
A solenidade foi realizada no Centro de Convenções de Ilhéus com a participação de autoridades dos governos federal e estadual

A execução do ‘Hino Nacional’ pela Orquestra Juvenil Dois de Julho abriu a cerimônia na área externa da Assembleia Legislativa
GUSTAVO
redação I agecom
O projeto da locomotiva que vai puxar os vagões do desenvolvimento, encurtando as distâncias do agreste e cortando a imensidão do serrado, idealizada pelo engenheiro baiano Vasco Neto, saiu da gaveta depois de mais de 50 anos, para as mãos do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Ontem, no Centro de Convenções de Ilhéus, no sul da Bahia, o presidente Lula e o governador Jaques Wagner participaram da cerimônia de assinatura da ordem de serviço dos quatro primeiros lotes da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que ligará o município baiano à cidade de Figueirópolis, em Tocantins.
Os lotes já tiveram as licenças de implantação liberadas pelo Ibama e correspondem ao trecho Ilhéus/Caetité, com
Com total de
Crescimento – A Fiol dinamizará o escoamento da produção nos dois estados, fazendo também a ligação com outros polos do país, além de promover ainda mais o desenvolvimento agrícola da região oeste da Bahia.
"Quando tomamos a decisão de fazer uma obra dessa magnitude, a primeira coisa que ouvimos das pessoas que foram contra a construção da ferrovia foi se existia ou não viabilidade econômica. Traduzindo numa linguagem mais popular, é se a ferrovia ia dar lucro ou não. Nunca se pensou em ter um sistema de transporte intermodal que beneficiasse todos aqueles que querem produzir", disse o presidente Lula.
O governador Jaques Wagner ressaltou que a obra vai possibilitar uma logística que viabilizará o crescimento e o desenvolvimento de toda a Bahia, transportando grãos, magnesita, além de gerar novos empreendimentos e criação de zonas de processamento (ZPE).
"São 1,5 mil quilômetros ao todo, dos quais 1,1 mil quilômetros dentro do estado da Bahia, com um porto que será o primeiro em águas profundas, com estrutura para receber navios de alto calado, e um novo aeroporto na região, localizado entre Ilhéus e Itacaré", afirmou o governador.
Obra prioritária – Dividido em 11 lotes, oito deles na Bahia, o trecho da estrada de ferro no estado terá mais de mil quilômetros e cortará 32 municípios. Os trilhos da integração, desenvolvidos pela Valec Engenharia (empresa do Ministério dos Transportes especializada na construção de ferrovias), são uma obra prioritária do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que envolverá investimentos estimados em R$ 7,3 bilhões.
Para o ministro de Transportes, Paulo Sérgio Passos, o PAC é uma conquista no campo da habitação e do saneamento, garantindo saúde às coletividades, além do campo hídrico, de energia e dos transportes.
"Recuperamos estradas brasileiras, serviços de pavimentação foram realizados, duplicamos rodovias e também executamos obras relacionadas a portos, hidrovias e ferrovias. A construção de uma ferrovia tem a capacidade de transformar e elevar o padrão econômico e social de uma região".
O ministro explicou que a ferrovia cortará o território baiano e servirá ao oeste do estado, para escoamento de grãos, e à região produtora de minérios, como grande corredor que se abre para o centro-oeste brasileiro. "Do ponto de vista viário é a maior obra que a Bahia já viu", disse.
A construção será executada em duas etapas. A primeira, com início em Ilhéus, vai até Barreiras, no oeste baiano, e a segunda seguirá de São Desidério até Figueirópolis (TO), onde fará a conexão com os trilhos da Norte-Sul, entre o Pará e São Paulo.
Trecho baiano terá início com quatro lotes
A construção da Fiol será executada por 25 empresas, sendo que o trecho baiano tem início com os primeiros quatro lotes. O de número 1 parte de Ilhéus, onde será sediado o terminal de descarga geral com capacidade estimada para até 68 milhões de toneladas ao ano. O traçado tem
Os principais produtos a serem transportados são grãos, farelos, álcool, algodão, além de fertilizantes, combustíveis e minério de ferro.
O lote 2 segue até o Riacho Jacaré, na cidade de Jequié, com
Com
Para a região, também está prevista a instalação de um polo industrial voltado para a indústria de mineração. A área abriga grande jazida de ferro, com capacidade de produção estimada em cerca de 25 milhões de toneladas/ano.
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Malha ferroviária impulsiona desenvolvimento
O prefeito de Ilhéus, Nilton Lima, lembrou que há exatos 100 anos era inaugurada a ferrovia da cidade. Segundo ele, a data é comemorada com a renovação de uma nova malha ferroviária, que trará ainda mais desenvolvimento ligando a cidade ao Brasil.
"Nunca recebemos tantos investimentos, seja com a implantação do Instituto Federal da Bahia, do Programa Minha Casa, Minha Vida, executado no bairro Banco da Vitória, com a construção de 272 unidades residenciais, dentre outras ações."
Em Brumado, no sudoeste do estado, ficará o canteiro de obras e também outro polo, que vai transportar magnesita, minério de ferro e cargas gerais, com capacidade de até 29 milhões de toneladas/ano.
Geração de empregos – O diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, afirmou que no primeiro trecho serão gerados dez mil empregos diretos e 30 mil indiretos. "Vamos contratar mão de obra da região, e os equipamentos serão alocados também aqui. Já existem máquinas e equipamentos nos quatro trechos".
A estimativa é que o volume de cargas a ser transportado chegue a aproximadamente 70 milhões de toneladas anuais, das quais 50 milhões correspondentes a minérios.