Os produtores independentes de petróleo que atuam na Bahia comemoraram o anúncio feito nesta quarta-feira (03.03) pela Petrobras do início do processo de venda dos campos terrestres, com a cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção. A medida faz parte do Plano de Desinvestimento da Petrobras e, conforme informou a estatal, será realizada por meio de processo competitivo.
Somente no estado há cerca de 80 campos terrestres. “A Bahia tem muito a ganhar, seja pela geração de empregos, seja pelos royalties, que impactam positivamente a renda de estados e municípios envolvidos”, declarou o secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (Abpip), Anabal Santos Jr.
Em nota, a Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) diz que a “notícia, animadora para o setor de óleo e gás, aponta para um cenário de oportunidades para toda a cadeia de produtores e fornecedores baianos”. Afirma ainda que “há anos vinha estimulando debates e gerando conteúdo no sentido de promover a entrada de novos atores que fossem capazes de reverter a tendência de queda da produção de petróleo da Bahia”.
Entre os pequenos acionistas da Petrobras, no entanto, há quem tenha ressalvas: “Inicialmente, preocupa-nos a venda de ativos em momento de baixa acentuada na cotação do petróleo no mercado mundial, o que pode gerar o risco da venda ser realizada com valores muito deprimidos, resultando em prejuízo futuro para a companhia e seus acionistas”, afirmou o geólogo Antônio Rivas, que já foi dirigente da estatal na Bahia.
Recuperação -Já para a Abpip, a medida está sendo vista como um pontapé inicial do processo de recuperação de produção de petróleo, a partir da revitalização dos campos terrestres, que, diante do potencial da camada pré-sal, já não representavam mais viabilidade econômica para investimentos pela Petrobras. “É um primeiro passo, importante, que demonstra também a responsabilidade da Petrobras em procurar uma alternativa para não prejudicar ainda mais as populações do entorno destes campos, umavez que ela não pretende investir mais nessas regiões”, diz Anabal.
Os produtores aguardam agora pela publicação do edital, onde constará o detalhamento das condições da venda dos ativos pela estatal, sobretudo a quantidade de campos que serão colocados à venda.
Havia já uma expectativa em torno da medida, desde o início do ano, quando a companhia iniciou um processo de desmobilização nos pequenos campos em terra, cancelando contratos com fornecedores e suspendendo a programação de novos poços.
“Depois de quase dez anos de luta, nossa expectativa agora é que o processo competitivo se dê com regras claras e de mercado, no sentido de que a Petrobras se proponha a comprara produção por um preço justo e de mercado e que as autoridades estejam sensíveis para que o empreendedor possa ter condições razoáveis para realizar seus investimentos e recuperá-los”, frisou Anabal.
Por parte dos pequenos acionistas, Rivas frisa que as regras devem ser criteriosas para não surtir efeito contrário na economia baiana. “É preciso ter cuidado para que o que está sendo proposto como uma das alternativas para aliviar o caixa da Petrobras não venha prejudicar ainda mais a Bahia, ora já fortemente impactada pela queda do brent (uma classificação do petróleo cru)”, disse.