Lucy Andrade
A Estação Ferroviária, que liga a Calçada a Paripe, com 13,5 quilômetros de extensão, está completando 150 anos, desde que o primeiro trilho entrou na linha. Ontem, engenheiros, historiadores e professores participaram do ciclo de comemorações aos 150 anos de Ferrovia na Bahia e em homenagem ao professor Vasco de Azevedo Neto, - defensor da expansão das ferroviárias.
Realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o evento termina hoje.
O trem passa pelas estações das comunidades de Santa Luzia, Lobato, Almeida Brandão, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi e Coutos, um percurso que margeia a Baía de Todos os Santos. "O trajeto está fora dos roteiros turísticos da cidade, mas o passeio de trem pela região suburbana surpreende pela beleza das paisagens que revela as contradições e faz parte da história da Bahia. Deveria ser explorada", disse a professora e mestre em Arquitetura e Urbanismo, Etelvina Rebouças Fernandes.
A professora, que foi uma das palestrantes, falou da importância da expansão das linhas férreas para o desenvolvimento urbano. "É preciso mais linhas férreas, para melhorar o sistema de transporte. Se Salvador tivesse expandido em ferrovias metropolitanas, o trânsito não estaria nessas condições e a migração do trem para o metrô seria mais fácil, uma evolução natural e não assim brusca".
Rebouças explicou ainda que a ferrovia apresentou mudanças radicais nos costumes e na economia do Estado. O trem era como o shopping de hoje, todos queriam passear, lembrou a professora. Na escala econômica, o trem foi um intercâmbio das cidades do sertão, era o meio pelo qual se transportava as mercadorias.
"A ferrovia reorganiza as terras que atravessa e influenciou em vários seguimentos, como no avanço da tecnologia da construção, na industrialização de ferros, introdução do emprego e informação. O trem significou um avanço tecnológico e rompeu as estruturas tradicionais na formação das cidades. Mas, a evolução ficou para trás, na história, é preciso projetos de novas construções, o ideal seria um trem que ligasse Calçada a Candeias", sugeriu a professora.
Em comparação com outras cidades como Fortaleza, que tem 42 quilômetros de extensão, Natal tem 56, Recife 32, a capital baiana estacionou na linha com seus 13 quilômetros de extensão. "Estacionamos há 150 anos. Enquanto em outras cidades o processo foi evolutivo, de multiplicidade, nós paramos. Precisamos chamar atenção para o avanço das ferrovias como meio de transporte seguro e rápido e que expande para o crescimento.
Em Fortaleza, por exemplo, dos 42 quilômetros, 22 vão se transformar em metrô. O trem de 150 anos continua no mesmo local, o trem metropolitano é uma das soluções para esse caos no sistema de transporte", disse o presidente da Associação do Leste Brasileiro, (AELB) Clovis Luis Alves Soares.
Os temas abordados nos dois dias de evento são: Ferrovia Oeste Leste, Plano Nacional de Logística e Transportes, projetos da Ferrovia Centro-Atlântica para a Bahia, além de trens metropolitanos e políticas de transportes.
Estação Ferroviária completa 150 anos
10/09/2010