Minifrutos ornamentais são a grande aposta

12/07/2010

INOVAÇÃO Setor movimenta R$ 660 milhões para produtores e R$ 24 bilhões para varejistas do País



BRUNA HERCOG



Bananas e abacaxis com tamanhos que variam entre 5cm e 7cm e têmdiversas colorações são a grande aposta para o próximo ano. As fruteiras ornamentais são novidade no setor da floricultura, mercado em constante crescimento no Brasil. A atividade típica da agricultura familiartambémpodeser atrativa para as empresas de grande e médio portes.



O setor movimenta cerca de R$ 660 milhões para produtores, R$ 990 milhões para atacadistas eR$24 bilhões para varejistas do País, de acordo com estudo divulgado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, localizada no município baiano de Cruz das Almas, a 146 Km de Salvador.



Há seis anos, aEmbrapadesenvolve programas de melhoramento genético de abacaxi, banana, acerola e maracujá.



Os minifrutos resultam desse processo e podem ser utilizados em diferentes arranjos. Por enquanto, são expostos em feiras pelo País.



Em 2011, passarão a ser comercializados.



Curiosos e atraentes, os abacaxis e bananas em miniatura são saudáveis, mas não foram produzidos para o consumo. A pesquisadora da Embrapa, Janay Serejo, explica que o processo de melhoramento genético prioriza a estética e não o sabor dos minifrutos.



Por isso, eles podem ser mais fibrosos e ácidos do que as frutas comuns.



Para conseguir o material híbrido que chega até o produtor, a Embrapa avaliou coleções com 700 tipos de abacaxis e 300 de banana.



Pesquisa O nível de aceitação das frutas ornamentais foi avaliado pelaEmbrapaa partir deuma pesquisa de mercado. Foram consultados 58 consumidores, 17 produtores, um proprietário de floricultura, sete proprietários de horto, dois paisagistas e floristas e três técnicos da área de paisagismo.



A opinião dos entrevistados foi fundamental para a Embrapa definir tamanho de coroa, formato e coloração dos minifrutos.



A pesquisa entre os produtores ainda está sendo elaboradaedeveserdivulgadapela Embrapa nos próximos meses.



Comrelaçãoaosabacaxis, Janay Serejo explica queuma das vantagens para os produtores é que, utilizando uma mesma área, produz-se mais minifrutos do que abacaxis comuns. ?É possível ter em torno de 60 mil a 70 mil plantas por hectare, contra 40 mil a 50 mil das cultivares para alimentação?, informa.




O valor de venda do produtoemminiaturatambémé mais elevado do que o preço atribuído às frutas em tamanho padrão. A haste do miniabacaxi custa entre R$ 1,50 e R$ 2,50.



Noentanto,apesquisadora ressalta que a ideia não é deixardeplantarbananaouabacaxi para se dedicar exclusivamente aos minifrutos. O cultivo das frutas ornamentais deve funcionar como renda complementar para os agricultores que já plantam abacaxi, banana ou citros (laranja, tangerina, limão).














Bahia tem potencial para produzir minicenouras




Aocontráriodosminifrutos, as mini-hortaliças são próprias para o consumo e já fazem parte do cotidiano da população em países como Estados Unidos, onde as baby carrots (minicenouras) são consumidas tradicionalmente como petiscos.



Com alto valor agregado, as minicenouras, assim como as minibeterrabas e os minitomates, vêm atraindo o interesse de produtores brasileiros, com destaque para os agricultores das regiões Sul e Sudeste.



Processamento A Bahia ainda não produz minicenouras, mas tem um grande potencial. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Hortaliças, Milza Lana, o município de Irecê ? que integra umas das maiores regiões produtorasdecenoura do Brasil ? tem condições de produzir as minicenouras, feitas a partir do processamento das cenouras de tamanho padrão, sem necessidade da utilização de aditivos.



?Colher o refugo da lavoura éumaboa solução para os produtores. Com os equipamentos apropriados, é possível produzir as minicenouras?, explica Lana.



A Embrapa Hortaliças desenvolveu equipamentos, a custo acessível, que atendem à demanda da agroindústria familiar.



Mão de obra Aprocessadoraproduzcerca de 300 quilos de cenourete oucatetinho (formatodebola) por dia. Já a cortadora, produz até 2 toneladas.



Outra facilidade é que a mão de obra não precisa ser especializada. Os principais cuidados na produção devem ser tomados com o processo de higienização, resfriamento e transporte das minicenouras.








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