Através de um contrato de parceria entre a Braskem e a empresa francesa EDF Renewables do Brasil, com investimentos entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões, a Bahia vai contar, a partir de 2020, com o Complexo Eólico Folha Larga, localizado no município de Campo Formoso, a 350 km de Salvador. O acordo é um compromisso de longo prazo (20 anos) para compra da energia renovável do complexo que tem previsão de 33 MW instalados. O empreendimento foi viabilizado pela contratação de venda de energia de longo prazo nos leilões do governo e pela celebração do compromisso da Braskem no ambiente de contratação livre.
O contrato vai viabilizar a expansão da primeira fase do complexo. “A Bahia tem se tornado referência nacional em energia renovável”, afirma Gustavo Checcucci, diretor de Energia da Braskem.
“Estamos fazendo nossa parte para o desenvolvimento desse setor e para o crescimento do Estado da Bahia. Ao investir numa matriz limpa e sustentável, estamos reduzindo a quantidade de emissões de CO2 em 325 mil toneladas ao longo do período do contrato", explica Checcucci. Ele acrescentou que o investimento em energia local, social e sustentável uniu as iniciativas de atenção com os custos de produção às atividades de projetos sociais mantidos pela Brasken.
Checcucci explicou ainda que se trata da primeira experiência do tipo e a Bahia foi escolhida pela importância do estado nas atividades da companhia e pelo potencial eólico da Bahia. A empresa já possui contratos em volumes menores, apenas de compra de energia no mercado livre, esclarece.
“A Braskem possui uma matriz energética elétrica muito influenciada pelo mix do Brasil como um todo. O Nordeste sofreu muito com a seca dos últimos anos que se refletiu na produção de energia e se não existisse a atividade das eólicas, a situação seria muito pior”, avalia.
Potencial
“O Projeto da Braskem com a EDF Renováveis é um exemplo de parceria de sucesso entre duas empresas já instaladas na Bahia. A EDF já desenvolve diversos projetos eólicos no semiárido, na região de Mulungu do Morro e Campo Formoso, e a Braskem é uma indústria petroquímica referência no mundo e grande demandante de energia. A escolha por contratar energia direto de uma geradora une a necessidade industrial com a possibilidade de projetos competitivos e de longo prazo (20 anos) através do mercado livre”, afirma Luiza Maia, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE).
“Esta é a nova tendência do mercado de energia e a Bahia já está estruturada para continuar viabilizando oportunidades de novos investimentos no interior, como este novo parque”, conclui Luiza Maia.
A Bahia hoje possui mais de 118 usinas em operação com potência instalada de aproximadamente 3GW, totalizando mais de R$ 11 bilhões em investimentos, distribuídos em 17 municípios, segundo a SDE. Destes, os que possuem maior número de parques eólicos são: Caetité, Campo Formoso, Sento Sé, Gentio do Ouro, Igaporã, Guanambi e Pindaí.
Além deste, Brotas de Macaúbas, Cafarnaum, Bonito, Brumado, Casa Nova, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Sobradinho, Xique-Xique e Dom Basílio vêm despontando como novas fronteiras do desenvolvimento eólico baiano.
Os investimentos já contratados no setor durante o ano por meio dos leilões de energia devem fazer a Bahia ganhar mais 622 MW de energia eólica até 2024.
As empresas
A Braskem é a maior petroquímica das Américas e líder global na produção de biopolímeros, com produção anual de 20 milhões de toneladas, incluindo produtos químicos e petroquímicos básicos, e receita líquida de R$ 50 bilhões em 2017. Exporta para clientes em cerca de cem países e opera 41 unidades industriais, com destaque para o Polo Petroquímico de Camaçari.
Estabelecida há três anos no Brasil, a EDF Renewables é uma das empresas líderes do país no setor de energias renováveis, com cerca de 1 GW em projetos de energia eólica e solar (parques em operação e em construção).
No último leilão realizado pelo governo federal, em 31/08/2018, a EDF ganhou dois projetos eólicos localizados na Bahia, totalizando 276 MW, 1/4 das capacidades de 1200 MW oferecidas. Um deles foi um acréscimo de 147 MW aos 114MW do complexo Folha Larga, adquirido no leilão de abril último. O segundo representa um aditivo de 129 MW ao parque eólico Ventos da Bahia, nos municípios de Bonito e de Mulungu do Morro, que gera 183MW.