O desenvolvimento econômico na Bahia também passa pela adoção de tecnologias menos poluentes e utilização de técnicas que privilegiem o desenvolvimento sustentável. Uma situação que merece atenção diz respeito ao uso de energia eólica como fonte energética. O estado da Bahia é considerado privilegiado para inserção de energia eólica. Segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, até o momento são 13 empresas que pretendem se instalar nos próximos anos na Bahia, em aproximadamente 23 municípios. O investimento geral é de R$19 bilhões, com geração de aproximadamente 2,6 mil empregos diretos.
O potencial eólico do Estado chamou a atenção do grupo espanhol Gestamp Eólica, que pretende desenvolver na região do Sobradinho o projeto Pedra do Reino. Os investimentos iniciais estão na faixa dos R$ 150 milhões.
A capacidade de produção do empreendimento é de 30 MW, suficientes para iluminar uma cidade com cerca de 50 mil habitantes. Recentemente, o Brasil foi citado numa pesquisa do PNUD, que integra a ONU, como país com grande potencial no mundo para desenvolvimento de energias renováveis, e a eólica é somente uma das possibilidades. Segundo dados do Atlas Eólico Nacional, o potencial de geração de energia eólica no Nordeste é de 75 GW, dos quais 17,5 GW poderiam ser gerados na Bahia, quantidade equivalente à energia gerada por Itaipu e uma usina do Rio Madeira, juntas.
A Bahia, que ficou na terceira posição entre os estados que mais receberão parques eólicos decorrentes do leilão, tem atraído investidores do setor, inclusive empresas estrangeiras.
Além de Sobradinho, o município de Brotas de Macaúbas, situado na região da Chapada Diamantina, tem previsão de instalação de um parque eólico nos próximos anos. Com um investimento estimado em R$ 400 milhões, este Parque Eólico da Bahia deve começar a funcionar em julho de 2011.
Ao todo, são três usinas com capacidade de geração de 90 MW de energia elétrica a partir da força dos ventos. A expectativa é que o parque gere 300 empregos diretos na fase de implantação do projeto e mais 30 na de operação.
O faturamento anual estimado é de R$ 41 milhões e o projeto é do grupo Desenvix.
A geração de energia limpa no estado está estimulando a implantação de fábricas de aerogeradores, torres e componentes industriais para a nova indústria da energia produzida pelo vento. Recentemente, a francesa Alstom decidiu implantar, na Bahia, a sua primeira unidade industrial de turbinas eólicas no Brasil, com prazo de conclusão previsto para o início de 2011.
Estado é destaque em leilão - A Bahia foi o grande destaque no 2° Leilão de Fontes Alternativas e no 3° Leilão de Energia de Reserva - Fase 3, realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com um total de 16 usinas eólicas contratadas. As usinas são relativas aos seguintes empreendedores: Brennand Energia, Chesf, Iberdrola, Renova Energia, Consórcio Pedra do Reino e SoWiTec do Brasil. Estes empreendimentos visam à instalação de parques eólicos nos municípios de Casa Nova, Juazeiro, Sobradinho, Morro do Chapéu, Igaporã, Guanambi e Pindaí e devem estar preparados para a operação a partir de 2013. Os leilões aconteceram nos dias 25 e 26 de agosto último.
Com a boa performance, a Bahia subiu um posto no ranking dos estados contratados nos leilões, comparado ao último certame, alcançando a segunda colocação. O resultado consolidado (referente às duas modalidades) aponta empreendimentos que totalizam 587,4 MW em capacidade instalada. Assim, perdeu apenas para o Rio Grande do Norte, que será responsável por 1064,6MW da capacidade leiloada. O Ceará, pioneiro na utilização desse tipo de energia no Brasil, decresceu substancialmente e aprovou apenas 150 MW em projetos.
Hoje, a Bahia tem protocolos assinados com 11 empresas ligadas ao setor eólico.
No caso da Bahia, como os empreendimentos serão fixados no interior do Estado, é grande a expectativa quanto à contribuição dessa indústria para o desenvolvimento regional.
Chesf também investe
A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf teve a maior venda individualizada por parque eólico no leilão A-3 para fontes alternativas, realizado no último dia 26 de agosto, pela Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel. O empreendimento Central Geradora Eólica Casa Nova, de 180 MW, com 120 máquinas de 1,5 MW cada, será implantado no município de Casa Nova, no estado da Bahia.
A nova central geradora entrará em operação em 1º de janeiro de 2013. O contrato de venda de energia será de 20 anos. Será o maior projeto de energia eólica do País em potência instalada.
Além de marcar forte presença na geração de energia limpa e renovável, a Chesf fomentará o desenvolvimento social da região semiárida nordestina. Cerca de 70 famílias serão atingidas diretamente de forma positiva. São agricultores rurais, que vivem da subsistência, e que receberão uma parcela da receita do projeto em forma de ressarcimento pelo uso de suas terras para implantação do empreendimento.
Oficina discute reaproveitamento do óleo
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, participou de uma Oficina de Capacitação para a aplicação da Resolução 362/2005, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que trata da destinação de óleos lubrificantes contaminados. O evento reuniu representantes de órgãos estaduais e municipais de meio ambiente e sociedade civil. Para Eugênio Spengler, a discussão do tema representa o comprometimento com a causa, à destinação dos óleos lubrificantes é de responsabilidade de todas as esferas envolvidas; órgãos ambientais, setor industrial, ambientalistas, e o estado, que entra como mediador neste processo.
"Hoje temos um mundo em expansão nas diversas áreas, e nós precisamos garantir a inclusão social, produzir alimentos, estimular o crescimento industrial, gerar emprego e renda, melhorando qualidade de vida. A questão ambiental entra como estruturadora de todos esses aspectos", avaliou.
Durante o evento o coordenador do Grupo de Monitoramento Permanente, GMP do Ministério do Meio Ambiente, Edmilson Rodrigues Costa, destacou o poder de contaminação do óleo lubrificante. Ele informou que um litro de óleo usado contamina um milhão de litros de água, e na atmosfera corresponde a 10% da contaminação nos oceanos.
Para ele o aumento da coleta usado ou contaminado no país representa um tripé da sustentabilidade. Segundo Rodrigues, além de beneficiar o meio ambiente, com o reaproveitamento do óleo, o país deixa de importar petróleo do Oriente Médio, ideal para fabricação do óleo, e satisfatório para a economia, ao incrementar a oferta de matéria prima para segmentos em expansão encarregados do rerrefino de óleos lubrificantes, gerando trabalho e renda em regiões do país.
O diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino), Walter Françolin, disse que o óleo usado não agride a natureza se for obedecido à legislação. Ele pode ser aproveitado se tornando 100% igual ao óleo do primeiro refino, que vem diretamente do petróleo. "O produtor é responsável pela coleta e encaminhamento ao rerrefino, processo responsável por descontaminar o óleo usado, e garantir que ele seja reutilizado como matéria prima do processo lubrificante por inúmeras vezes", explicou Françolin. Ele informou ainda, que para cada 100 litros de óleo lubrificante, a economia é de 20 barris de petróleo.
A Resolução 362/2005 regulamenta a reciclagem de óleos lubrificantes usados ou "rerrefino". Ela estabelece que o produto usado ou contaminado deve ser recolhido, coletado e ter destino final, de modo a não afetar negativamente o meio ambiente e a propiciar a recuperação de substâncias nocivas nele contidas. lubrificante
Ecologia: A importância do desenvolvimento sustentável
Panorama da Bahia
O desenvolvimento sustentável é uma das grandes discussões do século. Setores empresariais baianos concordam com a necessidade de se trabalhar o desenvolvimento aliado à sustentabilidade, ao respeito ao meio ambiente. Segundo o vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado da Bahia e coordenador do Conselho de Meio Ambiente da FIEB, Irundi Sampaio Edelweiss, é sempre bom conceituar desenvolvimento sustentável.
"Ele pressupõe, além da viabilidade econômica do investimento a ser realizado, a adoção dos cuidados ambientais requeridos pela atividade prevista e o desenvolvimento social da região em que será localizado. Leve-se em conta o ainda elevado grau atual de desemprego no Estado e a necessidade de investimentos na educação, saúde e segurança, além de infraestrutura, que caracterizam bem a importância, em primeiro lugar, do desenvolvimento econômico do nosso Estado, e, finalmente, da sustentabilidade das atividades contempladas", cita.
Edelweiss revela que a entidade está atenta a esta preocupação. "A maioria das empresas localizadas no Estado já assumiu a sua responsabilidade ambiental e social. O motivo maior das nossas preocupações está voltado à qualidade de vida das populações urbanas, visto que o nível de conscientização da população para cuidados ambientais ainda é muito baixo, o que, aliado à falta de sistemas de tratamento de esgotos e de coleta e destinação adequada do lixo, transforma-se em uma espécie de agressão ambiental continuada", ressalta.
Ele aponta os trabalhos realizados pelo Conselho de Meio Ambiente da Fieb, há mais de 10 anos. "A sua missão primordial é a de disseminar a necessidade de adoção de cuidados ambientais nos processos industriais de seus associados. Para isso, anualmente distinguimos as empresas que mais se destacam com intervenções de melhorias no campo ambiental", avalia.
Sobre a geração de energia a partir de fontes renováveis, ele destaca que elas são sempre preferíveis às de energia fóssil. "O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Acontece que as alternativas para continuar nesse padrão estão se esgotando. As hidrelétricas estão cada vez mais sofrendo restrições à sua instalação. O potencial de geração de energia eólica no país não é suficiente para sustentar o crescimento da demanda por energia, requerido para o seu desenvolvimento econômico e social. São três milhões de jovens que chegam anualmente ao mercado de trabalho.
Assim, deveríamos aproveitar o máximo potencial de cada fonte de geração de energia renovável e suplementá-la com outras fontes tradicionais", comenta.
Edelweiss destaca que não existe geração de energia sem algum ônus ambiental, mesmo as consideradas renováveis.
Procia quer respeito ambiental
O presidente da Associação de Empresas do Centro Industrial de Aratu, Procia, Marconi Andraus, considera que o desenvolvimento passa pelo respeito ao meio ambiente. "No meu entendimento, esta é uma questão já superada. Pensar em projeto de desenvolvimento, no curto, médio ou longo prazo, sem considerar os fatores fundamentais à sua sustentabilidade - e me refiro não só aos fatores econômico e ambiental como também, e não menos importantes, aos fatores sociais e culturais -, é comprometer a sua sobrevivência e continuidade", diz.
Andraus também chama atenção para a necessidade de um planejamento integrado para a realização de um desenvolvimento regional. "Isso se faz interessante para adequar as nossas vocações regionais nas áreas de suporte e catalizadoras deste desenvolvimento. Temos muitas carências, no entanto destaco como mais importantes e prioritárias as relacionadas a infraestruturas que permitam uma logística eficiente, com reflexo direto na competitividade dos bens e serviços produzidos na região."
Segundo ele, a expectativa do Procia, no campo empresarial, é de poder contribuir para realização de um planejamento através das associações e os órgãos representativos das classes empresariais.
Associação Comercial considera fundamental preocupação ecológica
Para o presidente da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Morais de Castro, é fundamental para qualquer empreendimento aliar-se à sustentabilidade, ao respeito ao homem e ao meio ambiente. "Se nos prendermos apenas à questão econômica, esquecendo da sociedade, teremos um mundo inabitável. Há na Associação Comercial uma Comissão de Responsabilidade Social que discute, dentre outros pontos, esta questão. É interessante ressaltar que a Associação Comercial sempre está contribuindo com a questão envolvendo o desenvolvimento de potencialidades da Bahia respeitando o meio ambiente", cita.
Eduardo Morais de Castro diz que adotou a preocupação ambiental em sua própria empresa, a Morais de Castro Comércio e Importação de Produtos Químicos Ltda. Desde 1992, o empresário transformou uma área de mais de seis mil metros quadrados no entorno da empresa, situada em Portoseco Pirajá, em espaço para cultivo de árvores frutíferas, visando melhorar a qualidade de vida dos funcionários com a inserção de uma área verde. "Era uma área estéril que se tornou agricultável.
Surgiram pequenos roedores, como preás, para se alimentarem dos frutos das mangueiras, jaqueiras, dentre outras árvores que se encontram naquele espaço. Em 2009, nos surpreendemos com o aparecimento de um falcão peregrino, que vem do Canadá e EUA fugindo do frio do hemisfério norte para se abrigar no Brasil. Ele já foi visto nas reservas da Cetrel, em Camaçari, no prédio da Justiça Federal e na Morais de Castro.
A ave tem uma história interessante. Ela já esteve em risco de extinção por que as lavouras nos EUA usavam um inseticida com cloro na composição que enfraquecia a casca do ovo do animal, afetando drasticamente na reprodução da espécie. Os EUA, atendendo a um pedido de entidades de proteção animal, proibiram o uso do produto no inseticida, o que causou melhora na sobrevida da espécie.