Mesmo com a queda do dólar e valorização do real assombrando as exportações na indústria brasileira de calçados, a Bahia comemora os resultados obtidos no setor, Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), de janeiro a setembro deste ano, o estado registrou alta de 5,9% no volume de pares vendidos ao exterior e 36,5%, em receita. Ao todo, foram embarcados 5,3 milhões de sapatos, que geraram US$ 70,6 milhões, contra 5 milhões de pares e faturamento de US$ 51,8 milhões no mesmo período em 2009. O desempenho colocas Bahia em segundo lugar no ranking de exportação calçadista do Nordeste, em receita, atrás do Ceará, e na quarta posição do pais.
O presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, que também preside a maior empresa do setor no estado -Azaléia /Vulcabrás classifica esse fato como " um grande avanço" da indústria baiana de calçados. Segundo ele, a qualidade dos produtos fabricados na região foi o principal motivo para o aumento da exportação.
Ainda de acordo com Cardoso, isso fez com que o mercada baiano crescesse mais do que em outras regiões do país. "Para se manter na exportação, tem que ter sapatos com maior valor agregado. O ganho na qualidade desses produtos foi o que impulsionou esse segmento". Para ele, a Bahia está se consolidando nesse segmento, com grande potencial para aumentar a exportação de seus produtos.
Ricardo Luiz Taboza, diretor-presidente da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), disse que a conjuntura atual vem se desenhando com o incremento dos incentivos, tanto em infraestrutura, com a construção de galpões para a instalação de Indústrias, quanto com os incentivos fiscais, para viabilizar economicamente a entrada de mais empresas nesse se • tor no estado.
PRODUÇÃO De acordo com o Sindicato das Indústrias de Calçados da Bahia, o estado conta atualmente com 57 fábricas, que empregam mais de 35 mil pessoas. O presidente da entidade, Haroldo Ferreira, diz que cerca de 15% do que e produzido aqui é vendido para mais de 20 países em todo o mundo.
A região Sudoeste do estado - com destaque para Itapetinga -, segundo a Sudic, é a que mais exporta. Entre os principais compradores estão os Estados Unidos e Argentina. O restante da produção abastece o mercado interno. Os sintéticos dominam as exportações no país, com 76,9 milhões de pares exportados.
RISCOS Apesar disso, o cenário não é dos mais tranqüilos. Indústrias como a Azaleía/Vulcabrás, por exemplo, são cautelosas quanto a novos investimentos no setor. Nos últimos dois anos, a empresa investiu mais de R$ 100 milhões para incrementar as exportações nas suas 19 fábricas da Bahia. Mas a regra, agora, é segurar as rédeas, conta Mil ton Cardoso. Tudo isso por causa da insegurança com relação ao cãmbio A que a moeda americana está desvalorizada, proporcionando risco com a entrada de produtos importados no pais, enfraquecendo o mercado interno. "Temos ameaças. Se isso não for combatido, teremos uma nova crise que afetará toda a cadeia do setor", pontua.
Más vagas de empregos no setor na Bahia
A partir de janeiro, mais de mil postos de trabalho devem ser criados na indústria calçadista dos municípios de Jequié, Alagoinhas e Ruy
Barbosa. Isso por causa da ampliação de fábricas do ramo nesses locais. Segundo a Sudic, cerca de R$ 5 milhões foram investidos nas obras.
Assim como outros segmentos, a indústria de calçados baiana também carece de profissionais qualificados. Haroldo Ferreira diz que o setor teve um crescimento expressivo nos últimos dez anos e muita gente entrou despreparada no mercado. "Não há falta de mão de obra, mas sim de qualificação". Contudo, Milton Cardoso acredita que o problema é facilmente resolvido no processo de treinamento da própria empresa.
Atualmente, a Azaléia/Vulcabrás é a fábrica de sapatos que mais emprega no estado. Com 19 unidades, ela tem mais de 18 mil
trabalhadores. "Não demitimos ninguém durante a crise".
"Baianização" de fornecedores
Um projeto da Azaléia/Vulcabras que Já está em andamento deve estimulara indústria de calçados na Bahia. "É o que chamamos de baianização dos fornecedores", conta o presidente da empresa, Milton Cardoso. Segundo ele, a ideia é trazei para o estado 20 fornecedores diretos da indústria em até cinco anos. A Iniciativa visa ainda incrementar os investimentos nas empresas que já estão instaladas na Bahia.
Até setembro deste ano, a Azaléia/Vulcabrás comprou de fornecedores baianos R$ 85 milhões de materiais para a produção dos calçados. A ideia é de que, até o fim do ano, esse montante chegue a R$109 milhões. Este numero é 89%, mais alto do que era adquirido no estado em 2008 (R$58 milhões). Para Cardoso, a vinda dos fornecedores da em -presa para a Bahia facilita a produção dos calçados baianos. Além disso, incentiva o acesso ao mercado externo.