Seagri assina acordo para dinamizar cadeia produtiva do coco

17/03/2016

Assinatura do acordo de cooperação de renovação e dinamização da cadeia produtiva do coco no estado foi assinado entre a Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri) e o grupo holandês Aurantiaca - que há dois anos implantou empreendimentos agroindustriais no município de Conde, na região nordeste - durante encontro realizado para debater oportunidades de desenvolvimento e gargalos que impedem o crescimento da atividade na Bahia e no Brasil. O evento reuniu, em Salvador, produtores e representantes de instituições ligadas ao setor.


O encontro aconteceu no auditório da Seagri e teve palestras do presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco do Brasil (Sindcoco), Fernando Porto, e do engenheiro agrônomo especialista nesta cadeia, Fernando Florence, que apresentou o Plano Estadual de Revitalização e Dinamização da Cadeia Produtiva do Coco, elaborado pela Câmara Setorial de Fibras Naturais, Subcâmara do Coco. O Plano Coco Bahia propõe ações focadas nos eixos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), defesa agropecuária, regularização fundiária, crédito rural, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, meio ambiente, infraestrutura e logística, comercialização, fomento à produção agrícola e agroindústria, além da organização da produção, melhoria da qualidade de produto e normatização nas diversas fases da cadeia.


O secretário Vitor Bonfim, reafirmou o compromisso com o setor produtivo, de avançar com o trabalho das câmaras setoriais. “A nossa missão é trabalhar com afinco para consolidar uma agropecuária pujante, estruturando toda a cadeia produtiva. O desenvolvimento das câmaras é imprescindível nesse processo, porque une todos os elos da cadeia, e aproxima o setor produtivo do governo do Estado”. Segundo ele, a cocoicultura tem enorme potencial. “É um setor que emprega 240 mil pessoas, “e não vamos medir esforços para cumprir o compromisso de colocar o Plano do Coco em prática”.


O vice-presidente da Aurantiaca, Roberto Lessa, entregou ao secretário o primeiro esboço do Plano Coco Bahia, elaborado pela empresa, que articula a estruturação de todos os elos da cocoicultura baiana. “Se não plantar vai faltar coco. Esse é um plano executivo que coloca em prática o protocolo de cooperação assinado entre Governo do Estado e Aurantiaca”. O empresário destacou que “a ideia é instalar escritórios itinerantes para manter o diálogo entre agricultores e instituições financeiras. Um hectare plantado dá ao produtor a possibilidade de renda mensal de R$1.300, com produtividade”. O grupo instalou em Conde as fazendas Arantiaca Agrícola e a Frysk Industrial, e, além da fabricação de água de coco e sucos saborizados à base da bebida em embalagens tetra park, a indústria produz, por meio da fibra do coco seco, biomantas utilizadas na recuperação ambiental.


Produção


A Bahia é o maior produtor de coco do Brasil, com área plantada de 75,8 mil hectares, Valor Bruto da Produção Agrícola (VBPA) estimado em R$ 273,5 milhões, e produção de 553.759 milhões de frutos/ano, seguido do Ceará (272.060) e Sergipe (242.852). Apesar, disso, o estado ainda possui baixa produtividade e a cadeia nacional vem sofrendo prejuízos decorrentes da concorrência com produtos importados (água de coco e coco ralado) oriundos principalmente do continente asiático.


Em relação à importação do coco seco no Brasil, além de chegar com preços baixos, não segue as exigências fitossanitárias durante o processamento, transporte e estocagem. Também não existem políticas nacionais de importação alinhadas às mesmas exigências feitas aos produtores brasileiros no que diz respeito às normas fitossanitárias e leis trabalhistas. A maior ameaça atualmente é a entrada do amarelecimento letal, praga coqueiro.


A cultura do coco está concentrada nos territórios do litoral norte/agreste baiano, baixo sul, litoral sul e Costa do Descobrimento, responsáveis por 82% da área plantada e 63% da produção estadual, em 2012. O Território de Identidade Litoral Norte/Agreste Baiano concentra 37% da produção, sendo os municípios do Conde, Jandaíra e Esplanada, os maiores produtores do estado. Além destes polos, se destacam os perímetros irrigados de Rodelas e Juazeiro, e a Costa Litorânea do Baixo Sul e Sul da Bahia entre Ilhéus e Belmonte.
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