06/03/2015
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan), e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta quinta-feira (05.03) um boletim que apresenta a inserção das mulheres no mercado de trabalho em 2014, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
O boletim revela mudanças no cenário do mercado de trabalho para as mulheres na RMS, registrando crescimento da ocupação superior ao observado em 2013, somado à relativa estabilidade na População Economicamente Ativa (PEA). A taxa de desemprego feminino também declinou, tornando-se a segunda menor taxa na série histórica da PED-RMS.
A fonte de informações utilizada para o boletim é a base de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMS), executada pela SEI, em parceria com o Dieese, a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e a Fundação Seade do Estado de São Paulo, com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Apesar dos avanços na inserção ocupacional feminina, as mulheres continuam sendo maioria entre os desempregados. E, quando ocupadas, ainda se observa inserções mais precárias e com baixos rendimentos. Os ganhos médios reais das mulheres também são inferiores aos dos homens, em qualquer posição ocupacional ou setor de atividade analisados.
Presente na coletiva de imprensa para a divulgação dos resultados, a diretora-geral da SEI, Eliana Boaventura, explicou a importância de uma pesquisa voltada para a análise do espaço da mulher no mercado de trabalho. “A mulher conseguiu avançar bastante no que diz respeito a mercado de trabalho. Porém ainda é muito difícil encontrar mulheres assumindo cargos de chefia e grandes posições. Por isso, ainda é preciso trabalhar pela igualdade para mulheres e homens no trabalho, tanto em oportunidades quanto em rendimentos”.
Avanços - Desde 1999, o número de postos de trabalho segue uma linha ascendente, entre os ocupados na RMS. Em 2014 não foi diferente. Com elevação de 1,6%, o ano analisado teve o maior contingente ocupado da série histórica iniciada em 1997. De acordo com a PED-RMS, foram gerados 25 mil novos postos, quantitativo superior ao de 2013 e suficiente para absorver o aumento da População Economicamente Ativa (PEA), que apresentou oferta adicional de nove mil pessoas.
O contingente de desempregados reduziu em 16 mil pessoas, chegando ao total de 325 mil. O acréscimo ocupacional em 2014 respondeu ao crescimento dos postos de trabalho para as mulheres (16 mil), superior à elevação observada entre os homens (nove mil). Já os homens exerceram maior pressão sobre o mercado de trabalho, elevando sua inserção em 13 mil, enquanto que as mulheres apresentaram relativa estabilidade na PEA (menos quatro mil).
Influenciado pelo aumento da ocupação feminina, somado à relativa estabilidade da PEA, o contingente de mulheres desempregadas declinou em 20 mil, com impactos negativos nas proporções de mulheres desempregadas mais jovens, em faixas etárias abaixo de 40 anos. Quanto aos homens, que tiveram elevação do contingente ocupado inferior à entrada no mercado de trabalho, o número de desempregados aumentou em quatro mil pessoas, atingindo mais os jovens de 16 a 24 anos e adultos entre 50 a 59 anos.
Esses movimentos representaram pequenas mudanças na correlação das inserções feminina e masculina no mercado de trabalho, melhorando relativamente para as mulheres. A representação das mulheres entre os desempregados decresceu entre 2013 e 2014, passando de 58,9% para 55,6%. Houve aumento tímido na proporção de mulheres na população ocupada – de 46,1% para 46,4%; e uma também tímida redução na participação no mercado de trabalho, que passou de 48,5% para 48,0%.