19/05/2015
JOYCE DE SOUSA
Na mesma linha do ditado popular “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”, os agentes financeiros do Banco do Nordeste (BNB) que atuam na zona rural da Bahia ganharam ontem reforço na oferta de linhas especiais para o pequeno produtor: 158 motos que vão ajudá-los a oferecer microcrédito nas propriedades de mais difícil acesso.
O objetivo é manter a demanda na zona rural, evitando que as notícias de mercado, acerca de elevação de taxas de juros e limitações de financiamento, acabem afugentando o pequeno produtor da busca por crédito, como vem ocorrendo nas áreas urbanas. Até o final deste ano, o banco pretende disponibilizar, no estado, R$ 378 milhões em microcrédito rural (Agroamigo). O valor supera os R$ 311 milhões aplicados no ano passado, em 82 mil contratos firmados.
Parceria
Somente nas operações oriundas das ações de visitação, a expectativa é de aumento de 20% nos contratos, por conta do uso das novas motos. Os veículos foram cedidos pela Secretaria de Agricultura que investiu R$ 1,5 milhão na ação, com recursos oriundos do Ministério do Desenvolvimento Agrário e contrapartida.
“As motos levam os assessores de crédito diretamente ao agricultor familiar, para expor as condições especiais ainda disponíveis no seu caso”, diz o gerente de microcrédito rural do BNB no estado, Edísio Bahia. “A taxa de juros é de 0,5% ao ano, enquanto que para os empreendimentos urbanos é de, em média, 7%”, exemplifica.
Segundo dados do banco, cerca de 200 mil produtores baianos são beneficiados atualmente pelo Agroamigo. A adesão à linha de crédito será estimulada pelos cerca de 300 assessores de crédito, como são chamados no banco, que vão atuar nos 417 municípios baianos. “O banco vai até o produtor para mostrar que seus projetos são possíveis”, frisa Bahia, ressaltando a viabilidade econômica da ação, já que os índices de inadimplência entre os produtores rurais são baixos (menos de 2%).
Na solenidade de entrega das motos, ontem durante a inauguração de uma agência do BNB em Lauro de Freitas, o superintendente da instituição na Bahia, lorge Bagdêve, explicou que os assessores de crédito prestam orientação aos pequenos produtores, avaliando os projetos das localidades e propriedades visitadas. “O serviço é personalizado, mas se for notado que o projeto do pequeno produtor pode ser beneficiado caso ele participe de uma cooperativa ou associação, esta também recebe as orientações devidas”, informou.
Cooperativas
O governador Rui Costa, também presente ao evento, ressaltou a força da agricultura familiar na Bahia - estado com maior número de propriedades do tipo. “Ações como essa criam novas possibilidades para o agricultor baiano”, afirmou, assegurando as intenções do governo de firmar mais parcerias do tipo “que garantam que o cidadão do campo tenha assistência técnica e acesso ao crédito”.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural, jerônimo Rodrigues, a expectativa do governo baiano é ampliar para R$ 450 milhões o volume de crédito rural por ano no estado. Retornando de licenca médica, o secretário de Agricultura, Paulo Câmera, foi representado no evento pelo chefe de Gabinete, José Pirajá.