Eólicas fecham 2014 com 41% de fator de capacidade médio

02/06/2015


Os parques eólicos em operação no Brasil que venderam energia a partir de 2009 em leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica encerraram 2014 com fator de capacidade de 41%. Com isso, a geração eólica total no país alcançou 12,04 TWh, um volume 89,9% mais elevado do que no ano anterior e o suficiente para atender 6 milhões de residências.


Em termos de capacidade instalada a fonte encerrou dezembro com 5.961 MW, crescimento de 72% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Esses dados fazem parte do Boletim Anual do Setor Eólico, uma publicação da Associação Brasileira da Energia Eólica, ao qual aAgência CanalEnergiateve acesso em primeira mão.


De acordo com a presidente executiva da entidade, Élbia Silva Gannoum, esses números refletem o grande ano que a fonte teve no país, mesmo tendo sido considerado um ano com ventos dentro da normalidade.

O destaque está no fator de capacidade dos parques eólicos no país que está cerca de 10 pontos porcentuais acima dos melhores indicadores que se conhece na Europa e que se situam entre 28% e 31%. “Terminamos o ano com 238 parques e 5,9 GW em capacidade instalada. O Brasil mostra que é definitivamente um país atrativo para investimentos em energia eólica. No ano passado essa capacidade nos colocou entre os 10 maiores países em termos de usinas, o 4º maior em termos de investimentos e o 2º em atratividade, perdendo apenas para a China”, elencou a executiva.

Os números positivos, continuou Élbia, não param por aí. Em termos de energia gerada no ano passado houve um recorde de 2.155 MW médios no mês de outubro e que respondeu por 20% da demanda no Nordeste. Esse volume já é superior ao das PCHs no mesmo período. Até maio, quando há a ‘entressafra’ de ventos a geração eólica registrou a geração relativamente estável, variou apenas 100 MW médios no período ficando entre 843 MW médios e 747 MW médios. Contudo, de junho em diante a geração saltou para 1.271 MW médios até alcançar um patamar médio no segundo semestre de 1.877 MW médios.

Essa diferença é explicada ainda pelo aumento da capacidade instalada no país que ficou 2,5 GW maior que ao final de 2013. Esse aumento, destacou, proporcionou ainda o que chamou de ganhos sistêmicos, ou seja, aqueles que não se vê diretamente. Entre eles os dois mais importantes foram evitar a cobrança de cerca de R$ 5 bilhões em ESS originados da operação das térmicas que estão acionadas por conta da crise hídrica e servir como um reservatório virtual, pois ajuda a atender a demanda por energia no lugar das usinas de fonte hídrica. Em termos de redução de emissões, a energia gerada pelas eólicas evitou que pouco mais de 6 milhões de toneladas de CO2 chegassem à atmosfera.

“A eólica mostra que é altamente complementar às hidrelétricas”, resumiu Élbia que lembrou ainda que a geração pela força dos ventos devolveu R$ 3,5 bilhões aos consumidores por meio da Coner, a conta de energia de reserva.

Ao total, em 2014, o Brasil recebeu R$ 18 bilhões em investimentos em energia eólica. Grande parte desses aportes, destacou, financiado pelo BNDES que possui uma regra de nacionalização de produção bem sucedida. “Com esses aportes a fonte eólica gerou 36 mil postos de trabalho. No total, com os atuais 6,6 GW em capacidade instalada que o país possui são 100 mil empregos. Até o final de 2019, quando teremos quase 18 GW, que já estão contratados, serão 150 mil postos de trabalho”, projetou a presidente executiva da ABEEólica.

Seguindo o planejamento para 2015 a projeção é de que o país encerre o ano com 9,6 GW de capacidade instalada. Se essa previsão se confirmar, o país avançará para um patamar entre 4º e 5º maior entre os países do mundo que possuem geração eólica. Esse volume, acrescentou a executiva, vem associada à ampliação da cadeia de produção nacional que foi exigida e atendida pela exigência do BNDES que é a principal fonte de recursos para a continuidade desses investimentos no longo prazo, e cujas regras de conteúdo nacional estarão totalmente implementadas em junho do ano que vem.


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