Estética registra faturamento acima da inflação

03/08/2015


Enxergar oportunidades em meio à crise. Com esta visão, alguns setores da economia baiana estão conseguindo crescer em 2015, na contramão das queixas generalizadas de estagnação nos negócios.


O ramo de estética e demais serviços prestados diretamente às famílias, incluindo vendas diretas em bazar, destaca-se, no estado, com alta de 10,1% no faturamento, acima da inflação, já na casa dos 9%.


No setor comercial, onde a frustração é geral, as vendas de artigos de uso pessoal e doméstico, incluindo os cosméticos, são uma exceção, registrando crescimento de 9,5%.


Na indústria, a produção de couros, malas e calçados aumentou, ainda que abaixo da inflação (4,2%), assim como o ramo de papel e celulose (3,8%) - este último muito por conta da competitividade gerada nas exportações, com a alta do dólar. No interior, a venda de grãos vive um momento excepcional, com alta esperada de 17% e geração de emprego .


Longe dos prejuízos -O crescimento de determinados setores baianos, em meio à crise, foi constatado em análise feita pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base nas pesquisas mais recentes, divulgadas em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O levantamento considera o desempenho entre janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período em 2014.


No Polo Industrial de Camaçari e adjacências, onde a indústria petroquímica registrou queda de 4,5% no período avaliado pela SEI, asempresas exportadoras têm conseguido superar a crise, a exemplo da Dow Brasil, em Aratu, que espera ter, justamente agora em 2015, o melhor desempenho da história da companhia, há 40 anos no estado. A empresa vende insumos químicos para espumas, fibras e fragâncias


Na Paranapanema, em Dias D’Ávila que vende cobre para vergalhões e ligas, as vendas para o mercado externo aumentaram 101% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.


Já o setor automotivo baiano (leia-se Ford e empresas sistemistas) também teve crescimento no período: de 19%., “mas é mais uma tendência de recuperação, diante da queda de 25% registrada no mesmo período em 2014”, explica o coordenador de Acompanhamento Conjuntural da SEI, Luiz Mário Vieira.


Sem crescer, mas pelo menos mantendo as vendas estáveis, estão as lojas de departamentos, “sobretudo as que ofertam miudezas e quinquilharias”, como frisa Vieira. No varejo, o segmento de supermercados, hipermercados e produtos alimentícios não tem vivido os melhores dias, mas também não tem tido maiores perdas: “O crescimento de 0,3% revela agora uma boa estabilização, isto porque a população já chegou ao limite dos cortes previstos”.


Na conta da beleza -Sobre o bom desempenho do setor de estética e cosméticos, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Consultores do Ramo de Beleza do Estado da Bahia (Sincobe), Dadi Damasceno, justifica: “O que aconteceu foi que, com a crise, as pessoas passaram a optar mais pelo“faça você mesmo”, deslanchando a atividade dos profissionais do setor, sobretudo os que trabalham com demonstração.


É o caso de Jeane Santos, que vende produtos de maquiagem e tratamento de pele, em sessões agendadas na residência de clientes, em Salvador. “Ensino como a pessoa deve usar o produto, com oferta de itens de alta qualidade, numa ótima relação custo/benefício”, diz.


Secretária executiva, ela passou a atuar no ramo da beleza agora em 2015, contribuindo para um aumento de 20% na renda familiar. “Não tem segredo: nada melhor do que cuidar da autoestima, quando se está enfrentando dificuldades na vida”, conclui Dadi Damasceno, do Sincobe.


Agronegócio desponta até com geração de empregos -Em plena época de retração econômica generalizada no país, a produção de grãos da Bahia não só cresce, como gera empregos. É o que constata a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base no Levantamento Sistemático de Produção Agrícola, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O documento projeta crescimento de 17% da produção baiana até o final de 2015, em relação ao ano passado. A safra deve atingir 9,3 milhões de toneladas, sendo 4,5 milhões de toneladas somente de soja.


“O melhor é que o setor, assim como a fruticultura, está em franca recuperação na geração de empregos”, frisa o coordenador de Acompanhamento Conjuntural da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, Luiz Mário Vieira.


De acordo com a SEI, o agronegócio baiano, que há dois anos registrava perda de 16.4329 postos de trabalho, este ano já é responsável por 7.419 novos empregos. Os investimentos em produtividade e a alta do dólar, facilitando as exportações, estariam entre as razões.



Tags
destaque 2