Renova Energia investirá R$ 560 milhões para construção de eólicas na Bahia

01/10/2010

Dayanne Jadjiski


A Renova Energia vai investir R$ 560 milhões para contruir os seis parques eólicos, que comercializaram energia no último leilão de reserva, realizado em agosto. Localizados na Bahia, os empreendimentos negociaram 78 MW médios no certame etotalizam 152 MW de capacidade instalada .



De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Renova Energia, Roberto Honczar, atualmente a companhia está na fase de estruturação financeira. "Os nossos parques são muito bons em termos de produção de energia. Conseguimos chegar no limite de 75% de dívida de longo prazo, tipicamente BNDES ou Banco do Nordeste, e os outros 25% virão de capital próprio", afirma o executivo.



Para implementar os parques, a companhia assinou, no último mês de agosto, o pré-contrato com a GE, para a aquisição de 102 aerogeradores, além dos serviços de transporte, montagem e comissionamento dos equipamentos. O contrato definitivo com o fornecedor deve ser fechado nos próximos 30 dias.



A Renova Energia teve a opção de substituir os aerogeradores, de 1,5 MW de potência, por modelos com 1,6 MW e, de acordo com o diretor vice-presidente da companhia, Ricardo Delneri, a troca será feita. "A GE nos deu essa opção depois do leilão de 2009. É uma máquina muito parecida, com a mesma torre e a mesma pá, muda apenas o gerador. Aceitamos e fechamos com a máquina de 1,6 MW", diz.



Os aerogeradores adquiridos para os 14 parques que venderam energia no leilão de eólicas do ano passado, realizado em dezembro, também terão 1,6 MW de capacidade. "Após essas alterações, esses 20 parques vão somar 457 MW de potência instalada em 2013 e vai ser o maior complexo eólico do Brasil em operação", declara Honczar.



Dos 14 parques, a companhia obteve o enquadramento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social paranove deles e do Banco do Nordeste para as outras cinco usinas. O investimento dos 20 parques é de aproximadamente R$ 1,150 bilhão. Segundo Delneri, os equipamentos já começaram a ser feitos pela GE,responsável por quase 80% do escopo de fornecimento, e devem chegar em campo em março do próximo ano. O início das obras físicas está previsto para janeiro de 2011, com os acessos e as fundações.



Segundo Delneri, a companhia não prevê antecipação da geração de energia desses parques. "Como a gente optou pela ICG, cuja entrega está prevista para julho de 2012, e isso está fora do nosso controle, a nossa programação de entrada em operação é na metade de 2012. Não prevemos antecipação, porque precisaríamos da conexão, que não é feita por nós", destaca o executivo. A Chesf será a responsável pela implantação da ICG, composta pela LT Igaporã - Bom Jesus da Lapa II, circuito simples, em 230 kV; e pela subestação Igaporã 230/69 kV.



Além destes 20 parques eólicos, a companhia tem aindatrês pequenas centrais hidrelétricas em operação, com 41,8 MW. As usinas comercializaram energia no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. Conhecida pela prospecção e desenvolvimento de novos projetos, a companhia também tem portfólio de PCHs para implantação, mas o foco da Renova Energia para os próximos anos será as usinas eólicas.



"Temos muitos inventários já feitos, muitas PCHs em fase de análise e autorização na Aneel, e outras já com licença ambiental. Mas devido à qualidade dos nossos projetos eólicos, temos por prioridade implantar e comercializar energia destas usinas".



Recentemente, a Renova Energia realizou uma oferta pública de ações e arrecadou R$ 160,707 milhões. Para Honczar, a companhia já havia se preparando para o mercado de capitais desde 2007, quando recebeu o primeiro investimento do InfraBrasil, e a operação viabilizou a participação nos últimos certames.



"Foi uma captação muito positiva, era uma etapa natural no processo de maturidade da empresa. A empresa já tinha uma posição de caixa anterior, então essas captações somadas a estruturas de dívidas que temos com o nosso fornecedor, nos dão o capital próprio necessário a eses projetos", finaliza.

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