Na Bahia, o emprego por conta própria tem sido incentivado pelo Estado como forma de driblar os altos e baixos do mercado formal. O Programa de Apoio ao Trabalhador Autônomo (Patra) reúne desde 2007 boa parte das iniciativas do Estado direcionadas ao microempreendedorismo, dos cursos de qualificação - disciplinas de gestão empresarial e financeira - ao microcrédito oferecido pelo CrediBahia, que realiza empréstimos de até R$ 10 mil.
O programa é uma das estratégias testadas para reduzir a taxa de desemprego insistentemente alta do Estado, afirma a superintendente de Desenvolvimento do Trabalho, Maria Thereza Andrade. Ao contrário das demais regiões metropolitanas que fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego, em Salvador não houve um esfriamento da busca por trabalho no último ano. "A procura continua grande e nossa taxa simplesmente não cede", diz.
Na capital baiana, a taxa de participação - a relação entre o número de pessoas em idade para trabalhar e aquelas que de fato buscam uma vaga ou estão empregadas - chegou a 59,1% em setembro, contra 55,9% no conjunto das regiões. A taxa de desemprego foi de 10,3% no mesmo período, ante 4,9% na média total.
O principal objetivo da centralização das políticas públicas direcionadas ao trabalhador autônomo, afirma Maria Thereza, é garantir renda sem que haja aumento da informalidade. Assim, o Patra promove ações de curto e médio prazo - da intermediação de serviços prestados por faxineiras, cozinheiras, eletricistas e encanadores (mais de 11 mil só neste ano) ao acompanhamento de quem pretende montar o próprio negócio.
Ana Claudia Teles da Silva foi uma das mais de 100 mil pessoas que passaram pelos cursos de qualificação dados no Estado entre 2007 e 2014. Há um ano proprietária do salão Beleza Afro, que fatura em média R$ 3,5 mil por mês, ela a trabalhou sem carteira assinada dos 13 aos 22 anos.
Em 2015 o salão deve se mudar do endereço alugado no bairro de Itapuã para um espaço atualmente em construção no segundo andar da casa de Ana. Parte do dinheiro usado na obra vem de um empréstimo tomado no CrediBahia, e o restante, das economias acumuladas no último ano graças ao movimento da clientela fiel, que chega ao Beleza Afro através dos cartazes que Ana espalhou por Salvador - "Seu cabelo caiu? Procure a Ana do Alto do Coqueirinho".