NEGÓCIOS Estado diz que Schincariol e a Coca-Cola descumpriram acordo
BRUNA HERCOG
O secretário da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), James Correia, informou ontem que foram suspensas as obras de ampliação da fábrica da Schincariol, em Alagoinhas, e da Coca-Cola, em SimõesFilho.
O motivo alegado foi o descumprimento do protocolo de intenções firmado entre empresários e governantes que prevê prioridade de contratação de construtoras baianas para realização das obras em troca de incentivos fiscais.
As empresas afirmam que não receberam nenhuma notificação da SICM e que suas obras seguem as determinações previstas no protocolo firmado com o governo baiano.
Em cada fábrica serão investidos recursos da ordem de R$ 400 milhões para ampliação e modernização. O percentual de incentivos fiscais oferecidos às empresas não foi informado pelo secretário James Correia.
De acordo com ele, as duas empresas teriam contratado uma construtora do Ceará (cujo nome não foi revelado) para realizar as reformas.
Correia diz “que acredita que não será preciso, mas que se as empresas não interromperem as obras e contratarem construtoras baianas, o governo, em último caso, suspenderá os incentivos fiscais”.
Segundo ele, a Prefeitura de Alagoinhas– que também oferece incentivos fiscais municipais à Schincariol – apoiou o Estado na determinação da suspensão das obras.
Já o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Meio Ambiente de Alagoinhas, Rannyery Miranda, afirma que não estavam cientes da decisão do Estado. “Fomos pegos de surpresa. Vamos averiguar as informações”, disse Miranda.
Mal-entendido O relações-institucionais da Norsa, fábrica franqueada do Sistema Coca-Cola, José Manarino, explica que houve um grande mal-entendido, “pois as obras de modernização da fábrica de Simões Filho serão iniciadas esta semana e serão realizadas por uma construtora baiana e conta com mão-de-obra local”.
Manarino afirmou que é o responsável direto pelas negociações, mas não disse ao A TARDE o nome da construtora contratada.
Em nota oficial, o Grupo Schincariol diz “que utiliza critérios técnicos para a escolha de parceiros e dá preferência para a contratação de fornecedores locais e que já trabalha de forma a responder aos questionamentos levantados pela SICM”.
Na nota, o grupo afirma que cerca de 400 profissionais atuam no empreendimento e apenas 6% são de contratados fora do Estado.