Desconforto, sujeira, calor excessivo. O Mercado do Rio Vermelho não é mais aquele. A nova Ceasinha, como o local é mais conhecido, tem fachada espelhada e, à primeira vista, parece um shopping. O espaço interno é bem mais amplo que o antigo: são mais de oito mil metros quadrados, 171 boxes distribuídos em seguimentos e um estacionamento com 240 vagas.
O espaço foi aberto ao público hoje, depois de dois anos de reforma. O investimento para a obra foi de R$ 3,5 milhões feito pelo Governo do Estado, a Caixa Econômica Federal e o Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava.
A administração do local será feita pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), por meio da Enashopp – empresa privada especializada na administração de estabelecimentos de grande porte, que ganhou a licitação para a gestão e operação.
Setores
Para que hoje fosse possível a abertura ao público – a inauguração oficial será na segunda-feira –, uma turma trabalhou duro ontem. No lugar dos falatórios de feirantes e da pechincha da clientela, o barulho era de lixadeiras, martelos e maçaricos, que ecoavam em todo o espaço, dividido em três setores. No setor 1, ficam as lojas de artesanato, pet shop, floricultora, moda; no 2, peixaria e açougue e espaço gourmet; no setor 3, há uma praça de alimentação, com cafés, lanchonetes e restaurantes.
A abertura ao público não contará com todos os boxes. Isso porque, até ontem, alguns ainda não tinham sequer a estrutura física interna montada, mas deverão estar prontos na inauguração. “Resolvemos abrir porque muitos permissionários precisam trabalhar. Mas, estamos preparados para inaugurar na segunda. Se houver mudança, será na agenda do governador”, diz o assessor da presidência da Ebal, José Augusto Leal.
O horário de funcionamento, com antes, será das 7h às 18h, de segunda a sábado, e, no domingo, das 7h às 13h.
Capacidade
O espaço comporta agora 140 permissionários - antes eram 98. Serão 14 restaurantes, dez deles de novos empresários. “Como os restaurantes de Tereza Paim, o Caranguejo do Sergipe e o Amado”, diz Cláudia Menezes, que coordena a nova Ceasinha.
Os boxes aumentaram de 8,5 metros quadrados para 22 metros quadrados, com pé direito alto para facilitar a ventilação e a luminosidade. Toda a área de circulação de clientes é sinalizada. A largura dos corredores é de cerca de 5 metros, o que facilita o trânsito de pessoas e materiais. Não será permitido caixotes ou qualquer outro tipo de objetivo que dificulte a circulação. “Estaremos orientando e fiscalizando”, adverte a coordenadora.
Em cada setor do espaço consta, ainda, um elevador e rampas que dão acesso ao estacionamento no andar térreo. Para deixar o carro no local, será cobrada a taxa de R$ 2,50 por hora.
A Cesta do Povo que funcionava ao lado da antiga central de abastecimento será reativada. No entanto, será bem menor que a antiga loja, com tamanho proporcional a três boxes.
Preços
Há mais de 20 anos comprando na Ceasinha, o publicitário Antônio Miranda, 67 anos, teme que as mudanças físicas tragam outras, não desejadas. “O risco da reforma é o de aumento dos preços. Está mais com a cara de um shopping”, afirma o cliente, preocupado.
A mesma opinião é compartilhada pela secretária Vanda de Albuquerque, 45. “Encontro tudo o que quero (aqui), principalmente produtos de qualidade. Espero que não aumente tanto o preço porque, senão, perde a cara de popular”, comenta a secretária.
Mas os comerciantes garantem que não há com o que se preocupar. “De novo, só a estrutura. Os preços serão os mesmos. Aposto no fluxo de clientes”, diz Lázaro Amorim, 39, proprietário da Gostos da Bahia Alimentos. Segundo ele, na antiga instalação, a ventilação e a iluminação eram precárias. “Pulamos para o século XXI. Meu boxe ficava no fundo, perto do banheiro. Agora, tudo organizado por seguimentos, temos equipamentos novos, piso de qualidade. Dá gosto vir aqui”, comemora.
Sócia do açougue e peixaria O Leitão, Eliane Santana, 34, também promete manter os preços módicos, com os quais o consumidor está acostumado. Animada, aproveita para, literalmente, vender o próprio peixe. “Demos nova roupagem à loja. Usamos uma televisão para divulgar as fotos dos produtos; troquei os móveis e equipamentos para dar um tom mais rústico”, propagandeia.