22/07/2015
O que muitos empresários tratam como crise vem sendo aproveitado como oportunidade de negócios por empreendedores nos setores das micro e pequenas empresas do estado, segundo a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), que, no primeiro semestre deste ano, registrou constituição de 12.624 novas empresas. Desse total, 41,24% são da área de serviço, seguido pelo setor do comércio varejista, responsável por 36,45% das solicitações.
De acordo com a Juceb, a maior parte das empresas foi dos tipos jurídicos Empresário Individual e Sociedade Limitada, incluindo nesse rol micro e empresas de pequeno e médio porte, que somaram 88% das solicitações.
As regiões econômicas que mais concentraram novas empresas foram a Metropolitana de Salvador (34,58% das solicitações), Litoral Sul (8,77%), Paraguaçu (7,54%), e Extremo Sul (6,87%).
O presidente da junta, Antônio Carlos Marcial Tramm, avaliou que a crise econômica que atinge o país não chegou a atingir este setor, apesar de o número total de empresas constituídas neste semestre ter sido 6% menor do que o registrado nos seis primeiros meses do ano passado. Ele atribui a redução à realização da Copa do Mundo em 2014, quando muitas empresas se organizaram para atender às demandas dos participantes do evento esportivo.
“Apesar de as taxas de inflação e de desemprego estarem altas, o microempreendedor continua investindo principalmente no fornecimento de serviços e de pequenas vendas. Também verificamos que mesmo as grandes empresas que se queixam das crises não reduzem o preço de suas mercadorias, apesar da queixa na redução de vendas”, disse Tramm.
Fernanda Gretz, gerente da unidade de atendimento individual do Sebrae Bahia, informa que 88% destas micro e pequenas empresas atuam no setor de serviço e de comércio. Ela verifica que, mesmo com a crise, a maioria dos empreendedores busca oportunidade e não apenas sobrevivência.
“Com o advento da chamada nova classe C, estes empresários oferecem serviços pessoais, ou seja, destinados ao público final, para casa, veículos ou de beleza”, explica.
Planejamento
Fernanda Gretz acrescenta que o pequeno empreendedor deve ficar atento, porque nem sempre uma boa ideia significa oportunidade. “É preciso buscar orientação, fazer um planejamento, de preferência com ajuda do Sebrae, para verificar a viabilidade e a demanda para instalar uma empresa de determinado ramo, em determinada região”, ensina.
O alerta é importante diante do grande número de empresas que fecham no primeiro ano de funcionamento. No primeiro semestre, a Junta registrou o cancelamento de 4.397 empresas, contra 3.839 no ano passado, um aumento de 12,7%. A maior parte dos pedidos de fechamento foi do tipo jurídico Empresário Individual, 50,4%, acompanhado pela Sociedade Limitada, com 46%.
O comércio varejista foi o setor com maior solicitação de fechamento (2.011 pedidos). Em seguida o de serviços (extinção de 1.731 empresas).
Em março ocorreu maior número de cancelamentos. No total, ocorreram 900 solicitações de extinção contra 683 registradas no mesmo mês do ano passado. O aumento é atribuído às facilidades previstas nas novas regras para o fechamento de empresas do que a crise econômica do país.