Construção de novos imóveis levará em conta questões regionais; na previsão, itens como varanda e piscina
Novos critérios, tipologias, regras mais flexíveis e levando-se em conta diferenças regionais. Varanda, piscina, elevador, área de lazer. Aquecimento da água a partir de energia solar fotovoltaica. Essas apenas são algumas das alterações previstas para o novo Minha Casa, Minha Vida, programa de habitação que o governo federal deve relançar daqui a pouco mais de uma semana.
O anúncio oficial está previsto para acontecer na vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Bahia, no próximo dia 14 de fevereiro. No novo escopo, a proposta é que haja pelo menos três formatos de moradia, e não apenas imóveis de dois quartos. O objetivo é fazer com que as unidades sejam construídas de acordo com o perfil da cidade, e o interesse das famílias.
Em visita à Redação de A TARDE na última quinta-feira, o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi), Claudio Cunha, disse que a recriação do Minha Casa, Minha Vida deve impulsionar o setor com novos investimentos. Ele destacou ainda que a medida é uma das primeiras do novo governo na área social, tamanha a importância do tema.
“É um projeto importante, que atinge 60% da população e requalifica a moradia das pessoas, além de entregar uma infraestrutura urbana digna com novas ruas, oferecendo uma qualidade de vida melhor. Com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) e do nível de emprego, a previsão é que tenhamos um 2023 melhor”, afirmou.
O diretor secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis na Bahia (Creci), Noel Silva, fala que vê de forma muito positiva o retorno do MCMV, e que o mercado nesse segmento parou no governo anterior.
“Mudaram apenas o nome do programa, e o investimento caiu a zero. Que bom o retorno, isso movimenta o mercado imobiliário, movimenta a construção civil, porque é uma forma de conseguir trazer pessoas pouco qualificadas para o mercado, principalmente nesse momento de grande desemprego.”
“Isso vai fomentar a venda de terrenos, uma série de investimentos que são muito importante para o mercado imobiliário, eu vejo de forma muito simpática, na qualidade de diretor do Creci, dono de uma imobiliária, é muito positivo”.
Medida provisória
Segundo já noticiou a imprensa, a ideia é criar uma medida provisória que, ao mesmo tempo ponha fim ao Casa Verde e Amarela, do governo Jair Bolsonaro, e recrie o Minha Casa, Minha Vida. No mesmo texto, que precisa ser aprovado pelo Congresso, deve constar apenas as bases do novo formato do programa, para que só depois vários outros pontos sejam definidos por meio de atos do próprio governo.
A medida, de acordo com a secretária de Desenvolvimento Urbano do estado, Jusmari Oliveira, deve mitigar o déficit habitacional no Brasil, que era de quase 5,9 milhões de famílias em 2019, dado mais recente. Aqui na Bahia, segundo ela, o índice, também de 2019, é de cerca de 415 mil moradias, podendo ser superior, afirma.
Recém-chegada à pasta, ela avalia que o gesto do presidente Lula de relançar o programa na Bahia tem um enorme significado, e que, além de dinamizar a economia, com a geração de novos empregos, a medida deve também tirar do sufoco empresas da construção civil que patinam com a falta de recursos na área há alguns anos.
“Sem dúvida, é uma forma de Lula dizer obrigado à Bahia pela votação, pela eleição. Durante a campanha, eu já dizia que um sonho meu era ver casas sendo construídas novamente no País. Eu ando na casa das pessoas e vejo o drama que é, as pessoas vêm na minha (casa) também pedir ajudar para pagar o aluguel”.
“É uma demonstração que o presidente volta mais valente do que antes, essa é uma atitude que anima as pessoas, que andavam sem perspectiva, sem ânimo, esperança, brio. A gente já está trabalhando dia e noite no sentido de dar um novo rumo na política habitacional no estado, aproveitando todo esse embalo do governo federal”.
Jusmari disse ainda que, junto com a Caixa Econômica Federal, atua para concluir obras paradas na Bahia, “como em Barreiras, com cerca de 500 casas abandonadas. Santo Amaro, Feira de Santana”.
Fonte: Jornal A Tarde