Alessandra Nascimento
A questão portuária baiana ganhou novo capítulo nesta semana com o anúncio da privatização do Porto de Aratu veiculada na edição de ontem da Tribuna da Bahia. O processo vai favorecer o consórcio das empresas Braskem, Log-In e Transultra, as principais interessadas na requalificação portuária de Aratu.
Segundo o gerente de logística da Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem, José Frederico Maciel, o grupo está realizando estudos de viabilidade técnica para o porto e entende que a melhoria portuária vai impactar diretamente na melhoria da competitividade das indústrias baianas.
“A liberação do processo de privatização vai acelerar as ações que hoje estão sendo pensadas para Aratu. É importante destacar que tudo passará sobre o crivo da Secretaria Especial de Portos, em Brasília, Antaq e Codeba. Identificamos preliminarmente a necessidade de investimentos para promover melhorias na infraestrutura de Aratu com construção de novos berços de atracação, modernização de equipamentos no próprio porto e a Ferrovia Centro-Atlântico. São investimentos iniciais na ordem de R$ 500 milhões. Tudo o que está sendo programado para Aratu passará por um processo licitatório”, informa.
Maciel disse que também está sendo estudada a criação de um berço para carga liquida e um destinado a granéis sólidos e contêineres. “Entre os produtos que seriam transportados por Aratu no terminal de granéis sólidos estão os siderúrgicos, minerais e agrobusiness e para os granéis líquidos e gasosos ele escoaria toda a produção da Braskem. É preciso salientar que todo esse processo precisa estar alinhado com Antaq, Secretaria de Portos e Codeba”, esclarece.
São necessárias obras de melhorias
A privatização de Aratu foi anunciada pelo governo federal que decidiu começar o processo de licitação pelos portos públicos da Bahia e do Amazonas. A decisão de Brasília tem como foco licitar dois portos na Bahia: o Porto Sul, situado em Ilhéus e que será construído por investidores privados, e outro já existente, o de Aratu, na Baía de Todos os Santos.
De acordo com a Antaq, a privatização do Porto de Aratu e do Porto Sul acontecem pois são os projetos que estão mais adiantados. No caso de Aratu, já está sendo feito o estudo de viabilidade e um decreto já criou os limites do porto. O Porto de Aratu é atualmente administrado pela Codeba, que será indenizada após a privatização.
Os novos concessionários terão que fazer obras de melhoria e ampliação portuária. Os estudos sobre o Porto de Aratu indicam que suas cargas prioritárias deverão ser granéis líquidos, produtos siderúrgicos e contêineres. Para que ele se torne um empreendimento mais atrativo, seria necessário fazer obras de melhorias e adequação na rodovia BR-101 e na Ferrovia Centro-Atlântica. Já o Porto Sul, que será construído e operado pela iniciativa privada próximo ao Porto de Ilhéus, servirá principalmente para escoar a produção de soja do oeste da Bahia e do Tocantins e minério de ferro.