Dois convênios de cooperação técnica foram assinados pelo secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, na sexta-feira última, durante a Feira de Agricultura Irrigada (Fenagri), realizada em Petrolina (PE). Um dos acordos tem o propósito de transformar Morro do Chapéu em produtor de uvas especiais para vinhos finos.
O primeiro convênio estabelece a realização de uma análise técnica e econômica do cultivo de videiras viníferas na Chapada Diamantina. A ideia é que a região, de clima temperado, possa se tornar referência no preparo de vinhos.
Este termo de cooperação foi assinado com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido) e a Associação de Criadores e Produtores de Morro do Chapéu. O convênio prevê a instalação de unidades de observação (UOs) na Chapada Diamantina, com vinhedos experimentais e as culturas do pessegueiro, amexeira, pereira, macieira, cerejeira e oliveira.
Processamento de frutas – O outro convênio é voltado para a realização de um pré-estudo para instalação de uma indústria de processamento de frutas no Vale do São Francisco, a exemplo de manga, uva, abacaxi, graviola, mamão, romã, maracujá, umbu, acerola, banana e grapefruit.
A avaliação do desempenho agronômico ficará a cargo da Embrapa Semiárido e da EBDA. O projeto será implantado em área pertencente à Associação de Criadores e Produtores de Morro do Chapéu.
A ideia é que possam ser produzidos sucos naturais e concentrados, polpas, frutas secas e desidratadas, compotas e saladas de frutas.
A parceria foi firmada entre a Secretaria da Agricultura (Seagri), a Special Fruit, a Associação dos Produtores do Perímetro Irrigado de Mandacaru, a Associação dos Fruticultores do Perímetro Irrigado de Curaçá e a Associação de Pequenos Produtores Manga Brasil.
Segundo o presidente da Special Fruit, Suemi Koshiama, a assinatura do convênio é o começo da agroindustrialização do Vale do São Francisco. "Vamos poder identificar o mercado para o suco, as frutas desidratadas e outros tipos", disse.
Maior potencial – Na Chapada, o município de Morro do Chapéu é um dos que possuem maior potencial para a fabricação de vinhos finos, como afirmou o secretário da Agricultura.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, Giuliano Pereira, o vinho produzido na Chapada, em municípios como Morro do Chapéu, será um dos melhores do Brasil. "Vamos poder compará-lo ao produzido em outras cidades, como Uruguaiana, São Joaquim, Espírito Santo do Pinhal, que são referência em todo o mundo."
Pereira disse que existe explicação para o sucesso da bebida na região. Trazidas da Europa, de países como França, Espanha e Itália, as variedades de uva cultivadas são de excelente qualidade e permitem o preparo de vinhos de guarda, ou seja, que podem ser consumidos em até 30 anos.