“Água gelada é um real”. É com apenas essas cinco palavras que um ambulante está suando a camisa e ganhando dinheiro em frente ao Shopping Center Lapa, no Centro da cidade. “Parar por que, menina? Meu negócio aqui é vender água e ganhar dinheiro”, diz ele, se negando a dar entrevista por conta do forte movimento. Em apenas cinco minutos ganhou R$ 12.
Ele é apenas um dos vários ambulantes que estão aproveitando as altas temperaturas para faturar na capital baiana. Com uma barraca em frente à loja Petronius, na Av. Sete de Setembro, a vendedora de chapéu Adalgisa Vasconcelos também não tem muito do que reclamar: “Se o movimento tiver bom, chego a vender umas 15 peças. Quando o Verão acaba tem dias que volto para casa sem vender nada”, afirma.
Segundo ela, que está neste segmento há 12 anos, os negócios não estão mais quentes por conta de ambulantes que ficam na parte de cima do Elevador Lacerda. “Boa parte dos turistas já chega aqui de chapéu na cabeça. E o pior é que eles não são legalizados”, reclama a ambulante, que entre um atendimento e outro, bebe água para suportar o calor. “Trago uma garrafa de um litro e meio de casa e ainda compro mais aqui. Tá muito quente”, justifica ela.
Com mais de 100 modelos expostos em uma grade portátil, o vendedor de óculos de sol Cristiano Souza gosta do Verão, mas prefere os dois últimos meses da estação. “Meu movimento é maior nos meses de fevereiro e março, quando as férias acabam e o povo volta a circular normalmente pelo Centro da cidade”, argumenta.
O ambulante diz que enquanto, hoje, vende cerca de 15 unidades diariamente, em março esse número sobe para 35. Levando em consideração que R$ 10 é o valor do óculo mais barato, ele não vai para casa hoje sem desembolsar R$ 150 por dia. “Dá para levar o pão para casa”, brinca ele, que, faz jus ao ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”, pois não usa óculos de sol. “Passo protetor e bebo muita água”, justifica ele, rindo.
Restaurantes e bares apostam no Verão para amenizar perdas - Férias, turistas e muito sol. Este é o desejo dos donos de bares e restaurantes de Salvador neste Verão. Para amenizar as perdas causadas pela atual conjuntura econômica, os empresários apostam no calor. “Essa parte do ano é muito representativa para a gente”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia, Luiz Henrique Amaral.
Segundo ele, pela primeira vez, a virada do ano superou as expectativas na capital, mas essa alta não se manteve após a segunda quinzena de janeiro. “Com o Carnaval mais cedo, o Verão fica mais curto para nós”, diz o proprietário do Caminho de Casa (Itaigara), Marcelo Lener. Ele conta que o restaurante registrou uma queda no faturamento entre 20% e 30% em relação ao Verão passado, mas espera crescer 20%.