Segurança em relação às pragas e apoio público favorecem expansão do cultivo no estado
DONALDSON GOMES E MIRIAM HERMES
Segunda maior produtora de citros do Brasil e dona de áreas para expansão no Oeste e no Vale do São Francisco, a Bahia pode aproveitar a segurança em relação às pragas que atacam a cultura e o interesse do governo local em expandir a atividadequechega a empregar 20 mil pessoas na safra para crescer. Este ano, o Estado deve produzir 898 mil toneladas de laranja em 67 mil hectares, enquanto São Paulo, responsável por 78% da produção brasileira deve chegar ao fim do ano com uma safra de 15 milhões de toneladas em 724 mil hectares.
Nos últimos dez anos, os paulistas amargaram uma retração de 22,8% nas lavouras, por conta de pragas como a greening, enquanto a Bahia apresentou um crescimento de 20%. Talvez por isto o estado esteja atraindo o interesse de empresários do Sudeste que já anunciam investimentos no Oeste baiano.
Atualmente, 70% da produção baiana de citros se concentra no Litoral Norte e 20% está no Recôncavo. O Oeste baiano responde por menos de 10% do total e no Vale do São Francisco o registro é de 62 hectares plantados, o que correspondem a 0,09% atualmente.
Os principais municípios produtores são Inhambupe, Itapicuru e Rio Real, com 33 mil hectares e tendência de incremento de novas áreas, de acordo com a Seagri. Cruz das Almas, outro grande produtor, tem área plantada de 2 mil hectares.
A Bahia está sendo procurada por empresários paulistas interessados em migrar para cá, de acordo com informações da Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri).
No último dia 8, o órgão anunciou o investimento de R$ 1,5 milhão de um grupo de empresários em 300 hectares na cidade de Correntina, região Oeste.Um dos membros do grupo, Frederico Guilherme Ivers, no entanto, preferiu evitar falar em valores. Mas confirmou que tem propriedades em terras baianas, que, para ele, podem ser um novo destino de citricultores. ?Depende bastante da pesquisa e das precauções a serem adotadas?, disse.
Um dos projetos mais antigos de fruticultura irrigada no cerrado, a fazenda Agronol, em Luís Eduardo Magalhães, cultiva laranja pera rio, limão Taiti e tangerina pokan há mais de 12 anos, com produção anual em torno de 10 mil toneladas.Deacordocom o diretor da fazenda, Mark Hilmann, o principal entrave é a falta de indústrias e de logística de escoamento.
A região cortada pelo Vale do São São Francisco é apontada como outro possível polo de expansão. O presidente do Instituto da Fruta do Vale do São Francisco na Bahia, Ivan Pinto da Costa, vê com bons olhos a possível chegada da fruticultura, mas lembra que o mercado apresenta algumas dificuldades para o produtor, além das pragas. É um mercado muito concentrado.
Em São Paulo, por exemplo, a produção é comandada por três empresas da indústria de sucos, que terminam ditando as regras. ?Se a Bahia souber monitorar os riscos, certamente seremos um polo fantástico?, diz.
De acordo com a Seagri, existe a intenção de reativar pelo menos uma das duas fábricas de suco de laranja que estão paradas há mais de cinco anos e tentar atrair novos investidores. Por enquanto, o que não é aproveitado in natura da produção está sendo processado no vizinho estado de Sergipe.
A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) informa que a fiscalização está usando a Portaria 030/2010 para impedir que produtos advindos de estados contaminados ingressem no Estado.
Para o presidente da Associação Nacional de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, o cultivo de uma mesma cultura em grandes áreas tende a facilitar proliferação de doenças e pragas. A descentralização é uma opção. ?Isso deve ser feito com bastante profissionalismo, porque a atividade exige cuidados específicos?, aponta.
Preços em alta Segundo o coordenador técnico da Câmara Setorial da Citricultura Litoral Norte e Agreste da Bahia, Geraldo Souza, a redução dos estoques de suco concentrado para exportação aumentou a demanda pelas indústrias.
?Isso elevou em 100% a cotação da laranja, que está oscilando em R$ 300 a tonelada?, aponta. Entretanto, acrescenta ele, os produtores consideram que os ganhos deste ano apenas cobrirão parte das perdas acumuladas nos quatro anos anteriores, de preços deprimidos. A expectativa da classe é que os atuais preços perdurem pelo menos por mais dois anos.
Bahia recebe investimentos de empresários de São Paulo
21/06/2010