Alessandra Nascimento
Mesmo com o dólar situado em uma das mais baixas cotações da história, os exportadores de produtos manufaturados, como calçados, móveis e materiais elétricos, aumentaram em 23,7% o volume de suas vendas ao exterior em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. No caso do setor automotivo, o aumento foi de 16,1%; no de químicos e petroquímicos, passou de 86%. Os números empolgam o segmento calçadista. O setor calçadista nacional é responsável por gerar 352,7 mil postos de trabalho no país, sendo que 33,5 mil empregos são gerados no Estado da Bahia. Em 2009 a produção no país ficou na casa dos 816 milhões de pares de sapatos e no Estado 35 milhões de pares de calçados.
Segundo a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial, Sudic, a Bahia está em fase de expansão na indústria calçadista. “Algumas empresas estão em processo de licitação, ampliação ou solicitação de área. Por exemplo, a Calçados Malú, em Alagoinhas, está aguardando resultado de licitação, onde será escolhida a empresa de engenharia que realizará este serviço de ampliação. Além de ampliar o galpão existente, a Malú solicitou um novo galpão. Há também a Free Way, em Jacobina, que está em vias de ser licitada. Em Ruy Barbosa, a Calçados Pegadas e, em Jequié, a empresa Amazonas, já passaram por todo o processo licitatório e só estão esperando serem assinadas as ordens de serviço para iniciarem as obras”, diz.
A Sudic revela que há empresas que estão querendo ser implantadas através da Sudic, a exemplo da Multi Injet, que atenderá a Bibi Calçados, em Cruz das Almas. “Existe também uma grande empresa, cujo nome ainda não pode ser divulgado, a pedido da própria empresa, que fez solicitação de área da Sudic para ser instalada em Governador Mangabeira. Esta empresa já existe em outros estados do Nordeste e Sul do país, e atende grandes marcas, como Beira Rio, Dakota, Oakley e Indaiá”, cita o órgão.
Produção deve crescer 10%
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes e Artefatos da Bahia, Sindicalçados, Haroldo Ferreira, a Bahia consta com 48 empresas produtoras de calçados, sendo que destas 22 são associadas ao Sindicalçados. “Fechamos o ano de 2009 com mais de 35 milhões de pares de calçados produzidos na Bahia e estimamos que neste ano de 2010 cresceremos por volta de 10%. Atualmente o percentual de produtos exportados fica em torno de 15% da produção”, revela
Ferreira diz que os principais concorrentes para o mercado interno são os produtos asiáticos, que apesar da sobretaxa de importação no valor de U$ 13,85 sobre o calçado produzido na China, as importações de outros países asiáticos vêm aumentando.
“Quanto a influência do dólar baixo nas exportações, se dá na perda de competitividade dos nossos produtos no mercado exterior, ou seja, nosso produto fica mais caro nos mercados consumidores. Em relação aos desafios do setor calçadista na Bahia, eles se resumem na manutenção das políticas estaduais de apoio as empresas, bem como a nível nacional na redução da taxa de juros a qual impacta muito em todos os setores produtivos”, informa.
CALÇADO - A Associação Brasileira da Indústria de Calçados, Abicalçados, revelou que, em termos de preço, o calçado brasileiro é uma opção entre os caros modelos italianos e os chineses . “O Brasil produz os mais variados tipos de calçados. Desde março deste ano, foi instituída, pelo Governo Federal, a tarifa antidumping para calçados importados da China, no valor de US$ 13,85 o par.