Novos Levantamentos Aerogeofísicos vão mapear subsolo de 109 municípios baianos

05/08/2010


A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) iniciou, em 21 de julho, a execução de dois novos Levantamentos Aerogeofísicos no Estado,para omapeamento do subsolo de duas regiões(Ipirá - Ilhéus e Porto Seguro - Caravelas). Esses levantamentos, que têm por objetivo descobrir novas jazidas mineraisnas áreas compreendidas, cobrirão territórios de 109 municípios (ver relação abaixo), cujas prefeituras estão sendo comunicadas sobre a operação, visando apoio ao trabalho dos técnicos. Nesse tipo de operação o avião sobrevoa a uma altura mínima, em torno de cem metros acima do terreno. Com isso, a população da zona rural está sendo informada sobre os trabalhos e sua finalidade.



O trabalho está sendo executado mediante Convênio de cooperação técnica nº 013/CPRM/10, no valor de R$4,5 milhões, sendo 40% de participação da SICM/CBPM e 60% do Governo Federal, através do Serviço Geológico do Brasil - CPRM.



O Levantamento Aerogeofísico destas novas áreas prevê o recobrimento de mais 8,7 % do Estado, totalizando 48.877km2.. Na prática,este Levantamento Aerogeofísico utiliza métodos magnético e gamaespectrométrico, cujos sensores medem as variações dos campos naturais da terra, indicando locais com condições geológicas para conterem depósitos minerais. Por conseguinte,agiliza os processos de identificação de ambientes geológicos e a seleção de novas áreas para pesquisa mineral, através da revelação de alvos anômalos que indicam a possibilidade da existência de mineralizações. Estes programas têm utilizado os mais modernos sistemas geofísicos de alta resolução disponíveis no mundo e têm conduzido à adequação de metodologias de trabalho, levando, conseqüentemente, à minimização dos custos das pesquisas subseqüentes. É comose fosse umaespécie de radiografia, que indica que naquele subsolo pesquisado há potencial para determinado tipo de minério”, explica Rafael Avena Neto, diretor técnico da CBPM.



Perspectivas – O trabalho será finalizado no primeiro trimestre de 2011, conforme contrato que estabelece o prazo de 210 dias, a partir de 21 de julho deste ano, para conclusão de todos os serviços programados, incluindo o processamento de dados e relatório final. “Pelas descobertas que fizemos, nos últimos aerolevantamentos, as nossas expectativas são as melhores possíveis. Esses trabalhos e as novas pesquisas empreendidas pela CBPM, a partir de 2007,fizeram com que a Bahia superasse Minas Gerais em termos de requerimentos de áreas. Além disso, com aentrada em produção das novas minas viabilizadas no Estado (Níquel de Itagibá, Ferro de Caetité, Ouro da Santa Luz, Bentonita de Vitória da Conquista e Vanádio de Maracás) farão com que, já a partir de 2012, a Bahia passe do quinto para oterceiro lugar no ranking de estado produtor de bens minerais do país, garante Avena Neto.



Conforme dados de 2008, esse ranking está configurado da seguinte forma: Minas Gerais ocupa a primeira posição (53,90%); em segundo lugar está o Pará (24,69%); em terceira posição o estado de Goiás (5,85%); em quarto lugar o estado de São Paulo (2,77%); a Bahia ocupa a quinta posição (2,20%); e o Estado de Sergipe é a sexta colocada (1,57%) no ranking. Os demais estados representam 9,02% da produção de bens minerais do país.



“Nosso crescimento tem sido de tal sorte que em 2007 ultrapassamos Minas Gerais em pedidos de requerimento de pesquisas junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), com mais de 5.200 mil pesquisas. Em 2009, por exemplo, tivemos 3.508 pedidos de requerimento contra 3.008 pedidos para Minas Gerais. Esse é um passo vigoroso do segmento e demonstra que empresários, de variadas partes do mundo, está procurando minério na Bahia. Eles perceberam que o nosso estado tem um grande potencial mineral. Podemos afirmar que a Bahia é a bola da vez pela busca das riquezas de seu subsolo”, destacou o secretário de Indústria, Comércio e Mineração, James Correia.



A CBPM é a empresa de desenvolvimento mineral do Estado da Bahia e nesse sentido é a responsável pela pesquisa e prospecção da riqueza mineral do Estado. Após a descoberta das oportunidades minerais, aempresa realiza licitações para encontrar empresas privadas interessadas em fechar parceria, onde parte das pesquisas são realizadas pela iniciativa privada e, se for viabilizada a jazida, a empresa repassa para a CBPM, parte daprodução comercializada em forma de royalties, que variam de 2,5% a 8%.



Exemplos bem sucedidos não faltam - Somente de 2009 para 2010, a Bahia conseguiu atrairdiversas novas mineradoras, destacando-se a Mirabela Níkel que começou esse ano a explorar amaior minade níquel à céu aberto do mundo e a maior descoberta mineral da América Latina nos últimos dez anos,situada no município deItagibá; a mineradora Ferrous quepesquisa o minério de ferro no município de Coração de Maria; a Bahia Mineração - BAMIN, que também se dedica apesquisa do minério de ferro no município de Caitité; a Rio Tinto -Alcan que realiza pesquisas geológicas para extração e refinamento da bauxita, numa faixa que vai de Jaguaquara a Vitória da Conquista; eas empresas Largo Mineração e Yamana, que reiniciaram as pesquisas de Vanádio em Maracás e Ouro em Santa Luz respectivamente.



Aerolevantamentos - Com mais esse importante trabalho, a Bahia, que já é o estado brasileiro mais bem estudado geologicamente falando, torna-se também o mais bemcoberto em termos de aerolevantamentos geofísicos, tendo sido realizados, até o momento, pela CBPM, 34 projetos (incluindo os dois novos), numa área total de 307. 328km², com 717. 806km voados, o que representa cerca de 54% do território baiano. Este total, acrescido de 40.508km² dos Levantamentos Aerogeofísicos já realizados pela CPRM no Estado da Bahia, representam aproximadamente 60%, isso sem contar com os levantamentos realizados nas bacias sedimentares, pela Petrobras e ANP, o que praticamente quase cobre todo o Estado.



As áreas Ipirá - Ilhéus e Porto Seguro- Caravelas estão localizadas nas regiões sul e sudeste do Estado da Bahia. Abrangem, parcial ou totalmente, territórios de 109 municípios, inseridos nas regiões econômicas Paraguaçu, Sudoeste, Recôncavo Sul, Litoral Sul e Extremo Sul.



A atual cobertura aerogeofísica está sendo realizada com a subcontratação de uma empresa especializada em serviços de Geofísica Aérea, através do contrato nº015/2010, sob a direção, coordenação, fiscalização e acompanhamento de uma comissão executiva composta por técnicos devidamente qualificados da CBPM/CPRM.



Segundo o diretor técnico da CBPM, Rafael Avena Neto, “a realização do levantamento em foco justifica-se pelo elevado potencial mineral destas regiões, comprovado pela existência de mineralizações de níquel, ferro, titânio, vanádio, manganês, ouro e cobre, associadas com seqüências vulcanossedimentares e corpos máfico-ultramáficos estratificados, além da presença de depósitos já comprovados, como o níquel de Itagibá, com mais de 120 milhões de toneladas e o distrito pegmatítico de Castro Alves, bem como pela necessidade de melhorar o nível de conhecimento geológico atualmente existente em boa parte das áreas destes levantamentos”.



Impacto na economia dos municípiosEm geral as empresas que fecham parceria com a CBPM ou as que iniciam trabalhos em mineração no Estadosão companhias de médio a grande porte, que empregam de duas a três mil pessoas na primeira etapa de implantação do empreendimento e mantém de 500 a mil empregos na fase rotineira de extração e produção. “O importante é que uma mineradora dessas atrai todo um desenvolvimento para o município e região, pois impacta tanto na melhoria da infraestrutura local quanto na geração de novos negócios para atender as diversas demandas criadas, com ênfase, principalmente,para os ramos de transporte, alimentos, hotelaria, escolas, entre outros empreendimentos“, destacou Alexandre Brust, presidente da CBPM.



O presidente está convicto da importância dos resultados da participação do setor mineral na dinamização e interiorização da economia baiana. “Trata-se, decididamente, de levar progresso para regiões onde outros segmentos da indústria, por certo, teriam grande dificuldade para implantação”, acrescentou Brust.

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