04/12/2014
Por Stella Fontes | De Nova York
Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria vai encerrar 2014 com investimentos de R$ 1,61 bilhão, 6% acima do inicialmente esperado, e planeja desembolsar R$ 1,69 bilhão em 2015, orçamento 5% superior ao que deve ser executado neste ano, na esteira de gastos mais altos com projetos inovadores que trarão ganhos à companhia, de fatores exógenos, como inflação mais alta no país e impacto do câmbio na parcela do investimento que está atrelada ao dólar, e maior compra de madeira de terceiros. Em 2017, porém, os desembolsos da empresa devem cair a R$ 1,45 bilhão a R$ 1,5 bilhão por ano, considerando-se o investimento para manutenção das operações, diante da maior disponibilidade de madeira própria.
"Já temos a musculatura para aplicar um pouco mais neste ano em projetos que criam valor para a companhia e reforçam a competitividade", disse o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, durante a quarta edição do "Fibria Day", em Nova York. No próximo ano, desembolsos relacionados a projetos inovadores serão um pouco mais altos do que o executado em 2014, o que resultou no desembolso acima do que estava previsto (R$ 1,52 bilhão).
De acordo com o diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Guilherme Cavalcanti, metade do investimento que excede a meta anunciada para 2014 se refere justamente a projetos que trarão ganhos à operação. A outra metade reflete a inflação no teto da meta no Brasil, a desvalorização do dólar e a maior compra de madeira de terceiros no sul da Bahia, que foi afetado por fortes chuvas neste ano. Nos próximos anos, a aquisição de madeira de outros fornecedores cairá gradualmente e poderá ser menor que 10% do total em 2018.
Em linha com a estratégia de adicionar valor por meio de ativos existentes, a Fibria pretende converter uma pequena parte das terras que possui para outro tipo de negócio, o de desenvolvimento imobiliário, com vistas a ampliar o valor de áreas que hoje são tidas como secundárias considerando-se o negócio principal, a produção de celulose. De acordo Castelli, já foram identificadas oportunidades em praticamente todas as regiões onde a Fibria está presente e o novo negócio pode gerar ganhos de R$ 500 milhões em valor presente líquido (NPV).
A empresa já conversou com urbanistas acerca desses planos de "real estate" e está em fase de negociação com prefeituras e licenciamento. As áreas que potencialmente receberão empreendimentos imobiliários correspondem, hoje, a 0,6% da área total detida pela companhia e o potencial de ganhos pode ser conservador. "Agora, temos capacidade de ir adiante com mais ideias, porque antes havia uma limitação de investimento. Vamos otimizar nossos ativos", afirmou Castelli. Essas áreas selecionadas, reiterou, terão mais valor se avaliadas por metro quadrado do que por hectare.
Ao mesmo tempo, a companhia também está avaliando se tem fôlego financeiro para distribuir dividendos acima do percentual mínimo obrigatório, de 25% do lucro líquido. "Temos fluxo de caixa livre e há algumas possibilidades em estudo, entre as quais o investimento em expansão, o pagamento extra de dividendos, a recompra de ações. Tudo isso está sendo olhado", afirmou o executivo.
Conforme a Castelli, em todos os casos, a decisão final é do conselho de administração. "Queremos voltar a pagar dividendos", ressaltou. A companhia inicia agora conversas com o conselho de administração acerca do projeto de expansão em Três Lagoas (MS), que poderá entrar em operação no terceiro trimestre de 2017, com atraso em relação ao cronograma originalmente traçado, que previa inicio de produção no quarto trimestre de 2016. "Nossa primeira alternativa continua sendo a consolidação [da indústria], mas isso não depende apenas de nós", ponderou.
Em relação ao desempenho do mercado global de celulose, o diretor comercial e de logística internacional da Fibria, Henri Philippe Van Keer, disse que a demanda tem se mantido aquecida no quarto trimestre, com volumes "muito bons" em outubro e novembro. "As compras na China estão fortes há seis ou sete meses e os estoques estão baixos. O momento é bastante positivo, por isso anunciamos o aumento de US$ 20 por tonelada para todos os mercados a partir de janeiro", afirmou o executivo, acrescentando que o primeiro trimestre deve ser bom em termos de preços.