JHONATÃ GABRIEL
redação I agecom
Para ampliar o comércio bilateral entre o Brasil e a Índia, uma missão formada por 12 empresários indianos participou de uma reunião ontem, no Hotel Deville, em Salvador, com representantes do Governo do Estado e da iniciativa privada, que apresentaram as potencialidades da Bahia. O evento foi realizado por iniciativa da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Apex Brasil e Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
Em abril de 2009, uma comitiva do governo baiano visitou a Índia e apresentou as principais vocações econômicas e as vantagens de se investir no estado. O vice-presidente da Bahia Mineração e diretor do Centro das Indústrias do Estado da Bahia (Cieb), Clóvis Torres, também esteve na Índia. Ele disse que a vinda dos indianos é uma retribuição à visita da comitiva baiana.
A expectativa é que o encontro de Salvador estimule negócios entre os dois países em áreas como indústria, comércio, mineração, agronegócio, ciência e tecnologia. Segundo o presidente da Câmara Brasil-Índia, Roberto Paranhos, apesar das diferenças culturais, os dois países têm potencial e chances reais de ampliar os negócios.
"A Índia tem seis vezes a população do Brasil, mas processa apenas 3% dos alimentos. O Brasil é bem evoluído nessa questão. Então, os indianos vieram buscar isso. A Bahia tem uma vocação indiscutível em várias áreas, além da alimentação", avalia.
Ele citou como exemplo o polo automotivo, um setor que tem crescido na relação bilateral de autopeças e só tende a evoluir. "Mais importante do que exportar, o ponto principal com a Índia é fazer parcerias, os joint ventures (empreendimentos conjuntos)", explicou Paranhos.
Ampliação – O presidente da Câmara Brasil-Índia lembrou que, além de novos acordos comerciais, existe a possibilidade de ampliação dos investimentos indianos já existentes na Bahia. "Os indianos já estão presentes aqui no estado na área de mineração."
Durante a fala de abertura do evento, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, declarou que o comércio bilateral entre o Brasil, por meio da Bahia, e a Índia tem condições de ser ampliado.
"Temos riquezas naturais muito fortes. Vejo um grande leque de oportunidades com a Índia, especialmente no segmento alimentar. Não só na exportação de produtos in natura, mas também com a atração de investimentos para agroindústria e, posteriormente, exportação de alimentos industrializados para esse país, que possui a segunda maior população mundial."
Dois mercados que crescem rápido
Oportunidades no setor de mineração
O superintendente de Indústria e Mineração da Bahia, Paulo Britto Guimarães, observou que as oportunidades de negócios da Bahia estão de acordo com o perfil dos empresários que visitam o Brasil.
"Temos um potencial enorme na área de mineração. Diversos projetos de grande porte já estão chegando aqui para exploração de bauxita e ferro. Os projetos de infraestrutura em realização no estado tornam essas oportunidades ainda mais interessantes e criam condições logísticas para novos empreendimentos."
As possibilidades de investimento em ciência e tecnologia também serão apresentadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). "Nesta missão indiana, há empresas do ramo de biotecnologia e tecnologia da informação. Colocaremos um dos principais pontos da secretaria: o Parque Tecnológico de Salvador. A ideia é sensibilizar as empresas indianas em pesquisa e desenvolvimento, que é o projeto básico do parque."
Segundo ele, no Parque Tecnológico são quatro as áreas-foco: engenharia, tecnologia da informação, biotecnologia e energia, além do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica (Inovatec), que também trata de incentivos para quem se instala na Bahia, disse o superintendente.
O indiano Arvind Vijh é um dos diretores da empresa de consultoria empresarial Deloitte, no Canadá, com atuação nas Américas. "Nosso foco é trabalhar junto aos clientes da Índia que querem investir nessa parte do mundo. O Brasil é muito importante para nós. São dois mercados que crescem rápido e se saíram muito bem da crise financeira."
Segundo ele, existem muitas oportunidades comerciais nos dois países que se complementam. "O Brasil, na agricultura, bioenergia, etanol. A Índia, na área de manufaturas farmacêuticas, por exemplo", citou.
Atualmente, o Brasil exporta para a Índia produtos químicos, petroquímicos e minérios, e importa fios naturais e óleo diesel. Conforme dados do Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia, em 2009, somente a Bahia exportou US$ 34 milhões para a Índia.
Esta semana, a missão indiana também esteve reunida com lideranças empresariais e políticas de São Paulo. Depois da Bahia, o grupo segue para o Paraguai.