28/11/2014
A Suzano Papel e Celulose planeja investir R$ 1,5 bilhão em suas operações em 2015, frente a R$ 1,75 bilhão do orçamento previsto para este ano, com o encerramento dos desembolsos referentes ao projeto de construção da nova fábrica de celulose, em Imperatriz (MA), que entrou em operação em 30 de dezembro do ano passado. Desse total, R$ 1,05 bilhão se refere a desembolsos com manutenção e R$ 50 milhões são relativos ao pagamento da segunda parcela da aquisição da Vale Florestar.
Um destaque no novo orçamento é o direcionamento de R$ 390 milhões para programas de competitividade, formado por projetos que não se repetem a cada ano. De acordo com o diretor financeiro da Suzano, Marcelo Bacci, esse programa vai gerar ganho anual de R$ 95 milhões, já a partir do ano que vem, no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Dentre os projetos, afirmou o executivo, estão incluídos o novo digestor na fábrica de Suzano (o que reduz o custo de produção do papel), a primarização da atividade florestal e a modernização de equipamentos, como a instalação de uma nova máquina que reduz o consumo de pasta mecânica nas operações de cartões.
O programa prevê ainda alguns projetos de redução de raio médio das florestas - em São Paulo e Limeira, a companhia vai plantar 5 mil hectares de árvores, mais perto da fábrica- e a continuidade dos esforços de eficiência energética, que vão garantir que, já a partir do próximo ano, a Suzano passe a ser exportadora líquida de energia.
A companhia, porém, não considera uma nova rodada de investimentos em expansão orgânica no curto prazo, segundo seu presidente, Walter Schalka. Além do cenário de crescimento indisciplinado da oferta mundial da matéria-prima, contribui para a manutenção dessa postura o foco no processo de desalavancagem financeira. "Há indisciplina da oferta, o que vem gerando preços inadequados para remunerar o capital. A Suzano não olha, no curto prazo, investimentos orgânicos de aumento de capacidade" disse, em encontro com analistas e investidores.
Conforme Schalka, nesse cenário, a companhia vai olhar, no futuro, a consolidação do setor via fusão ou aquisição, com destaque para operações de combinação de ativos, uma iniciativa que deveria ser acompanha pelos demais produtores. "A desalavancagem não é a condição única para voltarmos a investir em expansão. Nas condições e preços de hoje, novos projetos não geram valor ao acionista. Então, os projetos de pellets e da nova fábrica [de celulose] no Piauí seguem suspensos", acrescentou.
O presidente da Suzano disse ainda que a companhia está avaliando possível novo aumento de preços da celulose, na esteira de reajustes já anunciados por outros produtores, entre os quais a chilena Arauco, de US$ 10 a US$ 20 por tonelada para o mercado chinês em dezembro. Desde outubro, a Suzano trabalha com novos preços de referência, de US$ 750 por tonelada na Europa, US$ 640 na China e US$ 840 na América do Norte.
De acordo com o diretor da unidade de negócios de celulose e papel da companhia, Carlos Aníbal, os fundamentos do mercado global de celulose seguem positivos, com retomada da demanda e níveis de estoques baixos nos consumidores e produtores. Porém, em razão do calendário apertado, é provável que um eventual novo aumento de preços somente seja aplicado a partir de janeiro. "Temos uma visão bastante positiva para 2015, especialmente no primeiro semestre", afirmou.
Conforme o diretor, além de não haver previsão de entrada de novas capacidades no período - os volumes adicionais da CMPC Celulose Riograndense somente devem chegar ao mercado no segundo semestre -, há possibilidade de novos fechamentos de fábricas de custo elevado, a exemplo do que ocorreu neste ano.