que, na segunda fase do projeto, repassaram os conhecimentos adquiridos no curso, com carga horária de 20 horas, para os professores e coordenadores da rede pública de ensino.


Já os professores, de duas escolas de Caetité e uma de Pindaí, ficaram responsáveis por trabalhar o conteúdo em sala de aula e fora dela. Na visita ao depósito de lixo de Caetité e no plantio de mudas nos canteiros das escolas, os alunos aprenderam sobre biodiversidade, água, lixo, energia, ar e desmatamento.


O encerramento dos trabalhos em 2009 foi feito com a realização de três feiras ambientais.


Os trabalhos de finalização foram escolhidos pelos próprios alunos, junto com os professores, que montaram, por exemplo, aquecedor solar com garrafa pet, eletroímã e pilha de limão.


SUSTENTÁVEL O Circuito do Lixo é mais um projeto da Bahia Mineração voltado para a questão ambiental. O objetivo é o de mostrar para as comunidades de Caetité e Pindaí o lixo sob uma nova perspectiva, identificando a possibilidade de geração de renda através do manejo sustentável dos resíduos recicláveis.


O primeiro passo foi elaborar um estudo completo da produção de lixo dos municípios, processo que contou com a parceria de uma empresa especializada, a Bainema. Foi feita uma análise do conteúdo do lixo dos dois municípios, verificando o tipo e a quantidade de cada resíduo. Do resultado foi elaborada uma base de informações com estimativas para produção de lixo, mês e ano e então foi calculada a produção média diária por habitante. Com isso foi formatado um projeto de coleta seletiva.


Outra ação de destaque é o projeto Transformar, voltado para a qualificação profissional e ao mercado de trabalho. Os cursos foram para a área de turismo e de manutenção predial, além de mecanismos para fomentar a geração de renda. Parceria da empresa com o Instituto Aliança, o Transformar capacitou, em sua primeira etapa, 350 pessoas do litoral norte de Ilhéus. Em 2010, o projeto continua em Ilhéus e será também realizado em Caetité e Pindaí.


Algumas das oficinas: montagem de secadores solares de frutas e legumes e a oficina de manipulação de alimentos.


“O Transformar representa o compromisso da empresa em atuar de forma responsável, contribuindo para o desenvolvimento econômico do município de Ilhéus, especialmente das comunidades localizadas na área de influência do futuro terminal privativo de embarque da BAMIN para o escoamento do minério de ferro”, explica Clóvis Torres.




O minério de ferro



De acordo com a BAMIN, o minério de ferro é utilizado como matéria-prima do aço, que, por sua vez, é fundamental na produção de ferramentas, máquinas, veículos de transporte, linhas de transmissão de energia elétrica, como elemento estrutural para a construção de edifícios e casas, além de possuir uma grande quantidade de outras aplicações. No mundo, as reservas de minério de ferro estão concentradas em poucos países e chegam a cerca de 370 bilhões de toneladas. Do total de países produtores, cinco deles detêm 77% do potencial de extração do produto. O Brasil tem a quinta maior reserva do mundo, que equivale a 8,3% das reservas totais.


Dados do ano de 2007 mostram que o total da produção mundial foi de 1,9 bilhão de toneladas e o Brasil foi o maior produtor (360 milhões de toneladas) e exportador, sendo que 35% desta produção seguiu para a China. O comércio global do minério de ferro aumentou de 470 milhões de toneladas, em 2000, para 680 milhões, em 2005, alcançando 800 milhões, em 2007. Estima-se que o consumo mundial deve aumentar para aproximadamente 960 milhões de toneladas até 2010.


Conforme explica Clóvis Torres, a jazida baiana, de acordo com as pesquisas da empresa, terá pela frente pelo menos 20 anos de produção, período que pode aumentar em função da realização de novos estudos.


“O fato é que queremos continuar fazendo pesquisas geológicas na Bahia pois acreditamos no potencial deste Estado.


A empresa possui outras áreas na região de Caetité e em outros municípios baianos que podem ser exploradas futuramente”, diz.





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