Entrevista James Correia - Secretário de Indústria, Comércio e Mineração
No governo do estado todos comemoram efusivamente as informações recentemente divulgadas pela Junta Comercial da Bahia: em 2009, pela primeira vez na história, a instalação de novas empresas no estado foi maior no interior do Estado do que na capital e na Região Metropolitana de Salvador. Do total de 191 protocolos assinados, 65% foram solicitações para abertura de empresas nos vários eixos econômicos em franco desenvolvimento no interior contra 35 % de solicitações para Salvador e Região Metropolitana.
?O grande paradigma de que os empresários não querem desbravar e desenvolver o interior foi quebrado. Desta forma, atendemos a determinação do governador Jaques Wagner, que já no seu discurso de posse enfatizava que era necessár io descentralizar o desenvolvimento industrial, destaca James
TARDE | Historicamente, Salvador e Região Metropolitana têm sido alvos do interesse do empresariado baiano e nacional. Como o governo do estado reverteu o quadro, levando mais indústrias para o interior em 2009 e quais as ações da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) nesse sentido? James Correia | Minha primeira ação à frente da Secretaria foi conhecer a realidade dos 12 distritos industriais sob jurisdição da SUDIC Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial espalhados pelo estado. Fiquei muito preocupado com o que vi. A maioria dos distritos estava numa situação de quase abandono, com áreas invadidas, sem calçamento, com vias de acesso precárias, falta de infraestrutura e segurança. Ora, numa situação destas, como estimular o empresariado a investir no interior? Então, obedecendo as diretrizes do governador, decidi mudar essa realidade, implantando um plano de melhorias e abrindo canteiros de obras em todos os polos.
A resposta foi imediata por parte dos empresários, que em ritmo cada vez mais acelerado estão optando por abrir empresas no interior e em todas as regiões, vale ressaltar. Com isso, as economias locais e regionais ganham impulso, as pessoas passam a viver mais dignamente, e diminui bastante o processo migratório para a capital e para as grandes cidades em busca de emprego, educação e saúde.
AT | Segundo a Junta Comercial, os setores do comércio varejista e de prestação de serviços comandaram o crescimento com 45,85% e 33,73% das empresas abertas no estado em 2009. Na sequência aparecem setores como a indústria de transformação, construção civil e comércio atacadista.
Quais foram os outros destaques? JC | Os setores mineral, calçadista e têxtil estão entre os mais atuantes e em constante crescimento.
Temos, por exemplo, 350 mineradoras de todos os portes operando no estado, atraindo não apenas mão de obra especializada, mas também empresários dos mais variados segmentos que se instalam no entorno das minas e dos municípios onde elas estão localizadas oferecendo produtos e serviços antes inexistentes. Esta cadeia produtiva e de negócios é que fomenta e robustece a economia.
E isso se reflete no ótimo desempenho que tivemos na geração de emprego. O setor calçadista também tem demonstrado fôlego e deve crescer ainda mais em 2010, com a chegada de novas empresas a partir de investimentos do Governo do Estado de R$ 42 milhões.
Recentemente realizamos uma rodada de negócios com empresários do setor, em São Paulo, com excelente resultado. Oito indústrias demonstraram interesse em se instalar na Bahia e pelo menos nove companhias do setor já anunciaram expansão das suas atividades no estado. Isso é muito bom. O mesmo acontece no setor têxtil que opera em Itabuna, Vitória da Conquista e Jequié e no setor de embalagem distribuído em Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista. A Bahia vive uma época de expansão excepcional, posso afirmar que nunca tivemos um momento econômico tão bom.
Basta verificar pelo número de novas empresas abertas de 2007 para cá e pela Bahia ser responsável por 77% das vagas de trabalho abertas na região Nordeste em 2009.
AT | Os empresários, especialmente aqueles de outros estados e do exterior que aqui se instalam, pedem pressa na solução dos grandes gargalos que encontram para produzir e escoar a produção.
Quais são as grandes ações do governo do estado no sentido de mitigar e mesmo eliminar os problemas apresentados pelo empresar iado? JC | Temos entraves para eliminar, mas todos eles já foram diagnosticados pelo governador Jaques Wagner e todas as secretarias estão envolvidas em iniciativas que têm como objetivo favorecer o empresariado. Estamos trabalhando para melhorar os portos da Bahia e posso citar a recuperação do Porto Fluvial de Juazeiro. Por outro lado, o governo federal liberou recursos para a melhoria do porto de Ilhéus e dragagem dos portos de Aratu e de Salvador. A Ferrovia Oeste ? Leste começa a sair do papel e breve será realidade, facilitando o escoamento dos produtos. Enquanto isso, o governo está agindo, abrindo novas vias de acesso, com destaque para a Via Expressa Baía de Todos os Santos, que cria novo acesso ao Porto de Salvador. Estamos melhorando a BA-093 nos trechos que abrangem o Polo Industrial de Camaçari, o CIA e o Porto de Aratu. E a duplicação da BR-324, via concessão à iniciativa privada, vai impactar positivamente nos portos da Região Metropolitana de Salvador, facilitando o tráfego e o escoamento da produção. Posso citar, ainda, a Zona de Processamento de Exportações ? ZPE, a ser criada em Ilhéus, semelhante à Zona Franca de Manaus e a construção do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), empreendimento que vai integrar o sul da Bahia com o restante do país, gerar empregos e negócios em larga escala. Enfim, repito, as perspectivas são promissoras. O governo do estado tem investido grandes recursos e feito parcerias com o governo federal com o intuito de desenvolver a Bahia como um todo e descentralizar o desenvolvimento para que todos os baianos sejam favorecidos.
AT | No que se refere a alguns distritos industriais que já dão mostras de saturação, qual a política adotada pela (SICM) e pelo governo como um todo? O Centro Industrial de Subaé, em Feira de Santana, por exemplo, já não dispõe de mais espaço para a implantação de novas fábricas, e são muitos os interessados em se instalar no município.
JC | No caso específico de Feira de Santana, a solução é criar um novo distrito industrial. Uma comissão de trabalho formada por profissionais do governo do estado, da prefeitura municipal e das universidades já está pensando nisso. Estamos projetando um polo industrial que seja viável por 20 anos, pelo menos, atendendo as necessidades dos empresários desejosos de se instalarem em Feira.
E são empresários de todos os portes.
Posso citar uma fábrica de aviões instalada no município desde julho do ano passado e que coloca Feira de Santana na rota da indústria aeronáutica mundial. A empresa já ganhou um prêmio internacional de aviação nos Estados Unidos e exportou aeronaves para os Estados Unidos e para a Austrália, além de abastecer o mercado brasileiro. E está instalada aqui na Bahia, mais uma prova da pujança de nosso mercado. Seus dirigentes nos solicitaram a liberação da pista do Aeroporto de Feira para ser usada como área de testes.
Como uma coisa chama outra, vamos aproveitar para modernizar e ampliar o aeroporto da cidade, permitindo que sejam oferecidos novos serviços à população.
AT | Também há muitas queixas quanto a mobilidade e locomoção de pessoas entre os 417 municípios da Bahia. As distâncias são longas e nem todas as rodovias são de boa qualidade. E o transporte rodoviário ainda é a principal opção. Há como corrigir essa situação? JC | Sim, e o governo trabalha incessantemente nisso. Não apenas melhorando nossas rodovias e construindo novas, mas pensando em novas soluções. Uma delas é incentivar o transporte aéreo regional, seja reformando e ampliando aeroportos, como é o caso de Feira de Santana, seja abrindo novas rotas, ou oferecendo incentivos fiscais.
Nesse sentido, a Casa Militar e a Secretaria de Planejamento estão formatando um projeto, com apoio das outras secretarias, para posterior análise do governador Jaques Wagner e tomada de decisão.
Queremos facilitar as viagens aéreas entre municípios e regiões, bem como as viagens para outros estados sem que o passageiro tenha que se deslocar até Salvador.
Com isso, o deslocamento dos viajantes será bem mais rápido e mesmo o aeroporto internacional de Salvador seria beneficiado com a redução do fluxo de vôos e de passageiros.
Creio que breve teremos novidades quanto a esse projeto.
AT | Os projetos do governo, em fase de avaliação ou de implantação, para desenvolver o interior do estado, são numerosos e abrangem praticamente toda a Bahia. Mas e as empresas privadas ou de economia mista, responsáveis pelas obras de infraestrutura, também estão trilhando o mesmo caminho? JC | Estão, sim, e é importantíssimo destacar o que está sendo feito.
A Coelba, por exemplo, prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão para este ano na ampliação e modernização da rede elétrica. A Embasa já investiu R$ 3 bilhões, a partir de 2007, levando água para milhões de pessoas. Recentemente, os dirigentes da ADEMI/BA ? Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário, de olho neste novo filão de consumidores, me informaram que estão abrindo seis novas frentes de atuação no interior, injetando recursos na construção de casas e prédios. Tudo isso move a roda da economia e gera emprego e renda.
Com mais dinheiro no bolso, as pessoas podem comprar mais. E isso tem ocorrido no interior baiano.
A melhor fotografia da mudança da realidade pode ser captada pela EBAL Empresa Baiana de Alimentos, que se tornou a 6ª maior rede de supermercados da região Nordeste do Brasil pela sua capilaridade e volume de vendas. Em 2009, a EBAL faturou R$ 550 milhões e a previsão para este ano é de R$ 650 milhões de faturamento.
Repito: estamos vivenciando um circulo virtuoso em nossa economia.
Nunca tivemos um momento econômico tão bom
26/04/2010