O secretário de Infraestrutura do Estado da Bahia, Marcus Cavalcanti, e o ex-secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, James Correia, apontaram o potencial da energia no estado durante suas apresentações no seminário.
Marcus começou falando da capacidade eólica do estado, que ele afirmou ser “maior do que tudo que é produzido em todas as fontes hoje no Brasil”. Ele ainda explicou que os contratempos enfrentados no período de 2009 e 2010 se tornaram um aprendizado para o governo federal.
“Tivemos dificuldades em 2009, 2010, com leis de licenciamento ambiental, com parte de liberação fundiária e com um problema que virou case de toda a imprensa nacional e até internacional, dos parques construídos sem as linhas de transmissão, mas foi um aprendizado que o governo federal soube enfrentar”, avaliou. Cavalcanti ainda informou que a nova fronteira para o setor na Bahia é a da energia solar. “Temos que trabalhar em pesquisa nessa área”, comentou. “Batalhar para que a Bahia seja sede de um centro de pesquisa para ampliar a condição da energia solar”, completou.
Já o ex-secretário James Correia destacou que não existe energia competitiva se não houver uma economia competitiva. “A forma de buscar isso é grande desafio que o Brasil todo tem. Grande parte dos setores precisa de energia. É uma questão que se precisa refletir e buscar uma solução”. O ex-secretário ressaltou ainda que o sistema energético brasileiro é complexo e, em consequência, seu planejamento não é uma tarefa simples. “Tem toda a questão de como financiar esse sistema e distribuir as tarifas de forma que todos paguem um valor justo”.
Excesso de tributos torna a energia mais cara
Um dos grandes gargalos para diminuir o preço da energia é a quantidade de tributos. A avaliação é da presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Élbia Gannoum, e que isto se reflete na conta do consumidor residencial. A opinião foi dada durante painel que discutiu os cenários para o setor elétrico brasileiro.
“Não acho que a energia elétrica do consumidor final seja barata e isso precisa ser revisto”, falou. Ela reforçou que o potencial do Brasil é aproveitado a médio e longo prazos, ao contrário do que muitos afirmam. “Estamos em um momento de custo muito alto, mas não vejo falta de competitividade do Brasil por causa desse momento”.
Na avaliação do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia James Correia, a competitividade da energia depende da competitividade da economia como um todo. Com um posicionamento oposto, o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, falou que esse custo impacta sim na competitividade nacional. “É preciso reduzir custos e risco dos empreendimentos de geração de energia e também o impacto dos tributos”.
Já o secretário de Infraestrutura da Bahia, Marcus Cavalcanti, destacou que a diferença no nível de desenvolvimento do Nordeste, Sul e Sudeste exige uma contrapartida das decisões políticas do país. “O Nordeste é menos desenvolvido e precisamos de políticas compensatórias”. Ele defendeu a criação de um fundo que contemple os estados do Nordeste em investimentos na geração de energia com preço competitivo.
Energia dos ventos ganha espaço na matriz brasileira
O Brasil é o segundo país mais atrativo em investimentos em energia eólica no mundo. A informação é da presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Élbia Gannoum, e foi dita, ontem à tarde, no seminário Energia Competitiva para o Nordeste, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). O número promissor coloca o sistema de captação em destaque na matriz brasileira. “Somos um grande mercado de energia renovável”, afirmou Élbia.
Segundo ela, a eólica hoje é a segunda maior energia renovável, perdendo apenas para a hidroelétrica. E o Nordeste é a principal região do país produtora desse tipo de energia. “O tesouro do vento está no Nordeste, muito fortemente na Bahia, que tem um dos melhores ventos do mundo, o vento alísio. Esse vento só tem em quatro lugares no mundo, um deles é a Bahia, e é o único que produz energia a partir dele”, revelou.
Para ela, a região também é a que mais percebe os resultados positivos desse tipo de fonte de energia. “Chamamos de externalidades positivas da fonte eólica, é esse aspecto socioeconômico e também ambiental, porque essa é uma fonte limpa”, explicou. Com isso, a geração de energia eólica representa hoje a terceira maior fonte da matriz elétrica nacional, respondendo a 4,8% com 6,5 GW, ficando atrás apenas da hidroelétrica e biomassa.
“Temos 6,5 GW de fonte eólica instalados. Desse total, 6,2 já estão operando, gerando energia e contribuindo para o sistema no momento em que o Brasil está precisando tanto de energia”, detalhou. Segundo Élbia, apenas 300 MW estão com atraso em linhas de transmissão, problema que já está sendo resolvido. “Aquele problema da linha está se tornando um problema do passado, estamos superando esse gargalo”, garantiu.