A terceira geração da indústria petroquímica que está crescendo no Polo Industrial de Camaçari reforça a permanência das empresas no estado e a atração de outras indústrias. A integração e o adensamento das cadeias produtivas no Polo, idealizados há 35 anos, consolidam-se com a implantação do Polo Acrílico da Basf, que obtém matéria prima da Braskem, fabrica um polímero superabsorvente e fornece para a Kimberly Clark, que produz, na sua unidade de Camaçari, fraldas, absorventes e papel higiênico. Parte da celulose utilizada pela Kimberly também é baiana, produzida pela Fibria e Suzano, no sul do estado. Juntas, Kimberly e Basf são responsáveis por quase dois mil empregos diretos e indiretos na região de Camaçari.
Não é apenas a dependência da matéria prima que motiva a implantação de novas empresas no Polo. Toda a produção baiana da Kimberly Clark é escoada para o Nordeste por meio de caminhões, e a localização estratégica facilita e reduz os custos. Para o gerente da planta, Marcelo Zenni, a segurança institucional também é fundamental.
Os incentivos fiscais são oferecidos por meio dos programas Pró-Bahia e Desenvolve. Os programas são muito abrangentes e permitem que se tenha condições de oferecer alguns dos melhores incentivos do país. O Governo do Estado também dispõe de áreas em diversas regiões que são vendidas a um custo muito mais baixo do que o setor privado. E, por fim, o apoio institucional que o Estado oferece, em todo o processo de implantação da empresa, desde o licenciamento ambiental, resolução de problemas logísticos, de infraestrutura, energia, inclusive apresentando a empresa aos nossos bancos de fomento para que possa conseguir financiamento para seus projetos.
Os investimentos em infraestrutura ajudou muito o Polo nos últimos anos como a duplicação do sistema da BA-093, da Via Parafus e a duplicação da Cascalheira. Isso criou outras condições de infraestrutura que não existiam.
Balança comercial
A diretora do Complexo Acrílico da Basf, Tânia Oberding, informa que a estimativa do impacto da unidade na balança comercial brasileira é de US$ 300 milhões. “São US$ 200 em importações que não estão mais sendo feitas, já que agora somos autossuficientes em ácido acrílico e superabsorventes, e temos ainda US$ 100 em exportações”. Segundo ela, a planta está operando praticamente no limite. “A fábrica de ácido acrílico foi feita em escala mundial, com capacidade para produzir 160 mil toneladas por ano e está praticamente cheia. No segundo ano de operação ter essas plantas produzindo quase 100% da capacidade é sinal que a gente tinha que ter essa fábrica aqui. Não sei se a expectativa era tão agressiva, mas o resultado é bom”, afirma Tânia.
Ela informa que houve transferência de tecnologia para a implantação da unidade. “O projeto foi baseado na planta chinesa, com melhorias. Quem deu a informação inicial para esta tecnologia foram os EUA, a Alemanha e a Bélgica”. O empreendimento contou com investimentos de R$ 1,2 bilhão, o maior montante empregado pela multinacional alemã ao longo de mais de 100 anos na América do Sul, e gera atualmente 230 empregos diretos e 600 indiretos.
Geração de emprego e renda
Segundo Marcelo Zenni, a Kimberly hoje conta com 430 empregados diretos, outros 200 são terceirizados fixos e mais quinhentos indiretos, totalizando mais de 1.100 postos de trabalho. “Estar na Bahia em um momento desses foi importante. Não perdemos um único posto de trabalho nestes últimos dois anos de crise que atingiu o Brasil inteiro e o desemprego cresceu. Aqui na nossa unidade, não perdemos um posto de trabalho”. Ele afirma que o objetivo é aproveitar a mão de obra da região. Os trabalhadores locais são cerca de 70% dos colaboradores. Camaçari tem se desenvolvido muito na questão educacional e técnica e a gente precisa disso. Aos poucos vamos chegar a 80% da mão de obra sendo de Camaçari”.
Hoje engenheiro de produção da Kimberly, Alan Cícero de Souza, 29 anos, começou como técnico, há quatro anos e meio. “Eu cheguei aqui na época da terraplanagem ainda, fomos para São Paulo para fazer treinamento. Hoje a gente vê a companhia crescendo”. Alan conta que a empresa oferece bolsas técnicas e de nível superior, além de flexibilizar os horários para conciliar com os estudos. “Hoje sou formado em engenharia mecânica, tenho minha casa, meu carro, consegui investir em terrenos, cresci muito desde que entrei aqui. O mais interessante é que eles dizem que nós é que começamos essa fábrica, que nós somos de Camaçari e região, que essa fábrica é nossa, é o nosso futuro. Eles investem muito pensando em longo prazo”.
Basf e Kimberly fortalecem geração de empregos no Polo
17/04/2017